Marco Gomes por - Dec 10, 2016

Luzeiro do Escondidinho – Episódio 77

Tanto tempo levou a botar corpo um episódio dedicado ao subgénero dungeon crawler que recessos estavam vários títulos inscritos na lista a nele figurar, não desvirtuando, contudo, o padrão qualitativo mínimo que a rubrica cuida de apresentar.

Um aparte que teria alguma vez de ser feito. A mudança para a nova casa acarretou alterações estruturais de funcionamento e organização passíveis de colidir com o labor até ali realizado. Pedindo desculpas pelo incómodo e até possível transmissão da imagem de menor asseio profissional, assegura o autor destas linhas ser o primeiro a desgostar-se com o processo de automatização de conteúdo que descaracterizou o corpo de várias entregas até à edição setenta e dois. O mesmo se passando com a impossibilidade de a elas aceder sem associação exclusiva a um dos títulos elencados.

Ser foleiro é lantejoula gratidão, mesmo cegueta, Eu Sou Visão.

Luzeiro 77

NOOZh (WANNABE, Argentina) 

PC (Windows, OS X, Linux) – Previsão de lançamento não divulgada

De tudo um pouco cá vem parar. O estúdio de Enrique Zulberti (direção de projeto), Ivan Ivanoff (programação), Ignacio Bustos (arte) e Fernando Martinez Ruppel (arte) tem como antecedente a criação de uma plataforma, denominada WAGMA, visando elaboração de videojogos de cariz publicitário a partir de mecânicas e esquemas gráficos preconcebidos. Não menos ortodoxa será a próxima investida acompanhando a vivência de uma jovem e o impacto de seus recorrentes pesadelos na rotina diária. 

Para tal, alicerça-se NOOZh num esquema engenhoso onde as atividades quotidianas em horário diurno, como ler, passear ou brincar com o animal de estimação, influem na configuração dos pesadelos ao deitar e vice-versa no desempenho dos jogadores naquele angustiante universo de geração aleatória tendo por base jogável plataformas e quebra-cabeças onde passa o objetivo por encontrar a chave que abrirá a porta da seguinte secção.

Luzeiro 77

StarCrawlers (Juggernaut Games, Estados Unidos da América) 

PC (Windows, OS X, Linux) – Previsão de lançamento não divulgada

Disponível em acesso antecipado desde março de 2015, é a produção do coletivo constituído por George Cochrane (direção artística), Elena Consacro (produção), Asa Enochs (arte bidimensional, desenho de jogo), Jason Copeland (animação), Tony Galindo (arte tridimensional), Rocky Teruya (arte tridimensional) e John Elberson (programação) um claro exemplo de quando a tradição sopra novidade pela simples manipulação do contexto, no caso, apartando o dungeon crawler na primeira pessoa do corriqueiro ambiente medieval-fantástico, transportando-o para as estrelas.

Aceitando trabalhos de megacorporações na caça ao homem, sabotagem de rivais e operações de espionagem, teremos por missão agregar e dirigir uma equipa de elementos extraídos de oito diferentes classes, com habilidades únicas em combate e na exploração de futuristas catacumbas, através de áreas totalmente randomizadas em geometria e conteúdo, opção existindo ainda de ativar morte permanente para devotos da traça roguelike.

Luzeiro 77

Wizard of Legend (Contigent99, Estados Unidos da América) 

PC (Windows, OS X, Linux) – inverno, 2017

Como outras estórias tantas que o meio prodigaliza, antes mesmo de serem camaradas de labuta uniu o percurso académico em amizade Bundy Kim (arte, programação) e Dahoon Lee (programação). Seu primeiro bordado transporta-nos para Lanova, cidade anfitriã de um conjunto de desafios propostos pelo Conselho de Magia a quem deseje reinar com o estatuto de, daí o título, Feiticeiro Lendário.

O ligeiro preambulo narrativo suportará uma experiência dungeon crawler com elementos roguelike de ritmo intenso, permitindo azáfama cooperativa e competitiva com outro comparsa em cenários gerados aleatoriamente onde a bel-prazer se dará vazão à longa lista de feitiços a invocar, ampliada na contínua recolha pelo terreno, e sua combinação proporcionada a vários estilos de jogo.

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Doom Parade (Nathan Makes Games, Estados Unidos da América) 

PC (Windows) – Data a confirmar, 2017

E esta, hem? Nathan Meunier, autor de Go To Bed: Survive The Night (2015) e This Book is a Dungeon (2015), chega aqui mais conhecido pela catrefada de livros de autoajuda e cursos online concebidos do que pela marca deixada no meio. Indo ainda a bom tempo, colabora atualmente na produção de Nuclear Golf, tendo como projeto paralelo em solitário Doom Parade, título na perspetiva da primeira pessoa, extraída dos clássicos dungeon crawler, baseado em combates por turnos e num esquema ligeiro de tower defense. Com o objetivo derradeiro de impedir que as hordas do inferno alcancem um livro sagrado, aproximar-se-á cada ciclo de jogo do desiderato ao desbloquear nas várias tentativas novos ataques, assim como habilidades ativas e passivas.

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Downspiral (Matt Gunter, Canadá) 

PC (Windows) – Primeiro trimestre, 2017

Se existe género, e todas suas variantes, pródigo em exercícios satíricos, ele é certamente o Role Playing Game. Aporta um mais Matt Gunter com Downspiral dando-nos a missão de explorar catacumbas de um outrora lustroso parque de diversões com até mais três amigos em formato cooperativo. Se as raças (doze) e classes (dez) à disposição descambam para a paródia com golfinho terrestre, yeti, contabilista ou “pessoa tomate”, pior não fazem as disparatadas opções de arsenal e equipamento defensivo. À onda não escapando sequer uma trilha sonora eivada de trejeitos jazzísticos, incomum, sem dúvida, na prole dungeon crawler

Luzeiro 77

Skullstone (Black Torch Studio, Polónia) 

PC (Windows) – Data a confirmar, 2017

Inspirado por clássicos do subgénero como Dungeon Master (1987), Eye of the Beholder (1990) ou Stonekeep (1995) não admira ser a produção de Kamil Siara (direção de projeto), Łukasz Szulik (direção artística), Hubert Piątkowski (arte tridimensional), Przemek Świszcz (arte bidimensional), Sebastian Kuska (arte geral), Jakub Ćwikliński (escrita), Marcin Świszcz (escrita), Piotr Ruszkowski (desenho de som) e Cezary Zieliński (composição musical) o mais apegado do conjunto à ala embrionária. Prova disso faz-se na impossibilidade de customizar os heróis, optando, ao invés, por oferecer um generoso naipe deles à escolha, entre vinte a trinta, com habilidades predefinidas passíveis de evoluir linearmente com a experiência acumulada.

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Super Cane Magic Zero (Studio Evil, Itália) 

PC (Windows, OS X, Linux), Plataformas Móveis (Android, iOS, Windows Phone), PlayStation Vita, Wii U e Xbox One – Previsão de lançamento não divulgada

Em acesso antecipado desde agosto de 2015, nasce Super Cane Magic Zero na colaboração transalpina do cartoonista Simone Albrigi (Sio) e o estúdio fundado por Luca Marchetti, Marco Di Timoteo e Christian Meneghini, criador de Syder Arcade (2013) e Relive (2015). Desbragadamente cómico, a raiar o disparatado, locomover-se-ão os jogadores, até quatro em jogo cooperativo local, nas coloridas e aleatoriamente geradas masmorras do universo WOTF tendo por base a ação intensa de um sistema de combate onde é possível apanhar, arremessar e ingerir todos os objetos espalhados pelos cenários.

Luzeiro 77

Vaporum (Fatbot Games, Eslováquia) 

PC (Windows, OS X) – Previsão de lançamento não divulgada

Se StarCrawlers desvia o subgénero de seu ambiente embrião introduzindo-o no de ficção-científica, por sua vez, outro atípico, steampunk, lhe é marretado por Tibor Repta (desenho de jogo, arte bidimensional, produção), Matej Zajačik (programação, desenho de som), Lukáš Chrapek (arte tridimensional, animação) e Peter Uličiansky (programação, inteligência artificial). Com deslocação em grelha na perspetiva de primeira pessoa, patenteia Vaporum combates orientados para ação e quebra-cabeças envolvendo manipulação de mecanismos, subordinados ambos a um esquema de evolução de habilidades que arremeda a aparente frugalidade com o impacto por elas causado nas rotinas de jogo.

Luzeiro 77

Continuando a percorrer as sucursais do género Role Playing Game, de hoje a sete dias por cá teremos uma das mais representadas na rubrica, a dos roguelike. Até lá, bons jogos.

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