Marco Gomes por - Feb 24, 2017

Luzeiro do Escondidinho – Episódio 88

A adrenalina crescente em arraial de bujardas troca perninhas exauridas dos atiradores na primeira e terceira pessoa pelos propulsores de género tão vetusto como o meio em si, shoot ‘em up, num desses casos onde dificilmente se aplicará o conceito de copo meio cheio, meio vazio, a ele se torce nariz ou vira paixão assolapada.

Para tolerantes, dispostos a segundas oportunidades, mas, principalmente aos que comungam da religião, dez prendinhas aqui se desembrulham entre decalques e reinvenções, mais este segundo caso, à fórmula clássica.

Gratos a quem rebentamento vivaz trouxera como que antecipando fragância da Primavera

Luzeiro 88

Aaero (Mad Fellows, Inglaterra) 

PC (Windows), PlayStation 4, Xbox One – Primeiro trimestre, 2017

A debutante parelha constituída por Paul Norris (arte) e Dan Horbury (programação) bebeu do clássico Dreamcast, Rez (2001), recauchutado em grande forma para realidade virtual há pouco meses com Rez Infinite (2016), apresentando sua visão da, nem sempre estimada, linhagem dos shoot ‘em up sobre carris.

Combinando um sistema de controlo vezes muitas antes testado, manípulo esquerdo guia a pequena nave, direito o mecanismo de fixação de alvos, cenários estilizados de achegas néon e a imprescindível sinergia com a componente melódica, de dubstep talha, premiando-se a sincronização do ritmo de disparos com a batida de fundo, procura ofertar-se a experiência de forma intuitiva seja a esgueirar paredes em túneis claustrofóbicos ou derribando chefes finais em amplas planícies.

Luzeiro 88

Gemini_X (MixedBag, Itália) 

Plataformas a anunciar – Previsão de lançamento não divulgada

O estúdio fundado por Mauro Fanelli e Andrea Gellato, responsável por Futuridium EP Deluxe (2014), acabou de lançar, na passada quinta-feira vinte e três de fevereiro, Forma.8, contudo, tempo não tem para ficar de papo para o ar perante a anunciada sequela do primeiro, Futuridium Virtual Reality, e o retomar de um projeto há muito nas cogitações dos autores significando engenhosa aproximação aos shoot ‘em up de duplo manípulo.

Visualizando-se em perspetiva aérea com deslocamento vertical, foi Gemini_X buscar influência estética à animação japonesa dos anos noventa, simultaneamente, segundo os autores, prestando homenagem à produção arcada do período, para contar a estória dos gémeos Akai e Aoi na procura de vingança para com a raça alienígena que seu planeta dizimou. Na prática, distribuir-se-ão as naves por si controladas a cada manípulo, sendo os feixes de energia conectados gerando uma barreira letal aos oponentes em esquema exigindo mestria coordenativa nos movimentos de esquiva e pendor tático no posicionamento dos vaivéns consoante a necessidade de operar o mecanismo de ataque.

Luzeiro 88

Jetpack Squad (Vap Games, Rússia) 

PC (Windows, OS X, Linux) – Previsão de lançamento não divulgada

Uniu-se o criador de Intrusion 2 (2012), Alexey Abramenko (programação, desenho de jogo, animação), a Aleksandr Nikonov (arte) para um shoot ‘em up de deslocação lateral onde os méritos plásticos se aliam à curiosa mecânica de em tempo real trocar a personagem controlada.

Às costas levando uma versátil mochila propulsora, permitindo deslocações, e mesmo drásticas mudanças de direção, em acalentada vertigem, levará superior, tomando quejandos como termo de comparação, interatividade com cenário envolvente e especificidade de debaste dos oponentes, em hierarquia de eficácia, a que tenham prontamente os jogadores responder com critério na escolha de herói e armamento adequado a cada situação, ao qual acresce a óbvia competência de desempenho que lhe terá de estar associada.

Luzeiro 88

X-Morph: Defense (EXOR Studios, Polónia) 

PC (Windows), PlayStation 4, Xbox One – Quarto trimestre, 2017

Depois de Zombie Driver HD (2009) passa o estágio evolutivo seguinte para o estúdio liderado por Wojciech Lekki e Pawel Lekki por inconvencional receita mesclando shoot ‘em up de perspetiva aérea com a componente estratégica dos tower defense através de, também ela, nada usual premissa dando ao jogador comando de raça extraterrestre fixada em delapidar recursos do planeta Terra, mesmo perante oposição de incansáveis bátegas oponentes.

Consubstancia-se o exercício numa fase primeira de planeamento baseada no analisar de unidades contrárias convocadas a cada segmento, definindo com tais dados um sistema defensivo capaz de amenizar estragos à maquinaria de extração. Findo esse processo, ativa-se a poderosa nave espacial bélica que intitula a obra com a funcionalidade de se metamorfosear em quatro tipologias especializadas de ataque. A abrilhantar o conjunto estará um complexo e realista sistema de destruição dos cenários com implicações na estratégia a adotar durante as várias fases do conflito.

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Dimension Drive (2Awesome Studio, Holanda) V/

PC (Windows, OS X, Linux) – Previsão de lançamento não divulgada

O fartote de avarias ao perfil histórico do género prossegue com a segunda empreitada, após Energy Rush (2014), do estúdio criado por David Jimenez (direção desenho de jogo) e Alejandro Santiago (direção programação), aos quais se juntam Max Heyder (direção artística), Munise Sertel (arte sequências animadas), Stanislav Botev (interface, menus), Delfo Pinto (arte bidimensional), Jose Mora (composição musical) e Daniel Polman (desenho de som). Disponibilizado em acesso antecipado na semana passada, dezasseis de fevereiro, funde Dimension Drive shoot ‘em up de deslocação vertical com quebra-cabeças dividindo pela metade o ecrã de batalha em independente guião de acontecimentos sustentado por mecanismo de teletransporte entre as duas áreas.

Luzeiro 88

Drifting Lands (ALKEMI, França) V/

PC (Windows, OS X) – Data a confirmar, 2017

Chegada a versão em acesso antecipado ao mercado no primeiro mês do ano, estima a equipa de Alain Puget (direção criativa), Christophe Zerr (arte, desenho de jogo), Guillaume Dabriou (arte, programação), Kevin Struillou (direção programação), Dimitri Chappuis (direção artística) e Louis Godart (composição musical) necessitar de cerca de outros quatro para apresentar o invólucro final de sua inaudita junção de shoot ‘em up de deslocação horizontal e hack ‘n’ slash onde as missões randomizadas abrigam cem níveis de dificuldade esperando serem escalados com a ajuda de setenta poderes, entre ativos e passivos, para as três classes de belicistas vaivéns. 

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Hyper Sentinel (Four5Six Pixel, Inglaterra) V/

PC (Windows, OS X, Linux), Plataformas Móveis (Android, iOS) PlayStation 4, Xbox One – julho, 2017

Na maioria dos capítulos do Luzeiro deu algum convocado bom uso à expressão “ser mais papista que o papa” guiando-se fervorosamente pelas fundações do género onde se inscreve, papel que no caso presente fica destinado ao labor de Jonathan Port, Rob Hewson, Andrew Henson, Rob Fenn e John Ogden emulando, pese introdução de modernices como suporte 4K e 60fps, a têmpera de clássicos shoot ‘em up da década de oitenta do século passado como Tornado Low Level (1984), Uridium (1986), Sanxion (1986), Cybernoid (1987) ou Armalyte (1988).

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NIGHTHAW-X3000 (N94 Games, Polónia) V/

PC (Windows) – Primeiro trimestre, 2017

Volta à carga o criador de Top Hat (2014), Nikodem Szewczk, desta feita, com um shoot ‘em up de deslocação vertical de efeito de falsa tridimensionalidade através de cenário rolante piscando olho a clássicos arcada da década de oitenta, comungando, aliás, da homenagem global feita ao período na linha vintage “Miami” estampada em visuais de espectro cromático celeste, exceto em período noturno, e banda-sonora composta por projetos como VHS Dreams, Supersex420  ou Do Nothing Club. Para o saudosismo ficar completo recheia-se o pacote de insana dificuldade e opção de jogo cooperativo em ecrã dividido.

Luzeiro 88

Pawarumi (Manufacture 43, França) V/

PC (Windows, OS X, Linux) – Data a confirmar, 2017

A mecânica que permite adaptar o poder de ataque, ou condições a ele associadas, às vicissitudes despoletadas pelo enquadramento surge igualmente na proposta do quinteto formado por Alex Lutz, Charles Vernier, Daniel Borges, Greg Desmurs e Pierre Gilbert, colocando aos comandos do piloto conhecido por Axo uma nave abençoada pelas três entidades divinas presentes no mundo de jogo, Serpente, Condor e Jaguar, concedendo distinto trio de argumentos ofensivos capaz de causar efeitos secundários consoante o alinhamento dos oponentes, para além de sua combinação libertar um movimento disruptor varrendo do ecrã todos os pruridos.

Luzeiro 88

Riftstar Raiders (Climax Studios, Inglaterra) V/

PC (Windows), PlayStation 4, Xbox One – Data a confirmar, 2017

O histórico, mais pelo decano percurso iniciado em 1988 do que por seu calcetamento a quilate, estúdio britânico Climax quer também ao género aportar sua visão num projeto liderado por Marc Manuello de nome Riftstar Raiders focado na tentativa de contemporanização do mesmo. Tomando perspetiva aérea em deslocação livre, baseará a experiência na cooperação até quatro elementos, pelo menos, até estalar o verniz tentando açambarcar os despojos do compadre, elemento central ao robusto sistema de customização do vaivém a controlar num universo orbital de física realista, a possível em contexto ficcional. 

Luzeiro 88

Tudo que levanta tem de descer, mesmo na intermitência dos que arrenegam pés bem assentes no chão como os convidados da semana próxima, exemplares da rara linhagem run ‘n gun. Até lá, bons jogos.

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