Marco Gomes por - Apr 8, 2017

Luzeiro do Escondidinho – Episódio 94

Num tempo ignoto a parte significativa da audiência, anos oitenta do século passado, convencionou-se designar de beat ‘em up títulos de deslocação horizontal onde os protagonistas desancam com recurso a artes marciais a múltipla escumalha que lhes faz frente. 

Como o mais insistente e orgânico dos fenómenos temporais é o abandalhamento, quando se deu por ela também os títulos de combate um contra um em arena fixa assim eram classificados. Despistando equívocos e colocando os pontos nos iis, será o episódio consagrado aos verdadeiros descendentes de Renegade (1986), numa rapsódia do pandeiro onde todos consolados ficam arrochando como se fora no primeiro.

Luzeiro 94

Ape Out (Gabe Cuzzillo , Estados Unidos da América) 

PC (Windows), Consolas a anunciar – Verão, 2017

No baú de heterodoxias da Devolver Digital, como muitos antes o provaram, há sempre espaço para títulos de ação levados da breca, com o mais recente anunciado a chegar pelas mãos de Gabe Cuzzillo, autor que até aqui se conhecia, mas pouco, pelo título de combate e plataformas para dois jogadores em contenda, Foiled (2014).

Descrito como smash ‘em up, não vai a premissa narrativa de Ape Out além do que o título secamente deixa transparecer, controlando os jogadores um gorila em fuga num exercício que, contrariando as primeiras indicações, se rege mais pelo estilo do que pelo metralhar tresloucado de botões com o símio a fazer provar os agressores de seu veneno usando-os para atacar os companheiros ou como escudo. No mais brilhante apontamento técnico da epopeia pela liberdade, adaptar-se-á a banda sonora aos acontecimentos fazendo verdadeiramente jus à improvisação que caracteriza seu género musical.

Luzeiro 94

Delusional (CCD Interactive , Alemanha) 

PC (Windows, OS X, Linux) – Previsão de lançamento não divulgada

Inspirado por filmes como Oldboy (2003), Drive (2011) e John Wick (2014) ou jogos tão díspares entre si como Super Meat Boy (2010), Hotline Miami (2012) e Guacamelee (2013), outra coisa se não esperará da criação de, sumindo-se apelidos com exceção de um caso, Milad (direção de projeto), Ken (programação), Josh (arte personagens), Rob Hayes (arte cenários), Sean (arte concetual) e Will (desenho de som), do que rendinha tão eclética quão, piscando olho ao título, delirante.

Situado num só dia, vinte e seis de outubro de 1984, na cidade fictícia de Memnon, desfia-se o negro conto por detrás de Delusional quando a filha de um mafioso é assassinada às mãos do sindicato rival, procurando aquele vingança ao contratar um mercenário de nome Vagabundo, conhecido por conduzir um táxi. Combinando beat ‘em up, de acessível aproximação mas árduo domínio ao sistema de combate, até pelo desbloqueio de novos movimentos, e plataformas, adensar-se-á a trama narrativa pelos nove esconderijos que antecedem o confronto com o homicida quando o atípico protagonista se vê consumido por distúrbios mentais, vogando daí entre realidade e fantasia.

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Full Metal Furies (Cellar Door Games, Canadá) 

PC (Windows), Xbox One – Data a confirmar, 2017

Angariou prestígio suficiente com o bordado de estreia, Rogue Legacy (2013), o estúdio fundado por Teddy e Kenny Lee para, mesmo trocando de género, plataformas de ação com elementos roguelike por beat ‘em up por turnos, gerar compreensível expetativa face ao ensejo seguinte, intitulado Full Metal Furies.

Concebido como título de partilha até quatro participantes, mesmo que em jogo solitário a inteligência artificial se desunhe por garanti-lo com o mínimo de competência, recai a escolha de personagens na égide das classes Lutador, Atirador Furtivo, Sentinela e Engenheiro, devendo a complementaridade de suas habilidades ser posta à prova na exploração de um “mundo massivo” que nega a unidimensionalidade de seus pares na oferta de segredos, mitos e, a ver para crer na forma como se consubstanciará face à musculada estrutura de jogo, meta-quebra-cabeças. 

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Paprium (WaterMelon, Brasil) 

Mega Drive – 16 de Setembro, 2017

Com o ambiente natural do género nos tempos áureos a serem as máquinas arcada, com adaptações tolhidas para consolas das gerações 8 e 16 bits, mas, quer se queira quer não, delas regurgitando uma significativa parte dos jogadores recordações, não será sem grande surpresa, pelo menos para quem não vem acompanhando o novo projeto dos criadores de Pier Solar (2010), que se anuncia um novo título para Mega Drive a servir de concorrência à franquia exclusiva em formato físico nas consolas Sega, Streets of Rage.

Ouvindo os anseios saudosistas dos fãs decidiu o estúdio de Gwénaël Godde resgatar a glória esbatida da linhagem dando à plataforma seu mais robusto cartucho, 80-MEG, onde cinco personagens à escolha desancam a ralé de uma metrópole futurista, e conveniente suja para não desmerecer as referências, geograficamente situada entre Shanghai Tokyo e Pyongyang. Com suporte cooperativo para dois participantes em experiência a não quebrar a barreira dos 60 fps, oferta de múltiplos modos de jogo, banda sonora a vigorosos 48khz por vinte e quatro canais, não falta até entre as opções de pré-reserva do título a companhia de GRANDSTICK III, um comando arcada da velha-guarda.

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Die for Valhalla! (Monster Couch, Polónia) V/

PC (Windows, OS X), PlayStation 4, Xbox One – Segundo trimestre, 2017

A mitologia nórdica é pródiga em jornadas épicas, por sua vez, estas em porrada como esterco, não sendo o meio alheio ao facto regurgitando-a amiúde em registos onde os protagonistas fervem em pouca água. Assim acontece com a estreia do trio Artur Krystek (programação), Krzysztof Zarczynski (programação, logística) e Marek Rutkowski (arte), se bem que, com a esotérica particularidade de encarnar o jogador uma valquíria em busca da verdade sobre si e a natureza do universo, devendo para tal possuir destemidos vikings e garantir que empandeiram o máximo de estorvos antes do fanico os levar para a morada final, Valhalla.

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Lobo With Shotguns (Fat Panda Games, México) V/

PC (Windows, OS X, Linux) – Previsão de lançamento não divulgada

Cerca de quatro meses depois, desde a aparição de Twin Flames no episódio setenta e oito, cá voltamos a ter o coletivo liderado criativamente por Gerardo García, desta feita, cruzando o imaginário dos filmes série B com a dimensão técnica, visual e sonora, das velhotas cassetes VHS para contar a sangue o resgate da namorada de John Lobo, levado a cabo pelo próprio com ajuda de duas pistolas de canos serrados, uma por mão, murros e pontapés, principalmente encadeados em movimentos letais de curto e médio alcance. No lote de características a reter evidenciam-se ainda empolgantes confrontos com chefes finais, cinemáticas ao estilo Grindhouse e minijogos no final das etapas.

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No Mercy: For Lorne Hope (Multivarious Games, Estados Unidos da América) V/

PC (Windows, OS X, Linux) – março, 2018

A estória, por vezes em negro matiz, de Elliot, Ray, Belle e Orion, personagens jogáveis disponíveis na totalidade após terminar a obra uma primeira vez, de erradicação do mal e restauro do balanço natural da floresta que lhe serve de cenário, sustenta a criação primeva do estúdio fundado por Chris Volpe e Wes Adams, No Mercy: For Lorne Hope, todavia, duas outras características lhe marcam a diferença, predicados visuais pouco familiares ao género e incentivo à exploração da área envolvente em busca de secções recônditas e elementos textuais complementares à narrativa.

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Ren Hu: Rebel Yell (Lethal Games, Espanha) V/

PC (Windows, OS X, Linux) – Previsão de lançamento não divulgada

Após defraudar expetativas da campanha pública de angariação de fundos no Kickstarter, não mais da primeira empreitada coletiva de Giacomo Vaccari (direção de projeto), Luis García (escrita), Killian López (arte bidimensional), Luis Gómez (arte bidimensional), Abian Peñate (arte tridimensional), Ayose Méndez (programação) e Rúben Brito (desenho de jogo) se ouviu falar, mesmo perante a autointitularão de sucessor espiritual de God Hand (2006). Planeado por episódios, com Rebel Yell a descerrá-los, define-se Ren Hu no estilo visual evocativo da obra da artista germânica Sylvia Ritter, mas, principalmente pelo cruzamento de ação e estratégia nos combates à pala do sistema de adaptação de módulos de ataque consoante os inimigos a enfrentar. 

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Soda Girls (Bomber Studio, China) V/

PC (Windows, OS X, Linux) – Data a confirmar, 2017

Como muitos projetos oriundos daquela proveniência, mesmo com a obra disponível em acesso antecipado desde novembro do ano passado, se descartarmos a visibilidade relativa aí angariada, apresenta Soda Girls suporte promocional nulo, sem página oficial, presença nas redes sociais ou outro qualquer tipo de informação, autores incluídos. Com visuais talhados da animação deverá o grupo de meninas que a obra intitula, sete a esperar da versão final, pôr cobro aos planos de um desvairado cientista em seis amplas áreas onde os dotes para a traulitada culminarão com a liberdade permitida ao encadeamento de ataques.

Luzeiro 94

Way of the Passive Fist (Household Games, Canadá) V/

PC (Windows, OS X, Linux), PlayStation 4 – Data a confirmar, 2017

Com o género recrudescendo às mãos da produção de humildes meios, casos não hão-de faltar em que mais alto falará o saudosismo empedernido de emulações fidedignas, com o polo contrário a caracterizar-se pela inventividade e/ou subversão como na estreia do estúdio de Jason Canam. Titulado, Way of the Passive Fist, a esconder desde logo gato com rabo de fora, revela, para além da influência visual de séries animadas de ação nos anos noventa, uma desconcertante estrutura jogável ao impedir o protagonista, conhecido por O Viandante, de ser ativo em combate, devendo basear sua estratégia em bloqueios, desvios e contramovimentos. 

Luzeiro 94

Como por aqui se não censura pancadaria de meia-noite e existe até gosto em promovê-la na diversidade, deixamos na próxima semana ruas néon encardidas e ao mano a mano vamos em arenas por todo o mundo. Até lá, bons jogos.

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