Marco Gomes por - Dec 24, 2016

Luzeiro do Escondidinho – Episódio 79

Com uns quantos relegados para calendas outras, provando uma vez mais o que por aqui se vem dizendo quanto à vitalidade atual do subgénero, comemora-se a época natalícia acompanhados desta sortida dezena de representantes roguelike, com votos do melhor desejável para todos no universo, incluindo assim também o senhor extraterrestre.

Luzeiro 79

Badass Hero (Awesome Games Studio, Polónia) 

PC (Windows), PlayStation 4 e Xbox One – Data a confirmar, 2017

Com uma intitulação destas outra coisa de esperar não seria do mais recente projeto dos criadores de Yet Another Zombie Defense (2010), Avatar Fantasy RPG (2011), I, Zombie (2011) e Oozi: Earth Adventure (2013), Andrzej Pasiński (arte, animação, desenho de jogo) e Marcin Draszczuk (programação, desenho de jogo), do que uma experiência de ação desabrida.

Porém, o tempo da pureza na essência dos géneros já lá vai, dando-se o universo de banda desenhada que sustenta o imaginário proposto por Badass Hero como run and gun, de raio de disparo a 360 graus, usufruindo de elementos roguelike como níveis gerados de forma aleatória e morte permanente, se bem que, não castrando a evolução da personagem jogável, nomeadamente, através da costumização de equipamento.

Luzeiro 79

Death Story (Team Neko, Estados Unidos da América) 

PC (Windows, OS X, Linux) – Quarto trimestre, 2017

Após uma menos bem-sucedida campanha no Kickstarter decidiu Ryan Hansen dar férias a Death Story espairecendo através de um novo projeto de curta duração, esperando-se que tal não seja pretexto para abandonar em definitivo o desenvolvimento daquele reconhecidas que lhe são satisfatórias credenciais.

Influenciado por Cave Story (2004), Spelunky (2008), Metal Gear Rising (2013) e a série Dark Souls, remonta-nos para séculos de picardia entre a raça humana e uma ordem sobrenatural denominada Major Arcana tendo como herdeira Morte, uma menina munida de gadanha com a habilidade de estagnar o tempo permitindo retalhar com precisão os oponentes. A estrutura jogável que espera a protagonista, mesclando elementos metroidvania, roguelike e bullet hell, acomodará mais de uma centena de recursos usáveis, entre itens e peças de armamento, sistema aquisitivo de habilidades baseado em ganho de experiência e perda das mesmas encaixando dano em excesso, assim como, um elenco de mais de vinte ferozes chefes em final de secção.

Luzeiro 79

Holy Potatoes! We’re in Space?! (Daylight Studios, Singapura) 

PC (Windows, OS X, Linux) – Quarto trimestre, 2016

Não contentes com o comércio de armamento rasteirinho, preparam-se as vivificadas batatas de Holy Potatoes! A Weapon Shop?! (2015) – aparecidas no episódio onze – para dar um cósmico passo às solanáceas transportando Cassie e Fay para o espaço com a missão de resgatar o avô Jiji.

Todavia, a nova obra do coletivo liderado por Don Sim a editar com chancela Daedalic Entertainment não o faz sem a grandiloquência das aventuras prometidas por um universo aleatoriamente gerado onde os perigos assumem a forma de naves espaciais tamanho cachalote atafulhadas de armamento e más intenções. As épicas batalhas travadas por turnos representam o culminar do processo contínuo de aprimoramento do cargueiro orbital a nosso comando, com incidência nas centenas de possibilidades permitidas pelo sistema de pesquisa e confeção de nova tecnologia, sem descurar a gestão da tripulação e o papel vital dos engenheiros em todo o bom funcionamento do ecossistema. 

Luzeiro 79

Pixel Princess Blitz (Lanze Games, Coreia do Sul) 

PC (Windows, OS X, Linux) – Quarto trimestre, 2017

A equipa liderada por Hepari (desenho de jogo, direção artística, escrita) convoca à rubrica um representante asiático do subgénero onde não falta para agraciar o combate hack n’ slash e esquema de progressão no mapa baseado em jogo de tabuleiro o típico universo de fantasia medieva e quiduxo visual de personagens, bem ao gosto de tais latitudes.

Apostado numa forte componente narrativa com inúmeras decisões, incluindo de índole romântica, a serem tomadas pelo jogador ao longo da jornada de Kuruna para apaziguar querelas entre as várias fações do reino, prometendo desembocar num robusto lote de finais, estrutura-se Pixel Princess Blitz na experiência de sobrevivência da protagonista por inclementes áreas de geração aleatória com ciclo de rotação solar, sistema meteorológico dinâmico, necessidade regular de descanso e ajuizada gestão de recursos.

Luzeiro 79

Airheart: Tales of broken Wings (Blindflug Studios, Suiça) 

PC (Windows, OS X) – verão, 2017

Regressam os criadores de First Strike (2014) e Cloud Chasers (2015), Moritz Zumbühl (direção de projeto), Jeremy Spillmann (desenho de jogo), Frédéric Hein (modelação tridimensional, animação), Michael Müller (desenho de jogo, programação) e Olga Dwornik (logística), com o mais inusual enquadramento do lote convocado. Disponível desde outubro passado em acesso antecipado, continua Airheart: Tales of broken Wings o trajeto de vida de Amelia, protagonista juntamente com o pai, Francisco, de Cloud Chasers, finalmente chegada ao destino desejado, Above, cidade nas nuvens a esmorecer-lhe expetativas, mas, com sacrifício, abrindo paulatinamente horizontes através do perigoso ofício de pesca com arpão em aeronaves.

Luzeiro 79

Fara and The Eye of Darkness (Spaceboy Games, Estados Unidos da América) 

PC (Windows, OS X, Linux) – Previsão de lançamento não divulgada

Zack Bell (programação), criador de INK (2015), anunciou juntamente com os restantes membros do Spaceboy Games, Sandy Gordon (arte), Fellipe Martins (arte concetual) e Vincent Rubinetti (composição musical, desenho de som) terem dado férias a termo indefinido ao desenvolvimento de Fara and The Eye of Darkness para se dedicar a um projeto de cariz mais imediato, HackyZack. Atendendo ao potencial, fica a esperança de que breve seja a ausência de produção ativa para a aventura com elementos roguelike baseada no colecionismo e utilização de cartas de ação que acompanha a jornada da pequena bruxa Fara na erradicação de uma misteriosa fonte de corrupção que o mundo consumiu, incluindo sua família.

Luzeiro 79

Gloom (Aleksi Sirviö, Finlândia) 

PC (Windows, OS X, Linux) – primavera, 2017

Contando com prestimoso contributo de Valtteri Hanhijoki na composição musical, oferece-nos Aleksi Sirviö um título de ação de deslocamento lateral tendo como influência para o “metódico” e “reativo” sistema de combate a série Dark Souls, mas, igualmente reflexos do imaginário de H.P. Lovecraft na construção narrativa que sustenta toda a experiência através da tentativa de recuperar páginas extraviadas do Necronomicon. A quota parte devida aos roguelike chega pela randomização de conteúdo, com óbvia incidência na geração das secções jogáveis.

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Jupiter Hell (ChaosForge, Polónia) 

PC (Windows, OS X, Linux) – novembro, 2017

O coletivo formado por Kornel Kisielewicz (programação), Łukasz Śliwiński (direção artística), Ewa Labak (arte concetual), Darren Grey (desenho de jogo, escrita), Marek Rybak (suporte técnico) e Roland La Goy (composição musical, desenho de som) introduz a estes dois episódios dedicados aos roguelike seu mais visceral representante, na peugada do anterior labor, DoomRL (2002). Para o almejar enviaram Jupiter Hell para o espaço, mais concretamente, para um universo inspirado na ficção científica dos anos noventa onde um fuzileiro espacial terá sozinho de despachar um ininterrupto caudal de demónios através do clássico esquema tático por turnos com deslocamento em grelha.

Luzeiro 79

Rogues Like Us (oddByte, Estados Unidos da América) 

PC (Windows, OS X) – Primeiro trimestre, 2017

Elan Gleiber (direção de projeto), Patrick Williams (programação), Scott Holzknecht (programação, arte), Chris Ulrich (arte, desenho de jogo), Zach Klegon (arte, animação), Kyle Brown (desenho de níveis) e Prin Keerasuntonpong (composição musical, desenho de som) contam-nos a estória de um proscrito numa remota ilhota que, para ver em si restituída a confiança do clã e consequente regresso ao lar, terá de empunhar uma poderosa fonte de poder guardada por incontáveis perigos. Inspirado em The Binding of Isaac (2011) e Bastion (2011) revolve a estrutura hack n’ slash de Rogues Like Us em torno do armamento, servindo cada morte do jogador para amplificar a devastação proporcionada pelo equipamento ofensivo no ciclo seguinte.

Luzeiro 79

Teddy Terror (Rage Monster Games, Holanda) 

PC (Windows) – Previsão de lançamento não divulgada

Surgida embrionariamente enquanto participação num game jam e desde maio de 2015 disponível em acesso antecipado, caracteriza-se a rendinha de Gianni Bakkes com colaboração na composição melódica e desenho de som de Nick van Kleef e Ruben Bergshoeff como enésima revisitação ao universo dos pesadelos de infância tendo por base uma estrutura jogável em que, através de postura ativa ou passiva, para garantir a sobrevivência da infanta personagem e seu urso de peluche deverão os jogadores tirar partido dos perigos contidos no ambiente circundante para eliminar inimigos que teimam em persegui-los.

Luzeiro 79

Não se faz a despedida ao tronco donde brotaram as ramificações abordadas nas semanas últimas sem a contemporanização dos primórdios em tabuleiro e sua posterior conversão ao formato de cartas colecionáveis. Até lá, bons jogos.

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