Marco Gomes por - Jan 21, 2017

Luzeiro do Escondidinho – Episódio 83

Que se não tome por bizarria arbitrária a atribuição à presente entrega das chaves de abertura a 2017, visto que, as três anteriores, acrescidas da paralela “Maiorais 2016”, associadas estavam ao planeamento do ano caducado. 

Assim, presenteia-se o simbolismo da nova etapa com um exercício semelhante ao do episódio trinta e nove, surgido após interregno de meses, com um alinhamento desfasado de carga temática tendo como preocupação una arejar do mofo maravilhas que às traças tem revelado somente o fundo do baú do Luzeiro. 

Pes Mou Mia Lexi, diga-me uma palavra em forma de pena, leve e serena.

Luzeiro 83

Antioch: Scarlet Bay (Midnight Mood Studio, França) 

Plataformas Móveis (Android, iOS) – 6 de abril, 2017

Lorris Giovagnoli (programação), Thomas Sandmeier (desenho de jogo), Nicolas Terlon (arte) e Michaël Peiffert (produção) juntaram-se a FibreTigre (desenho de jogo, escrita) para uma invulgar experiência narrativa cooperativa protagonizada por uma parelha de detetives, um por jogador, incumbidos de deslindar na metrópole de estética neo-noir conhecida como Antioch um macabro homicídio.

A editar pelo Mi-Clos Studio, sem surpresa de maior visto ser FibreTigre uma das caras metades da equipa responsável pela chancela Out There, muitas lhe serão as peculiaridades como a repartição por curtas sessões ao longo do dia, recebendo jogadores notificações para o desenvolvimento da estória, sistema de troca de mensagens dentro da própria aplicação ou deriva do guião consoante o rumo investigativo, sendo que, asseguram os autores, apresentará a obra elevado grau de profundidade nas opções de diálogo e decisões ligadas a acontecimentos jogáveis.

Luzeiro 83

Emporium (Tom Kitchen, Inglaterra) 

Plataformas a anunciar – Data a confirmar, 2017

Passou Tom Kitchen pelo Luzeiro na chamada de atenção feita a {adam} aquando do episódio sessenta e quatro, na altura sob ombreira Blind Sky Studios, ou seja, o duo que mantinha com Lee Lucas Russell, coadjuvados por Richard Jackson na composição musical. Voltando a recorrer aos préstimos deste, tenta Kitchen tirar carta de valente aventurando-se na nova empreitada com dupla função de artista e programador quando antes só a primeira figurava nos créditos.

Descreve-se sucintamente Emporium como curta videojogável minimalista inscrita na crescente aluvião de experiências narrativas ficcionais interativas, baseando-se no entabular conversa de duas personagens desconhecidas entre si e situadas em extremos geracionais opostos, um jovem por volta dos doze anos e um ancião, pensar-se-ia, a cumprir os dias terminais na etapa de vida, não fora, encontram-se no Limbo vítimas de suicídio.

Luzeiro 83

Forgotton Anne (ThroughLine Games, Dinamarca) 

PC (Windows), PlayStation 4, Xbox One – Data a confirmar, 2017

O Reino do Esquecimento é composto por criaturas originadas na essência de objetos que anseiam ser recordados, nele tem Anne incumbência de zelar pela ordem, precipitando-se o argumento quando uma rebelião atenta contra a possibilidade da heroína e seu mestre, Bonku, regressarem à carne no mundo humano.

Assim dá mote o coletivo fundado por Alfred Nguyen e Michael Godlowski-Maryniak a uma aventura bidimensional cinemática combinando plataformas e quebra-cabeças. Ostentando como traço identitário a desenvoltura com que funde sequências jogáveis com as de transição, homogeneizando o conjunto na aparência de ininterrupta fita animada, passará muito da estrutura jogável por mecânicas associadas ao uso de Arca, runa capaz de manipular Anima, energia envolvente contida na maquinaria e criaturas deambulando pelo mundo de jogo.

Luzeiro 83

Hellhunter (Ballistic Interactive, Austrália) 

PC (Windows, OS X, Linux) – Previsão de lançamento não divulgada

Ínvios caminhos são os da procura de financiamento público, que o digam Ariel Chai (arte) e Pete Skyking (programação, desenho de som) ao verem ficar curta a meta financeira base estipulada no Kickstarter para o prometedor role playing game de investigação sobrenatural, Hellhunter. Dita seja a verdade, razoável fora o valor pedido, todavia, cometeram um erro de palmatória utilizando referência cambial materna, dólar australiano. Regra geral, moedas de menor cotação que as do padrão transacional, como foi o caso, conduzem a desvios percecionais de inflacionária índole nos potenciais financiadores.

Deitado para lides de caçador freelancer de espectros devido a atormentado acontecimento que o colocou entre suicídio e homicídio da família, terá o protagonista na vasta gama de recursos o maior aliado nas duas fases que compõem o desfiar da estrutura jogável. À de investigação adstritos ficam meios como lanterna, óculos de visão noturna e termal, rastreadores de emissões eletromagnéticas, detetores de fluxo paranormal, sais de prata oxidados ou badalos, mas, em combate menos se não mostram através de profuso armamento dividido por classes, opções de consumíveis como projéteis ultravioleta, nitrato de prata ou perfuradores de armadura, granadas e armadilhas de múltiplo propósito. Se tudo o mais falhar, sobra sempre a alternativa de algures se esconderem enquanto a tormenta amaina. 

Luzeiro 83

Lost Words (Fourth State, Inglaterra) 

Plataformas a anunciar – Data a confirmar, 2017

Ao criador solitário que sustenta o Fourth State, Mark Backler (desenho de jogo), juntaram-se-lhe Ross Burt (arte), Tomas Normand (programação), Joe Brammall (composição musical) e, mais recentemente, a guionista de, entre outros exemplos a serem dados, os mais recentes capítulos da série Tomb Raider, Rhianna Pratchett. Alheio não sendo o facto à importância que as palavras possuem no conceito e estrutura jogável por detrás de Lost Words.

Tendo um diário como móbil cénico para plataformas de quebra-cabeças, dizer será quase escusado, movidas pela narrativa, baseia-se a missão atribuída aos jogadores na mecânica que permite rearranjar texto concedendo a determinados termos funções inéditas como parte de escadarias ou pontes que permitam a progressão do autor dos escritos. Paralelamente, usará este como subterfúgio para as dificuldades quotidianas um mundo de fantasia onde um cavaleiro se debate contra a escuridão através de manipulação do contexto nas palavras que o descrevem.

Luzeiro 83

Metaphora (Moonycat Entertainment, França) 

PC (Windows) – Previsão de lançamento não divulgada

A estória de LUX, uma pequena estrela caída num pequeno planeta de nome Metaphora e sua tentativa de regresso ao ambiente natural, dá o mote para a estreia do aglomerado gaulês constituído por Hervé Masseron – quando muitos usurpam o epíteto, eis um verdadeiro veterano da indústria creditado, por exemplo, no Rayman original de 1995 -, Magda Wydrzynska, Kevin Drure, Jérémy Duchesne, Quentin Vialade e Roxane Domalain.

Contudo, bem mais encabulado se propicia o enredo da aventura de exploração perante o mistério que do céu noturno tem esvaziado suas comadres e as chagas do astro onde tombou, murchando por ação perniciosa de maleita conhecida como NEOVIRUS. Como tudo anda ligado, reverdecê-lo conduzirá ao Sol, não são antes desimpedir do processo a burocracia através da capacidade conferida à protagonista de transformar a mortiça fauna e flora do local em sementes a serem plantadas em solo fértil, que, por sua vez, depois de espigadas em garbosas flores auxiliam a jornada de LUX emprestando-lhe seus poderes.

Luzeiro 83

Outreach (Pixel Spill Games, Inglaterra) 

PC (Windows, OS X) – Data a confirmar, 2017

Destas assolapadas metamorfoses têm os criadores de humildes meios, no caso de James Booth (produção), David Harrison (desenho de jogo) e Chris Jones (arte, programação) passando dos vívidos e joviais títulos a duas dimensões Blopathon (2014) e KatataK (2014) para um thriller conspirativo imerso em plena Guerra Fria combinando ambientes tridimensionais com sequências em vídeo.

A ficção histórica recua-nos para 1980 quando um cosmonauta soviético encarregue de investigar as causas de abrupta perda de comunicação com uma estação espacial militar se depara com o local em pantanas e completa ausência de tripulação. Misturando elementos especulativos com dados de apurada investigação, por exemplo, recriada foi a plataforma orbital partindo de referências de época, oferecerá aos jogadores Outreach uma experiência de gravidade zero onde a procura de pistas para deslindar o mistério se embaraça entre corredores claustrofóbicos e a perdição no espaço infinito caso não acauteladas sejam medidas de segurança explorando o exterior do complexo.

Luzeiro 83

Yonder: The Cloud Catcher Chronicles (Prideful Sloth, Austrália) 

PC (Windows), PlayStation 4 – Segundo trimestre, 2017

Não faz por menos o estúdio de Cheryl Vance, Joel Styles e John Northwood e atira logo à farta na estreia doando ao protagonista de sua aventura com elementos role playing game uma luxuriante, em dimensão e diversidade de fauna e flora, ilha de Gemea para explorar a bel-prazer em estrutura de mundo aberto com ciclos de luz solar e efeitos na natureza das diversas estações do ano.

Porém, como no melhor pano cai a nódoa, disfarça tal paraíso uma latente escuridão disseminada pelas terras de tendência a causar mais gravosos danos, cabendo ao pequeno herói através de uma jornada de autoconhecimento aliar-se aos nativos e a criaturas etéreas conhecidas como Sprites para combater a invisível maleita. A contribuição para o bem-estar da população local através da multiplicidade de tarefas paralelas como cultivar os solos, criar utensílios, cozinhar, pescar ou mesmo fabricar cerveja será justamente recompensada desde jeitoso alfobre de recursos transacionáveis até uma bela quinta.

Luzeiro 83

A rebentar pelas costuras, necessidade houve de distribuir parte do alinhamento do presente episódio no da semana vindoura, pelo que, sabeis à partida não faltar rico ajuntamento de surpresas. Até lá, bons jogos.

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