Marco Gomes por - Apr 22, 2017

Luzeiro do Escondidinho – Episódio 96

A descerrar episódio exclusivo no número quarenta e nove do Luzeiro, regressam as plataformas de ação para mais dois capítulos numa vida que nunca deixou de ser recheada, mas que, como muitas outras variantes do género, disparou no número de propostas chegadas ao mercado em cada ano com o ganho de peso do segmento da produção de humildes meios.

Porém, deliberadamente venderemos gato por lebre, até para construir ponte robusta com recentes entradas, com o peso das duas componentes a ser pouco homogéneo entre registos, alguns mesmos a virar o bico ao prego na classificação de ação de plataformas, já para não falar da intrusão de características oriundas de outras paragens classificativas numa verdadeira canção do mar onde águas pelo mundo viandantes nesta costa hão-de desaguar.

Luzeiro 96

Anew: The Distant Light (Resonator Games, Estados Unidos da América) 

Nintendo Switch, PC (Windows), PlayStation 4, Xbox One – julho, 2018

Consecutivamente empurrado para fora de episódios passados por neles parecer deslocado, encontra finalmente poiso a estreia, segundo tal formato, da calejada dupla Steve Copeland (direção de projeto, programação) e Jeff Spoonhower (arte, escrita, desenho de som), aos quais se juntou Wilbert Roget, II (composição musical), exercício que na estrutura metroidvania em mundo aberto salienta componentes de aventura, exploração, plataformas e muita ação. 

No trilho de inúmeros mistérios como o porquê de ter o protagonista sido enviado vinte anos-luz para um planeta alienígena nada meigo com estranhos, clarificação quanto à sua própria origem e identidade, um clássico!, e o paradeiro do copiloto desaparecido, oferece Anew: The Distant Light entre suas mais distintas faculdades o dinâmico sistema climatológico, com repercussões na saúde do herói devido à potência nociva da fonte astral de luz e calor, possibilidade de pilotagem de mechas, tanques ou vaivéns e abertura, no dispêndio de gemas de poder encontradas pelo ambiente de jogo, de novas divisões na nave-mãe e com elas opções inéditas de jogabilidade.

Luzeiro 96

DragoDino (TealRocks Studio , França) 

PC (Windows, OS X, Linux) – junho, 2017

O que não faltará neste regresso das plataformas de ação ao Luzeiro são exercícios descomplicados, muitos dos quais em descarado piscar de olho ao antigamente, assim sucedendo com DragoDino e a estreia da dupla gaulesa constituída por, primeiro a senhora, Maureen Caudron (arte) e Pierre Proudhon (programação, desenho de jogo).

Excetuando uma característica tão em voga nos dias correntes, geração randomizada de níveis, baseia-se toda a premissa na acessibilidade das propostas de cunho arcada, a começar no objetivo atribuído, resgatar todos os ovos de um pequeno dinossauro arraçado de dragão a quem os progenitores deram o nome Bob através do percurso ascendente que conduz à copa de uma árvore gigante, tendo para o conseguir brigar com os inimigos detentores da habilidade “super salto”. 

Luzeiro 96

Huntdown (Easy Trigger Games, Suécia) 

Nintendo Switch, PC (Windows), PlayStation 4, Xbox One – Quarto trimestre, 2017

Fizeram-nos grande favor Andreas Rehnberg (direção programação), Tommy Gustafsson (direção desenho de jogo), Marcus Jerner (desenho de jogo, arte ambientes), Olof Ejstes (desenho de som) e Christopher Malmqvist (desenho de som) de a este espaço trazerem um travo saudosista mimetizando a boa e velha ação arcada de referências como a série Contra.

Justificando a estirpe, nada em Huntdown pende para o rebuscado, cingindo-se ao essencial e à máxima de fácil de apreender, difícil de dominar na tentativa de limpar as ruas de Mayhem de escumalha por gangues enfileirada e confrontar o inimigo final de cada secção. Para a glorificação ser completa não faltará a opção de jogo cooperativo num único televisor e fiáveis 60 quadros de animação por segundo para uma experiência fluída em visuais plasmados da era 16 bits.

Luzeiro 96

Shattered – Tale of Forgotten King (Redlock Studio, França) 

PC (Windows, OS X), PlayStation 4, Xbox One – janeiro, 2018

Um caso mais de título escorraçado de episódio em episódio por em nenhum a preceito se acomodar, introduz Shattered – Tale of Forgotten King a vertente de produção de videojogos do multidisciplinar estúdio presidido por Eric Beisser e direção criativa de Maxime Beisser-René para contar a estória mística de mais um herói desmemoriado tratado por Viandante que cruzará seu destino com um passado entretanto esbatido onde a loucura do criador conduz o mundo de Hypnos a estilhaçar-se em três diferentes regiões.

O universo de fantasia negra que desenrola a trama sustentará igualmente uma curiosa mescla de plataformas de ação em duas dimensões e meia e combates com inimigos finais em áreas de deslocação tridimensional tendo por complemento características role playing game expressas no avançado sistema de habilidades.

Luzeiro 96

Cloudbase Prime (Floating Island Games, Estados Unidos da América) V/

PC (Windows, OS X, Linux) – Data a confirmar, 2017

Excetuando entradas de última hora no episódio da semana vindoura, será o título de Tyrus Peace, com mãozinha de Matt Javanshir na composição musical, o único a oferecer uma experiência totalmente tridimensional, a experienciar desde setembro de 2016 em acesso antecipado, através das latas de um robô que entre saltos e disparos terá de despachar as inconformidades verificadas numa extensa plataforma de gás mineral e trair o dito popular do que nasce torto tarde ou nunca se endireita.

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Fox n Forests (Bonus Level Entertainment, Alemanha) V/

PC (Windows, OS X, Linux) – setembro, 2017

Inspirado por títulos como Super Ghouls ’n Ghosts (1991), Wonder Boy in Monster World (1991), ActRaiser 2 (1993) é a rendinha de Rupert Ochsner (direção de projeto), Holger Kuchling (produção), Michael Gravemann (arte), Tom Nowicki (arte), Frederic Lensing (programação), Hendrik Bartinger (desenho de jogo) e Filippo Peccoz (composição musical) uma das provas contidas nesta dupla de episódios de que o saudosismo extrapola géneros, concentrando-se em número crescente no mimetismo de eras tecnológicas, no caso a de16 bits, através de uma aventura de plataformas e ação com quebra-cabeças baseados na manipulação das estações do ano.

Luzeiro 96

Mongrel (Fischmell, Noruega) V/

PC (Windows, OS X, Linux) – Previsão de lançamento não divulgada

Falhado o objetivo primário na campanha pública de angariação de fundos no Kickstarter, voltaram ao estaleiro com Mongrel Roar Haug, Håkon Wollan e Rasmus Gorset Berg, mais decididos do que nunca a dar ao cómico protagonista meio humano meio batráquio, conferindo-lhe a mestiçagem várias habilidades especiais, de nome Finch, um digno representante das plataformas de ação bidimensionais com elementos metroidvania expressos na vertente de exploração de um mundo de contrastantes regiões, onde não faltam segredos e inventivas peças de armamento.  

Luzeiro 96

Sacré Bleu (Hildring Studio, Noruega) V/

PC (Windows, OS X, Linux), Plataformas Móveis (iOS), PlayStation 4, Xbox One – Previsão de lançamento não divulgada

Apesar de constituir-se como imaginário vívido para a maioria de nós, a verdade é que a França dos mosqueteiros, século XVII no reinado dos Luís XIII e XIV, não se tem oferecido como enquadramento pródigo ao meio. Devê-lo-á assim ter pensado Stein Loetveit, colocando mãos à obra para urdir um título de deslocação lateral combinando plataformas e espadeirada através das vestes de Enrique LeBleu, um dos susoditos defensores do rei encarcerado na Bastilha por acusações falsas, movendo-se o arco narrativo da fuga do local para a perseguição ao misterioso responsável pelas calúnias.

Luzeiro 96

Como por aqui não é dessíncrona a afirmação entre o ato de levantar e o de voltar para a caminha, como na introdução foi referido, traz o próximo domingo renovada dose de plataformas de ação e seu reverso. Até lá, bons jogos.

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