Marco Gomes por - Dec 31, 2016

Luzeiro do Escondidinho – Episódio 80

Já é um avanço. Ensacados originalmente no episódio trinta e três, garantem, desta feita, os títulos inspirados em jogos de tabuleiro e de cartas colecionáveis distribuição separada, embora em tosca divisão devido ao esbatimento de fronteiras.

Até pela referência ao berço do género que iniciou esta longa série de tomadas de vista, Role Playing Game, começa-se, entre o saudosismo e a vanguarda, com o apanhado sobre o que a digitalidade prevê para os mundos de cartão e plástico subjugados à profetização dos dados.

Quis o calendário que os caminhos do Luzeiro se cruzassem com as mais arreigadas festividades, pelo que, se renovam os votos da semana passada para o ano que hoje dealba. Erguei os corpos exauridos pelo sarapateado das badaladas e vamos a eles. 

Luzeiro 80

Galaxy of Pen & Paper (Behold Studios, Brasil) 

PC (Windows, OS X, Linux) – Data a confirmar, 2017

A coincidência é a estação de todos os encontros. Faz-se o cortar da fita a 2017 com um dos estúdios que inaugurou a rubrica, concretamente, o fundado por Saulo Camarotti, lá apresentando Chroma Squad (2015), à época o mais imberbe descendente da linhagem que viu botar corpo Monster Jam (2012), BitBit Machine (2013), The Story of Choices (2013) e esse objeto de culto que responde pelo nome de Knights of Pen & Paper (2013).

Mais do que sequela deste último, que até existe pelas mãos do Kyy Games, define-se Galaxy of Pen & Paper como transposição de seu conceito para o espaço, despojando-se do clássico ambiente de fantasia medieva. Dito isto, espera-nos um Role Playing Game por turnos com a particularidade de simultaneamente encarnarem o papel de jogador e mestre de jogo, entidade surgida no género em tabuleiro com a finalidade de fazer cumprir regras e narrar situações vividas pelos participantes em disputa. O novo enquadramento permitirá o espojar da ambição introduzindo coordenadas como estórias de múltipla decisão, escolha de raças e classes baseadas na ficção-científica, batalhas de curso lateral, viagens espaciotemporais ou exploração planetária. 

Luzeiro 80

Lightseekers Awakening (PlayFusion, Inglaterra) 

PC (Windows, OS X) e Plataformas Móveis (Android, iOS) – março, 2017

Sendo picuinhas dificilmente se encaixaria o título do coletivo multidisciplinar fundado por Mark Gerhard, David Gomberg, Rican Hodgson e Justin Heimberg num qualquer episódio temático do Luzeiro. Ainda assim, permite a benevolência abrigar-se debaixo do teto dos títulos de tabuleiro enquanto aventura de refrega com elementos Role Playing Game sustentada na interação com figuras de ação – fabricadas pela TOMY – e cartas colecionáveis através de experiência multimédia em larga escala envolvendo tecnologia de realidade aumentada, vídeo e banda-desenhada.

A descoberta dos segredos que o passado do planeta Tantos encobre, nomeadamente relacionados com o desaparecimento da raça ancestral Colossi, servirá de pretexto para insuflar Lightseekers Awakening novidade no cada vez mais congestionado segmento dos videojogos coligados com avatares reais, não só pela sintomatologia destes aos acontecimentos ocorridos no mundo virtual, expelida em luz, vibração e som, como também a hipótese de lhes acoplar armamento e módulos de voo imediatamente reconhecidos pelo software, tudo sem necessidade de recurso ao tradicional portal. 

Luzeiro 80

Warbands: Bushido (Red Unit Studios, Rússia) 

PC (Windows, OS X) e Plataformas Móveis (iOS) – primavera, 2017

Planeado enquanto entrega primeira de uma série devotada a várias temáticas e tempos históricos, introduz Warbands: Bushido o coletivo de Dmitry Parshkov (direção técnica), Konstantin Slepchenkov (arte), Eugene Izotov (direção de programação), Eugene Pyrch (modelação tridimensional) e Nikolay Teplyakov (programação), juntos pelo afeto a títulos de tabuleiro, o que os levou a abdicar dos anteriores postos laborais abraçando o compromisso de ao género se dedicarem de corpo inteiro.

Disponível desde finais de novembro em acesso antecipado, como o subtítulo não deixa enganar transporta-nos a obra para o Japão feudal, concretamente ao período Sengoku, através de campanhas inspiradas nas séries Final Fantasy Tactics e Valkyria Chronicles, mas, como é óbvio enquanto ponto alto da estirpe, igualmente para mapas multijogador, de talha isométrica, em que a estratégia por turnos se sublima no colecionismo e correta utilização de miniaturas, previstas mais de cem entre unidades rasteiras e heróis, e cartas de ação.

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Wartile (Playwood Games, Dinamarca) 

PC (Windows, OS X), Plataformas Móveis (Android, iOS) e Consolas por anunciar – Previsão de lançamento não divulgada

Mais papista que o papa oferece o projeto de Michael Rud Jacobsen (direção artística), Jens-Emil Vejgaard Kristensen (programação), Chris Ebeling (animação), Kaushik Saha (arte tridimensional), Iulian Drug (suporte técnico) e Simon Holm List (composição musical, desenho de som) a minuciosa recriação digital de um título de estratégia de tabuleiro segundo visualização em diorama.

O enquadramento medieval-fantástico a lhe dar corpo verter-se-á na cultura e mitologia Viking da primeira campanha planeada onde será possível expandir possibilidades táticas arrebanhando novas miniaturas, para além do mais, oferta existindo de a cada unidade costumizar equipamento ofensivo, defensivo e leque de habilidades especiais. Se tudo o mais falhar resta deitar mão a favores divinos ativando cartas de ação por um definido número de Pontos de Batalha, angariado na execução de objetivos paralelos em cada mapa de jogo.

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Chessaria: The Tactical Adventure (Pixel Wizards, França) 

PC (Windows, OS X, Linux) – maio, 2017

Visto por Matthieu Baldy (produção, desenho de jogo), Sevan Kessisian (narrativa, desenho de jogo), Dan Bojan (direção de programação), Paul Szanto (programação), Dado Almeida (arte concetual) e Ben Rawles (composição musical) é o jogo de tabuleiro por excelência, xadrez, terreno fértil para semear o imaginário fantástico inspirado por Hearthstone: Heroes of Warcraft (2014) e as séries Final Fantasy Tactics e The Legend of Zelda. A condimentar a fórmula tática clássica, para além do Modo Aventura acompanhando os esforços de Fidael na libertação dos amigos após súbito ataque ao mundo de Chessaria por parte de uma força misteriosa, estarão inéditos preceitos como um sistema de missões assignado a cada partida, casas com propriedades especiais e combates contra chefes finais.

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Popup Dungeon (TripleBTitles, Estados Unidos da América) 

PC (Windows, OS X, Linux), Plataformas Móveis (Android) e Wii U – Previsão de lançamento não divulgada

O estúdio familiar de Courtney Dryere (arte), Enrique Dryere (desenho de jogo) e Paul Dryere (programação), criadores de Ring Runner: Flight of the Sages (2013), regressa com “a versão cartonada de um jogo de tabuleiro enfeitiçado” onde, através de estrutura dungeon crawler com elementos roguelike e sistema de refrega por turnos, será aos jogadores possível criar o armamento, habilidades, personagens e inimigos que a imaginação ditar (e o mecanismo de edição permitir).

Luzeiro 80

Quantum Quest (Quantum Goose, Espanha) 

PC (Windows, OS X) – Primeiro trimestre, 2017

Uma constatação desembocada em curiosidade prende-se como o facto da generalidade dos estúdios espanhóis aparecidos no Luzeiro provirem de Valência, assim sucedendo igualmente com o trio formado por Ferran Quiles (desenho de jogo, programação), Carlos NCT (desenho de jogo, arte) e Microtono (desenho de som). O novo projeto dos criadores dos títulos para formato móvel Parchis HD8 (2014), Parchis HD (2015) e Game of the Goose HD (2015) leva-nos para o futuro longínquo, ano 3241, onde um planeta depauperado divide os cidadãos entre os que habitam a zona baixa ou alta das metrópoles, cabendo ao jogador o papel de membro de um grupo de “assassinos legais” contratado para lavar a roupa suja da classe privilegiada.

Luzeiro 80

Sumer (Studio Wumpus, Estados Unidos da América) 

PC (Windows, OS X, Linux) – Data a confirmar, 2017

Propõe-nos o estúdio de Misha Favorov (desenho de jogo), Sig Gunnarsson (desenho de jogo), Josh Raab (desenho de jogo), Geoffrey Suthers (desenho de jogo), Adam Alexander (arte), Jet Landis (arte) e Neil Quillen (composição musical) um jogo de tabuleiro digital para até quatro participantes com desenvoltura em tempo real. Localizado na civilização suméria, passa o objetivo de cada interveniente na qualidade de nobre com pretensões de ascensão ao trono, ganhar os favores da deusa Inanna através do sacrifício do maior número de cordeiros, angariados na correta gestão do suor dos subalternos. 

Luzeiro 80

Antes de avançar para o episódio relativo a videojogos de estratégia baseados em cartas colecionáveis surge um apeadeiro cronológico convidando a encostar para deitar contas aos lançamentos de humildes meios ocorridos nos dois últimos meses do ano hoje destituído. Até lá, bons jogos.    

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