Marco Gomes por - Dec 17, 2016

Luzeiro do Escondidinho – Episódio 78

Por palavras semelhantes já antes se constatara que, mais do que ressurreição, assistimos a uma vida nunca antes tida pelo subgénero roguelike à pala do interesse ascendente, não só, mas, em anafada proporção, dos criadores de humildes meios.

Atesta-o, obviamente, o massivo número de exemplares chegados ao mercado, contudo, maior incredulidade denota o perfilhar de algumas suas embrionárias especificidades, como randomização de áreas e morte permanente, por uma legião de géneros. 

Tentando refletir a jovialidade da estirpe, duas novas se acresce ao trio de entregas passado pelo Luzeiro, qual pena verde cuidando de amadurecer em bom tempo.

Luzeiro 78

Loot Rascals (Hollow Ponds Games, Inglaterra) 

PC (Windows) e PlayStation 4 – Primeiro trimestre, 2017

Disponível para computadores pessoais há cerca de duas semanas na chamada “edição de refinação”, equivalente a acesso antecipado, traz Loot Rascals de volta Ricky Haggett, responsável principal por títulos como Frosbisher Says (2012), Hohokum (2014) ou Super Exploding Zoo (2015), acompanhado de David Ferguson (arte), Brent Kobayashi (arte), Max Foster (programação), Jonathan Whiting (programação), Grandmaster Gareth (composição musical), Cassini Sound (desenho de som) e Patrick Ashe (produção). 

Ambientado num planeta alienígena hostil ao lá despenhar-se a nave onde o protagonista seguia, passa o objetivo invariavelmente pelo retorno ao lar tendo de permeio uma jornada de sobrevivência. A exploração do território e combate das criaturas autóctones sustentar-se-á na recolha de despojos, em forma de cartas colecionáveis, libertadas por aquelas quando desfeiteadas, sendo suas propriedades e valências associadas às ações da personagem. Uma das mais originais premissas do título passa pela distribuição aleatória do baralho de um jogador entretanto derrotado pelos inimigos correspondentes presentes na experiência de jogo doutro, cabendo aos chefes finais, está bom de ver, arrebanhar as cartas mais preciosas.

Luzeiro 78

Plague Road (Arcade Distillery, Estados Unidos da América) 

PC (Windows), PlayStation 4, PlayStation Vita e Xbox One – junho, 2017

Depressa falasse, contrariado em avidez sê-lo-ia. Aquando da passagem de Court of the Dead: Underworld Rising pelo recente episódio setenta e cinco ficou o lamento sobre as novas que de Plague Road não chegavam. Como que ouvindo, pouco dias após levantou para a obra campanha pública de recolha de fundos no Kickstarter a equipa de Conrad Zimmerman (desenho de jogo), Luc Bernard (desenho de combate), David North (arte), Sean Reid (programação), Sean Beeson (composição musical) e Jim Sterling (narração).

Elementos roguelike acrescentam-se à estratégia por turnos dando corpo a uma “lenda de remorsos e redenção” onde a personagem central viajará por regiões devastadas por uma praga letal em busca de sobreviventes. Conduzi-los a zonas de segurança permite igualmente recrutamento como companheiros de viagem, dispondo de proficiências oferecidas pelas várias categorias como aldeão, soldado, enfermeira, engenheiro ou bruxa, ampliando assim probabilidades de adensar trajeto em cada segmento territorial através de esquema linear onde a ampliação de riscos se proporciona ao ganho de recompensas.

Luzeiro 78

Ruin of the Reckless (Faux-Operative Games, Estados Unidos da América) 

PC (Windows) – março, 2017

Inspirado por Samurai Gunn (2013) e Nuclear Throne (2015) pretendem Daniel Crockenberg  e Charles Webb ofertar-nos um roguelike de ação idealizado para jogo cooperativo tendo como esquema de controlo o duplo analógico, ou equivalente no recurso à combinação rato e teclado.

Partindo de uma ligeira premissa narrativa, levar a personagem a alcançar o cume de uma torre mística, feito que, segundo as lendas, lhe concederá um desejo, far-se-á o caminho de avantajado sortido de métodos para obliterar a maleficência que por lá se pavoneia, a saber, empunho de duas armas em simultâneo, livros de magia de variável número de feitiços e quantidade de invocações, esferas de habilidade permitindo adquirir novos movimentos ou utilização direta como recurso ofensivo, deslizar com impacto através de botas especiais e, único meio persistente à disposição, aquisição de cartas ao completar desafios especiais conferindo novas regras à experiência global de jogo.

Luzeiro 78

Tumbleseed (AEIOWU, Estados Unidos da América) 

PC (Windows, OS X) e PlayStation 4 – Primeiro trimestre, 2017

A si juntando Benedict Fritz, Joel Corelitz, Jenna Blazevich e David Laskey, promete Greg Wohlwend, responsável pela componente artística dos pesos pesados em formato móvel Ridiculous Fishing (2013) e Threes (2014), trazer para a estirpe uma de suas mais originais iterações enquanto “roguelike rolante”.

Encarnando uma frágil sementinha com ambição de regressar ao cume da montanha que a viu germinar, tentará na demanda matar dois coelhos com uma cajadada sanando no trajeto criaturas corrompidas por um poder que de malícia infestou o local. Baseando a estrutura jogável, de grosso modo, no controlo da plataforma que permite à semente o desvio de obstáculos, tudo o mais não será alheio ao subgénero com suas secções randomizadas, morte permanente e aquisição de amplificadores de habilidade como arremesso de espinho ou invocação de uma nuvem incontinente.

Luzeiro 78

20XX (Batterystaple Games, Estados Unidos da América) 

PC (Windows) – Previsão de lançamento não divulgada

Sendo devoto da série Megaman X não descansou Chris King (ideia original, desenho de jogo, programação) enquanto não cravou Zach Urtes (arte), Brandon Ellis (composição musical) e Eitan Glinert (logística) para um título por aquela influenciado, acrescido de elementos roguelike. Disponível em acesso antecipado desde novembro de 2015, aporta 20XX ao esquema do referencial níveis de construção randomizada, incluindo tipologia e distribuição de amplificadores de poder, garantindo os autores justeza no equilíbrio dado às componentes de plataformas e ação ao longo das várias secções, morte permanente e jogo cooperativo com um companheiro mais. 

Luzeiro 78

Caveblazers (Rupeck Games, Inglaterra) 

PC (Windows, OS X, Linux) – Primeiro trimestre, 2017

Desde o passado mês de abril, altura que foi disponibilizado em acesso antecipado, não mais o criador conhecido por Rupeck parou de embuchar e aprimorar Caveblazers em periódicas atualizações. Levado para uma cave com promessas de poderes desmedidos, terá o protagonista de revelar os acrobatas dotes num roguelike de plataformas onde a ação, para além de desbragada, se coça de bichos-carpinteiros através de níveis gerados aleatoriamente, onde, no final de cada área – provavelmente, correspondendo a um ajuntamento daqueles – lhe espera um chefe final com estratégias de confronto únicas. 

Luzeiro 78

Mana Spark (Behemutt, Brasil) 

PC (Windows, OS X, Linux) – Primeiro trimestre, 2017

A dupla canarinha Ed Freitas (desenho de jogo, arte) e Douglas Oliveira (programação) não faz conceções ao seu roguelike, alardeando que o nível de dificuldade de Mana Spark se destina em exclusivo a durões de peito cheio e barba rija. A culpa tê-la-ão duas premissas, desembocando em quezílias de ferrenho pendor estratégico, a arma atribuída ao protagonista, arco – e correspondentes flechas -, e o primor incutido na elaboração da inteligência artificial oponente, para mais, esboçada em mecanismos de entreajuda e colaboração.

Luzeiro 78

Skipchaser (Ponywolf, Estados Unidos da América) 

PC (Windows, OS X) – Previsão de lançamento não divulgada

Depois de uma série de rendinhas em formato móvel e browser chega a vez do estúdio de Drake Cooper tentar a sorte nos computadores pessoais pela via comercial com Time Golf Squad e Skipchaser, versões insufladas de títulos originalmente concebidos em ambiente game jam, Wasteland Golf (2015) e The Mimic (2016) respetivamente. O que aqui nos traz, Skipchaser, caracteriza-se como shooter roguelike, movido pelo arco narrativo, tendo como características diferenciadoras a geração aleatória de inimigos, assegurando diversos milhares, sistema de assemblagem de armamento e equipamento defensivo através de módulos e estrutura de escaramuças baseada em ataques elementares, logo, no delicado jogo entre vantagens e óbices conferidos pelos três estados, fogo, gelo, nuclear.

Luzeiro 78

Soulblight (My Next Games, Polónia) 

PC (Windows) – Previsão de lançamento não divulgada

Saltando à vista as negras tonalidades do enquadramento cénico e a incomum, para o subgénero, perspetiva aérea, embrenhando-nos um pouco mais no exercício iniciático do coletivo formado por Jakub Lisiński (desenho de jogo, programação), Konrad Pawlus (desenho de jogo), Witold Trzcionka (arte), Jerzy Zalewsk (narrativa) e Jakub Gawlina (composição musical, desenho de som) deparamos com uma jornada de desmistificação dos segredos contidos n’ O Templo, lugar perdido nas eras onde uma árvore mística floresceu prometendo maravilhas a quem beba de sua seiva. Porém, a ser lembrada, sê-lo-á a obra pelo Sistema de Mácula baseado no desbloquear de perfis de habilidades consoante as decisões tomadas no périplo, funcionando como representação da personalidade do herói controlado, mesmo que à custa de chancelas menos abonatórias como alcoóltrada ou covarde. 

Luzeiro 78

Twin Flames (Fat Panda Games, México) 

PC (Windows, OS X, Linux) – novembro, 2017

O estúdio responsável por Flat Kingdom (2016), de Gerardo García (direção de projeto), Gustavo Monforte (direção de programação), Sergio Ortiz (animação), Jose Acosta (arte), Hernán Ojeda (arte), José Maldonado (programação) e Wilhem Bates (programação), tem cinco rendinhas anunciadas em processo de desenvolvimento, entre elas o misto de ação e plataformas com elementos roguelike que responde por Twin Flames. Contando com a particularidade da escolha inicial de personagens, entre Joachim, Deus do Sol, e Boaz, Deusa da Lua, não só refletir dois diferentes estilos de jogo, mas, igualmente determinar pelo inverso o oponente a derribar no cume da Torre do Tempo, outro empecilho levantar-se-á no esboroar dos segundos do trajeto até lá, significando a demora drenagem dos poderes do eleito e consequente supremacia régia da némesis. 

Luzeiro 78

Hajam lambareiros! A quantidade e qualidade do atual número de representantes saliva por outra fatia do bolo dos roguelike a mastigar prazerosamente na semana próxima. Até lá, bons jogos.

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