Marco Gomes por - Apr 15, 2017

Luzeiro do Escondidinho – Episódio 95

Não sendo a mais consentânea celebração da quadra pascal, quis a coincidência, ou o planeamento da rubrica desatento ao calendário das festividades, ser este domingo no Luzeiro dedicado a obras que convencionalmente classificamos de “luta”.

O que em bom rigor se refere a confrontos um contra um em arena fixa, porém, até de forma a acomodar suas variantes, trapaceia-se um pouco enfiando no alinhamento seguidores da chancela Nintendo, Super Smash Bros., caracterizada por aumentar o número de participantes em simultâneo, retirar carga técnica ao sistema de controlo e introduzir componente de plataformas numa cacofonia de sentidos onde até o mais aselha passa por gente bestial.

Luzeiro 95

Absolver (Slocap , França) 

PC (Windows, OS X, Linux), PlayStation 4, Xbox One – Data a confirmar, 2017

A obra de estreia do sexteto gaulês formado por Pierre Tarno (direção criativa), Michel Donzé (direção artística), Paul Emile Boucher (arte), Olivier Gaertner (engenharia), Jordan Layani (desenho de jogo) e Aurélien Topia (programação), com edição Devolver Digital, encabeça o episódio e simultaneamente a prole de ave-raras que à essência do género faz fosqueta. 

Nas ruínas do império Adal, os novos soberanos, conhecidos por Guias, incitam os mais destemidos guerreiros a lutar entre si de forma a peneirar candidatos a seu corpo de elite, resultando do processo título multijogador em rede num mundo de amplas dimensões onde confrontos altamente técnicos adquirem dois formatos, duelo e arena, combates por equipas de três elementos, com a jornada a aportar a cada jogador, consoante a destreza patenteada, estilos de combate, armamento e peças defensivas inéditas. 

Luzeiro 95

Nidhogg 2 (Messhof , Estados Unidos da América) 

PC (Windows, OS X), PlayStation 4 – Data a confirmar, 2017

Com certeza, caso único na história dos videojogos não será, todavia, não deixa de conter sua perplexidade que o atrito gerado por uma sequela face ao título original advenha da direção artística. Atendendo à troca da austeridade visual expressiva de Nidhogg pela veia despudoradamente cartoonesca da continuação, compreensíveis são os amargos de boca validos a Mark Essen (direção de projeto), Kristy Norindr (logística, composição musical) e Toby Dixon (arte, animação).  

Para além da aparência renovada, realçando a vertente cómica do pacote, faz-se o regresso do aclamado registo de duelos ligados à corrente com o burilar e soma do expetável, introduzindo movimentos ofensivos, peças de armamento, arenas e faixas musicais ainda por sonhar aquando da obra de arranque. 

Luzeiro 95

Pato Box (Bromio, México) 

PC (Windows, OS X), PlayStation Vita – Outono, 2017

Entre a restrição à ala dura dos géneros ou sua visão distendida, preferirá o Luzeiro sempre o segundo caso, como tal, fica o episódio mais aconchegadinho com a emulação monocromática, inspirada visualmente na banda desenhada a preto e branco, da vetusta franquia Nintendo, Punch-Out!!, cortesia do quinteto preenchido por Samir Durán (direção de projeto), Antonio Gutiérrez (programação), Luis Vera (programação), Heri Toxqui (desenho de jogo) e Coco Lette (arte), criadores de Take Your Time (2014), Copy Cat Dance (2014), McCarthy’s (2015) e Mighty Swiping Shiba Force (2015).

Tendo por protagonista, Patobox, uma figura humana com cabeça de pato tido por campeão de boxe, o que muito diz da desintéria que por aqui vai, vê-se o pobre subitamente traído pela companhia que o vinha patrocinando, o que lhe desperta apetites de vingança para com o cabecilha de uma corporação que, perante as vitórias daquele no ringue, aos poucos irá desvelar os vários podres que a erguem, dos quais o mais notório, corrupção, não passa da ponta do icebergue.

Luzeiro 95

Them’s Fighting Herds (Mane6, Estados Unidos da América) 

PC (Windows, OS X, Linux) – Segundo trimestre, 2017

Acompanhados de Lauren Faust (desenho personagens), criadora das séries animadas My Little Pony: Friendship is Magic e Super Best Friends Forever, têm Omari Smith (desenho combate), Jay Wright (animação, efeitos especiais), Luke Ellinghaus (animação) e Francisco Copado (interface), só para citar os principais elementos da generosa equipa de desenvolvimento, a missão de ao título de culto, não licenciado, My Little Pony: Fighting is Magic (2012, versão pré-alfa) dar sucessor espiritual.

Limando e acrescentando à mecânica de combate e gráficos daquele sem fugir a sua essência, duelos entre quadrúpedes fofinhos, não se restringido agora à família dos cavalos, o que desemboca na ampliação do elenco de personagens à escolha, apresenta Them’s Fighting Herds como introduções fora do âmago jogável banda sonora roque dinamizada pelos incidentes das pelejas e sala de espera gráfica com várias localizações do mundo de Fœnum passíveis de serem exploradas em busca de artefactos decorativos e cosméticos.

Luzeiro 95

Bounty Battle (Dark Screen Games, França) V/

PC (Windows, OS X, Linux), PlayStation 4, Xbox One – Data a confirmar, 2017

Desconhecendo-se a solidez do sistema de combate de Bounty Battle, inspirado na chancela Super Smash Bros. e Soulcalibur, permitindo até seis jogadores em simultâneo representados por mais de trinta escolhas do painel de personagens, conferir-lhe-ão estes, sem grande margem para dúvidas, o valor de diferenciação ao labor de François von Orelli (direção de projeto, arte, animação) e Grégoire Laporte (programação) ao agrupar às criações originais inspiradas no universo medieval-fantástico convidados de títulos de humildes meios lançados ou a lançar como Jotun (2015), The Bug Butcher (2016), Darkest Dungeon (2016), Pankapu (2016), Eitr, Battle Chasers: Nightwar ou Doko Roko.

Luzeiro 95

Brawlout (Angry Mob Games, Roménia) V/

PC (Windows), PlayStation 4, Xbox One – 20 de abril, 2017

Excetuando Muffin Knight (2014), com percurso feito em exclusivo nas plataformas móveis, Guerrilla Bob (2011), Predators (2012), Alien vs. Predator: Evolution (2013) e Toysburg (2015), recai a nova aposta do estúdio liderado por Bogdan Iliesiu num espécime da luta por plataformas para até oito participantes em simultâneo, localmente ou online, tendo um octeto de lutadores à escolha, dois ainda por revelar, com estilos de luta vincadamente diversos onde não faltam golpes especiais de assinatura.

Luzeiro 95

Cerebrawl (Zero Dimension, Estados Unidos da América) V/

PC (Windows), PlayStation 4 – Previsão de lançamento não divulgada

Na linha de Street Fighter III: 3rd Strike (1999) e Marvel vs. Capcom 2 (2000), referências descritas pelos autores, oferece Eliot Min (direção artística, animação), Wilson Fermin (desenho combate), Yusuke Tsutsumi (engenharia), Koji Tsutsumi (programação), Matthew Hopkins (composição musical, desenho de som) e Aaron Oak (logística) a típica, se bem que pouco povoada, proposta de combate em equipas de dois elementos com membro ativo e suplente, embora, ofereça igualmente duelo individual e um contra dois em partidas de grande índice técnico onde se destacam opções de assistência e movimentos passíveis de alterar a arquitetura dos cenários.

Luzeiro 95

Kerfuffle (Rat Casket, Estados Unidos da América) V/

Plataformas a anunciar – Previsão de lançamento não divulgada

Pouco de concreto foi ainda divulgado da parceria de Nathan Ranney (Rat Casket) e Miascugh, como atesta o mal-amanhado vídeo técnico, todavia, para além de outra proposta no negligenciado segmento dos títulos de pancadaria com personagens quiduxas, mais prazer dando ainda em desancar, destaca-se desde já Kerfuffle pelo esmerado trabalho de arte, em especial na ambiência cénica que embrulha o sistema de combate de clássica linhagem. 

Luzeiro 95

Omen of Sorrow (AOne Games, Chile) V/

PC (Windows, OS X, Linux), PlayStation 4, Xbox One – Previsão de lançamento não divulgada

Do Chile, mais concretamente da equipa de Felipe Budinich (produção), Genzoman (arte principal), Rodrigo Alarcon (arte), Tomas Herrera (arte), Crístofer Leal (arte técnica), Patricio Vasquez (animação), Sebastian Beltran (programação), Max Kubler (logística), Sebastian Gana (engenharia) e Francisco Cerda (composição musical), chega-nos um título bidimensional de luta usando do clássico esquema de controlo em quatro botões onde recai o destaque em personagens, doze no total, e cenários inscritos no imaginário de terror, mitológico e literário, da Europa do século XVIII.

Luzeiro 95

Shuyan Saga (Mark Media, Canadá) V/

PC (Windows), Plataformas Móveis (iOS) – Data a confirmar, 2017

Em episódio rijamente eclético, atendendo à natureza temática, vai a coroa da heterodoxia para a aventura gráfica de ação, dividida por três volumes, de, para citar os mais significativos colaboradores, Drew Parker (direção criativa), Daxiong (arte), o mais reputado banda-desenhista chinês, e Meg Jayanth (escrita), através de um épico na China ancestral sobre a essência do Kung-fu ilustrado na vida da princesa Shuyan, deixando para trás as mordomias do título por troca com dificuldades em perseguir o ideal guerreiro. As sequências de combate que entrecortam a estória baseiam-se em técnicas fidedignas, operacionalizando-se em videojogo através da captura de movimentos em mais de trezentas distintas animações.

Luzeiro 95

Com um pé, o mais pesadão, sob a família que aqui nos trouxe e outro já no ar, será assim a semana próxima repartida entre o morteiro e o saltinho das plataformas de ação. Até lá, bons jogos.

Comentários

0 Comments
Inline Feedbacks
View all comments