Marco Gomes por - Feb 4, 2017

Luzeiro do Escondidinho – Episódio 85

Tudo ao molho por aqui meteu a entrega quarenta e cinco no que respeita a discípulos da ação, regressando, desta feita, na condignidade de quem trata os filhos por igual, a todos chamando pelo nome próprio.

Ou seja, perfilar-se-á o género através de suas várias banquinhas, começando na remissão dos pecados feita para com uma das mais negligenciadas no Luzeiro, a dos atiradores na primeira pessoa, vulgo FPS (First Person Shooter).

Como aos durões bem assenta a cor da rosa oleando peitorais em virilidade manhosa.

Luzeiro 85

DESYNC (The Foregone Syndicate, Austrália) 

PC (Windows) – 28 de fevereiro, 2017

Pese meritório esforço de Yoni Bresley na composição musical, a DESYNC só falta a trilha sonora de Jean-Michel Jarre para encorpar totalmente a aura de ficção-científica dos anos oitenta do século passado, quando a estética geometrizada de néon refulgência fazia o imaginário de um futuro onde só quem em estilo mandasse ventarolas sobreviveria. 

A obra liderada criativamente por Travis Avery promete abordagem original aos mecanismos de combate promovendo risco e inventividade na exploração de sequências mortais envolvendo alternância de peças bélicas desenhadas para estilos vários de jogo, ou, seu entrosar quando aplicadas a ambas as mãos. Cada encadeamento único de ataques bem-sucedidos fica registado no códice digital da personagem, opção essencial para aportar dinâmica às picardias, mas, não menos importante, capacidade reativa face a oponentes usufruindo de propriedades específicas de ataque ou defesa, desfeiteadas somente no recurso às sequências de antítese correspondentes.

Luzeiro 85

Heathen (Frog Factory, França) 

PC (Windows) – Data a confirmar, 2017

Baseado no livro de H.G. Wells editado originalmente em 1896, A Ilha do Dr. Moreau, acompanha a obra da dupla Manu Lacoste (desenho de jogo, programação) e Piel Pielkor (arte, escrita, desenho de som) uma “besta”, misto de humano e animal pelo aludido cientista criado, tentando reclamar-lhe do jugo, e seu exército de aberrações, o torrão insular enquanto se debate por manter resquícios de humanidade.

Descurando a faceta desbragada do tiroteio, terão em Heathen os jogadores conduzir sua missão sem atentar contra o regulamento instituído por Dr. Moreau para o local, implicando uma estratégia proporcionada a diferentes situações envolvendo aprioristicamente exploração, compreensão de contexto, e, então sim, tomadas de decisão que em muitos casos hão-de passar pela abordagem sigilosa. Quando especialmente bicudos se mostrarem apuros, solta-se a fera adormecida da personagem em sequências de visceral recorte.

Luzeiro 85

Inner Chains (Telepaths Tree, Polónia) 

PC (Windows), PlayStation 4, Xbox One – Primeiro trimestre, 2017

A primeira empresa do estúdio fundado em 2014 por Tomasz Strzałkowski apresenta um distinto traço negro nada alheio à aventura de terror, ao qual se juntam elementos biomecânicos canibalizados pela decadente sociedade retratada em Inner Chains, lugar onde o protagonista procurará dar de frosques na senda de um plano mítico conhecido por, original à brava intitulação, Última Esperança. 

A obra prevista suportar tecnologia de Realidade Virtual, pese dispositivos específicos ainda por anunciar, dará estrelato ao ecossistema circundante na forma como dele tirará o jogador partido para rebater a animosidade do meio, não sendo mais prestável o armamento a contundir em descargas diretas do que na manipulação do contexto por interposto método de causar estragos. Aliás, espremer possibilidades no esmorecer de ameaças é condição sine qua non de sobrevivência em enquadramento deliberadamente opressivo, como demonstra a braveza dos inimigos, mas, antes mesmo dela, o raquítico sentido orientador, pretendendo criar a sensação de desnorte e constante ameaça.

Luzeiro 85

STRAFE (Pixel Titans, Estados Unidos da América) 

PC (Windows, OS X), PlayStation 4 – 28 de março, 2017

À onda de revivalismo que varre os videojogos não poderiam faltar os atiradores na primeira pessoa, louvando Thom Klündt e Stephen Raney a chacina desbragada que caracterizou os primórdios do género, ao ponto de à boca cheia alardearem não se ver nada tão visceral quanto STRAFE desde…1996, ano de lançamento de Quake.

Contudo, não renegam os autores bochechos de sofisticação, se assim chamar poderá ao cada vez mais exaurido recurso a elementos roguelike, através de morte permanente e geração randomizada de níveis, nela se incluindo salas, inimigos, ampliadores de armamento e segredos, para além de suporte à tecnologia de Realidade Virtual via Oculus Rift. Mas claro, as meninas dos olhos dos devotos são as ferramentas bélicas, cifrando-se aqui em mais de trinta, curiosamente, número acima do das diversas tipologias de esbirros onde as testar.

Luzeiro 85

Aquanox Deep Descent (Digital Arrow, Sérvia) V

PC (Windows) – Data a confirmar, 2017

O grande hiato temporal face à edição da primeira rendinha, inMomentum (2011), destapa as dificuldades de financiamento encontradas pelo estúdio de Norbert Varga, alijadas na mais recente iteração da série AquaNox, Deep Descent, pela mão estendida da THQ Nordic na publicação. Com a superfície do planeta Terra inabitável virou-se a humanidade para o fundo dos oceanos, muito não tardando para os pecados da espécie eclodirem em quezília de fações e delapidação dos recursos naturais. Assumindo os comandos de um veículo submarino de índole bélica, preciosos mostrar-se-ão morteiros, torpedos ou minas para desbaratar perigos urdidos na codícia cega dos Homens e outros escondidos pelo mar profundo. 

Luzeiro 85

Consortium: The Tower (Interdimensional Games, Canadá) V

PC (Windows, Linux), PlayStation 4, Xbox One – Primeiro trimestre, 2018

Não faz por menos o estúdio liderado por Gregory MacMartin alardeando que a segunda investida no universo Consortium (2014) far-se-á pela via de um género novinho em folha nascido do cruzamento de Deus Ex (2000) com o filme Assalto ao Arranha-Céus (1988). Na prática, localizará incidências num universo de ficção-científica em 2042, mais concretamente na “híper-futurista” Torre Churchill, cabendo ao oficial Bispo Seis averiguar os incidentes que conduziram a sua evacuação. Descrito como simulador na primeira pessoa, dará ao jogador liberdade total de ação em avenidas de combate, furtividade e/ou diplomacia, dela decorrendo impacto direto nas bifurcações do guião.

Luzeiro 85

Dad By The Sword (Rocketcat Games, Estados Unidos da América) V

PC (Windows, OS X, Linux) – Primeiro trimestre, 2017

Com nome surgido de trocadilho foleiro, está bom de ver não se levar Dad By The Sword muito a sério, algo que não espantará vindo dos responsáveis por Death Road to Canada (2016), embora, não de seu trio original, com exceção de Kepa Auwae como produtor, mas de uma equipa liderada criativamente por Chip Whiteman. Não se inscrevendo no segmento dos atiradores, mas sim, no dos espadachins na primeira pessoa, enfiará a personagem de nosso pai em masmorras aleatoriamente geradas esforçando-se por, em método tático sustentado por física realista, desarmar oponentes, retalhando-os em seguida. Com armas secundárias a conferir habilidades únicas e possibilidade de equipar ampliadores de poder, terão ondas incessantes de inimigos na arma assassina em que o progenitor se transformou desafio à altura.

Luzeiro 85

Diabotical (The GD Studio, Suécia) V

PC (Windows) – junho, 2017

Provinda de uma equipa geradora de conteúdo multimédia ligado aos desportos digitais (eSports), posteriormente desaguada em estúdio de videojogos encabeçado por James Harding, em obviedade se transformaria sua iniciática empresa como atirador na primeira pessoa competitivo. Procurando revitalizar o legado da velha-guarda como Quake (1996) e Unreal Tournament (1999), tentará Diabotical capitalizar a experiência do coletivo oferecendo “as melhores partes do género” através de modos clássicos e inéditos, em solitário ou equipas, milhentas opções de customização dos avatares, editor de mapas, suporte total na criação de mods e inúmeras ferramentas destinadas à comunidade.

Luzeiro 85

Sub Rosa (Cryptick Sea, Estados Unidos da América) V

PC (Windows, OS X, Linux) – Previsão de lançamento não divulgada

Uma das próximas extravagâncias do catálogo Devolver Digital, a disponibilizar em acesso antecipado algures durante o corrente ano, chega pelas mãos de Alex Austin, criador de Gish (2004) e uma série de rendinhas de experimental talha. Sub Rosa tenta refrescar a variante multijogador dos atiradores na primeira pessoa dando ampla, e toscamente delineada, metrópole onde os jogadores assumindo o papel de cidadão desempregado terão de requisitar faina junto de uma das quatro organizações criminosas que disputam a urbe. O que daí sucederá não carece de fértil imaginação, devendo as missões assignadas comportar airoso leque de malfeitorias e, quando bem-sucedidas, repasto para a conta bancária virtual.  

Luzeiro 85

VizionEck (VizionEck, Estados Unidos da América) V

PlayStation 4 – Previsão de lançamento não divulgada

Como se não bastasse equívoca partilha de intitulação entre obra e estúdio criador, reino de uma só alminha, Michael Armbrust, para aqueles lados desenvoltura também se não revela no cumprimento de prazos, falhado lançamento de VizionEck em finais de 2014 e sem fumo branco para tal concretização nas cercanias. Somado a tudo isso acresce o enigma sobre as fundações do exclusivo PlayStation 4 ambicionando redefinir mecânicas jogáveis dos atiradores na primeira pessoa de índole competitiva conjugando-as com visuais estilizados e de residual espetro cromático.   

Luzeiro 85

Muda a pessoa, da primeira para a terceira, mas garantias desde já aqui se deixam de não abrandar a adrenalina e o festival de morteiros no domingo vindouro. Até lá, bons jogos.

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