Marco Gomes por - Jan 28, 2017

Luzeiro do Escondidinho – Episódio 84

Das centenas de entradas que dão corpo à base investigativa da rubrica, à semelhança do alinhamento no episódio anterior, oito sortidas a este se convocam tendo como elo único muitas esperanças deixadas por seu processo de desenvolvimento, mesmo que, ainda em embrionárias etapas, corroboradas por registos multimédia mais exemplificativos que lustrosos.

Dai-lhes céu, dai-lhes ar, infinita liberdade de pássaros a esvoaçar

Luzeiro 84

Echo Lake (Capsule Three, Escócia) 

PC (Windows) – Previsão de lançamento não divulgada

Depois de  Wolcen: Lords of Mayhem, antes chamado Umbra, é a segunda vez que um título repete convocatória no Luzeiro como registo para a mudança de designação. Surgido originalmente na entrega sessenta e sete enquanto Observatorium, simbolizou o passo da recentíssima disponibilização em acesso antecipado, há dois dias, vinte e sete de janeiro, oportunidade para doravante ficar conhecido por Echo Lake.

A aventura de quebra-cabeças de odorífero sentido atmosférico acompanha a intrépida jornada de um menino de nove anos, Kit, por um universo mesmerizante combinando vida marinha com a de constelações através da exploração do misterioso lago que dá nome à obra com a ajuda, para além da barcaça, de um telescópio. Por sua vez, pescaria e controlo de organismos aquáticos permitir-lhe-ão expandir o leque de habilidades e destrancar inúmeros segredos encofrados pelo ecossistema.

Luzeiro 84

Foramina (Mr. Mead, Inglaterra) 

Plataformas a anunciar – Previsão de lançamento não divulgada

Nota prévia, como a intitulação do registo multimédia que acompanha este texto enganar não deixa, a primeira cena de teste corresponde, como podereis supor, a um estágio de desenvolvimento embrionário, tendo informação posterior revelado não ser já representativo, principalmente no campo visual, do modelo atual delineado por Tom Mead para sua surreal aventura de apontar e clicar.

Exemplo mais de empresa nascida de um ilustrador ansiando por dar vida interativa a suas criações, por ora, sobre Foramina o que sobra da curiosidade para com enquadramento cénico erigido a caneta e seu articulado sistema de animações, rareia em informação, limitando-se o criador a cingir o que a arte concetual e vídeos técnicos deixam antever, o protagonista, Mr. Mead, uma raposa antropomórfica mascarada “cujas motivações são misteriosas”, visita um mundo habitado por criaturas mecanizadas através de estrutura narrativa descompassada, pontuada por atos cinemáticos.

Luzeiro 84

Night Call (Monkey Moon + BlackMuffin Studio, França) 

PC (Windows, OS X, Linux), Plataformas Móveis (Android, iOS) – Previsão de lançamento não divulgada

Junta-se o criador de HarshQuad (2013) e Switch (2014) sob chancela Monkey Moon, Laurent Victorino (programação), ao estúdio de arte BlackMuffin de Sandra Fresquet e Matthieu Collangettes para, à semelhança de Antioch: Scarlet Bay aparecido na edição passada, nova investida gaulesa no crescente subgénero da experiência interativa narrativa pura, também aqui de veia criminal e estética noir.

Usurpando referências topográficas reais ao longo dos 105 Km de rodovia que compõem o mapa de jogo situado em Paris, assumiremos em Night Call o volante de taxista em horário noturno com macabra coincidência de ter sido a última pessoa a avistar muitas das vítimas de uma recente vaga de assassinatos, todas clientes da companhia que o emprega. Tentando ajudar a investigação policial, até por seu nome ao barulho estar metido, desenrolar-se-á a dinâmica jogável em conversas com passageiros do banco traseiro, definidos consoante escolhas e ações passadas do jogador, às quais se junta componente de randomização, buscando nos fragmentos de diálogo pistas que conduzam à identificação do criminoso.

Luzeiro 84

Mugsters (Reinkout, Finlândia) 

PC (Windows, OS X, Linux) – Data a confirmar, 2017

Conta Riku Tamminen que fez da montagem de carregadores de minério ganha-pão nos últimos oito anos, dedicando-se nas horas vagas à criação de títulos em plataformas móveis. Sua mais ambiciosa empreitada até ao momento, e tentativa de aglutinar outros mercados, no caso, dos computadores pessoais, poderá conferir-lhe independência financeira necessária para a tempo inteiro se dedicar ao meio, pelo menos, potencial de impacto a Mugsters não falta.

Descrito como quebra-cabeças de ação suportado por rigoroso comportamento físico, alocar-nos-á curiosa premissa, fugir de esferas alienígenas que com seus raios pulverizam o que pelo caminho aparece, salvar os camaradas aprisionados em cubas, e, completo todo esse processo, partir são e salvo num balão de ar quente. A inventividade do exercício reside na proposta de cada secção enquanto recreio para lidar com decorrências naturais de um ecossistema totalmente destrutível, tendo para rebater a ameaça extraterrestre o recurso imagético proporcionado na utilização e encadeamento de meios espalhados ao longo do espaço como viaturas e armadilhas.

Luzeiro 84

Pine (Twirlbound, Holanda) 

PC (Windows, OS X) – Quarto trimestre, 2018

Surgido enquanto contexto académico, o que levou o coletivo fundado por Marc Peyré e Matthijs van de Laar, criadores de With the Wind (2015), a ganhar o prémio de melhor projeto submetido por estudantes no Unity Awards 2016, assume Pine as vestes de role playing game de ação influenciado pelas séries The Legend of Zelda e Fable, mas, igualmente Shadow of Mordor (2014) e Bloodborne (2015).

Ao contrário do que se pensaria, o protagonismo atribuído a Hue, corajoso adolescente tido como um dos últimos humanos na ilha de Albamare, não passa de aparente, transitando para o ecossistema da região na implementação de conceitos emprestados a teorias evolucionistas e fenomenológicas ligadas à ecologia segundo dinâmica independente da influência dos jogadores. Mais do que experiência com forte cunho em elementos de sobrevivência, afirmando os criadores não se focar na necessidade premente de manter a personagem viva, caracteriza-se a obra como expansivo recreio pedindo adaptação constante às circunstâncias, regra aplicada a todas as criaturas locais e exemplificada na capacidade dos inimigos aprenderem movimentos padronizados de ataque contra eles desferidos. 

Luzeiro 84

Savior (Empty Head Games, Cuba) 

PC (Windows, OS X) – março, 2018

Propalado pela dupla Josuhe Pagliery (arte, desenho de jogo, escrita) e Johann Armenteros (programação) como primeiro título cubano de humildes meios, encaixa-se Savior na casta das plataformas bidimensionais de animação tradicional influenciadas por clássicos do género, no caso, referências 16 bits surgidas no fenecer dos anos noventa do século passado.

Seu guião fala-nos do aparente desaparecimento da entidade suprema conhecida por Grande Deus, e, com ela o colapso de um mundo onde civilizações várias enfrentam risco de extinção. Na qualidade de Pequeno Deus, um dos poucos seres capacitados a comunicar com a divindade, terá o protagonista de viajar por um universo em cacos na tentativa de a encontrar, esperança última face à eminente aniquilação do plano existencial. Serve a premissa narrativa para sustentar a característica verdadeiramente diferenciadora encontrada em Savior, como reflexo de seus mundos estilhaçados, assim adquirirá a estrutura jogável inesperados contornos a cada novo segmento, sendo para tal essencial o domínio de uma técnica baseada na atempada reação para interagir, quanto mais não seja ao tabefe, com outros seres.

Luzeiro 84

Somerville (Chris Olsen, Inglaterra) 

Plataformas a anunciar – Previsão de lançamento não divulgada

Pese o início de projeto em 2014, muito de penar terá Chris Olsen para levar suas plataformas cinemáticas em universo de ficção-científica por episódios até ao mercado, não o escondendo o vídeo de teste que acompanha a peça, menos ainda, o diário de produção contido no TIGSource, mostrando somíticos 10% no gráfico de evolução no desenvolvimento da obra. Seja como for, arrepanhando todos os bochechos de arte concetual, demonstrações técnicas e pequenas sequências animadas, argumentos a Somerville curtos não hão de ficar.

Uma invasão alienígena colocou o planeta Terra a ferro e fogo, conseguindo a humanidade rebater a ameaça muitos às custas de heróis acidentais como John Somerville. Sua estória é difundida anos volvidos em contexto de sala aula com a descrição dos acontecimentos feita pelo professor aos alunos a ser ilustrada na perícia dos jogadores ao longo de várias secções comportando maioritariamente sequências de fuga, ação furtiva e combate baseado em cadência rítmica. 

Luzeiro 84

The Girl of Glass (Oruji Productions, Suécia) 

PC (Windows, OS X, Linux), Plataformas Móveis (Android, iOS) – Segundo trimestre, 2017

Os criadores de Bliss (2014), Martin Petrini (arte personagens), Teo Mathlein (arte cenários), Lisa Angelini (escrita), Markus Oljemark (programação) e Fredrik Jonasson (composição musical), regressam com uma aventura de apontar e clicar fazendo uso de inusuais, para o subgénero, combates por turnos a fim de contar a estória da menina de vidro, Kristal.

Ambientando num ficcional país europeu em meados do século passado, começa a aventura quando a um desconhecido confessa a protagonista desejo de conhecer o mundo confinada que esteve desde pequena a um orfanato e, posteriormente, fazendo parte da trupe de circo de aberrações. Adensar-se-á o enredo do título previsto distribuir por episódios quando a capacidade da heroína em controlar a meteorologia se mostra obstáculo à altura das pretensões de The Eagle, tirano ditador obcecado em erigir um estado forte por intermédio da eliminação de todos quantos fujam ao padrão de normalidade vigente. 

Luzeiro 84

Depois da Aventura e Role Playing Game outra família se juntará à comandita. Trazei no próximo domingo vagar de sobra para o início do roteiro pelas principais capelinhas do género Ação. Até lá, bons jogos.

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