Marco Gomes por - Apr 28, 2017

Luzeiro do Escondidinho – Episódio 97

Sai outra dose de plataformas de ação para a mesa do canto. Porém, como é apanágio da casa não acertar o chef com os temperos, tem uma vez mais cada prato um equilíbrio distinto na distribuição de sabores, leia-se componentes várias que suportam cada proposta elencada.

Se há uma festa aqui ao lado, por baixo o baile não é menos folgado.

Luzeiro 97

Battle Princess Madelyn (Causal Bit Games, Canadá) 

Nintendo Switch, PC (Windows), PlayStation 4, PlayStation Vita, Xbox One – fevereiro, 2018

Regressam os criadores de Insanity’s Blade (2014), Christopher Obritsch (direção de projeto, arte, desenho de som), Daven Bigelow (programação) e Angelina Obritsch (logística), com revigoradas energias de quem acabou de sair da campanha pública de recolha de fundos no Kickstarter com abastado sucesso, nada alheio à amplificação de expetativas da própria equipa face ao labor de arranque.

Não escondendo o muito que deve aos clássicos Ghouls N’ Ghosts (1988) e Wonder Boy 3: The Dragon’s Trap (1989), acompanha Battle Princess Madelyn as aventuras da cavaleira que lhe empresta parte do nome, e de seu canídeo fantasma, Fritzy, enquanto tenta salvar o reino, e, por inclusão de partes, a própria família, das vilanias de um atroz feiticeiro numa estrutura arcada ortodoxa de plataformas e ação ao longo de dez níveis repartidos por cinco etapas cada onde muito úteis revelar-se-ão as dez peças de armamento disponíveis, complementadas por um trio de armaduras, principalmente pelas habilidades especiais proporcionadas.

Luzeiro 97

Eagle Island (Pixelnicks, Inglaterra) 

PC (Windows, OS X, Linux) – julho, 2018

A si juntando Deryk Buckarev (arte cenários), Jackelyn Bautista (arte personagens), Helen Harvey (escrita) e Johan Hargne (composição musical), envia Nick Gregory (desenho de jogo, programação, arte) Quill e seu inseparável companheiro mocho, Koji, para um encontro fortuito com o famoso ornitólogo Dr. Oliver Onis, incumbindo este a dupla da procura e recolha de três antiquíssimos tótemes antes que primeiro o almejem forças da vilanagem personificadas em Armaura.  

Serve o mote para uma aventura de plataformas bidimensional com elementos metroidvania assumidamente inspirada pela produção do género nos tempos da Super Nintendo e Mega Drive, tendo a geração procedural de níveis como elemento de contemporanização e mecânicas jogáveis baseadas na relação do protagonista com seu animal de estimação, mais ainda pelos dotes elementais conferidos aquele pela descoberta dos referidos artefactos.

Luzeiro 97

Kaze and The Wild Masks (Vox Game Studio, Brasil) 

PC (Windows, OS X) – Previsão de lançamento não divulgada

Também a América do Sul, no caso, o país nosso irmão de fala, Brasil, não deixou de acentuar o revivalismo da era 16 bits que vem perpassando estes dois episódios dedicados às plataformas de ação, desta feita, através do estúdio encabeçado por André Schaan em seu primeiro ataque direto ao mercado comercial dos computadores pessoais.

Tendo por objetivo encontrar as arcanas Máscaras Selvagens terá Kaze, o coelho azul a quem confiaram o posto de protagonista, percorrer e explorar Carrotland guiando-se pela linha tradicional do subgénero onde práticas mostrar-se-ão as longas orelhas para alcançar áreas de elevação inacessíveis de outro modo, sendo que, novas habilidades lhe serão acrescentadas por cada relíquia resgatada.

Luzeiro 97

The Last Night (Odd Tales, Inglaterra) 

PC (Windows, OS X), PlayStation 4 – Previsão de lançamento não divulgada

Para singrar no mercado um dos requisitos a possuir pelas editoras de humildes meios é ter olho vivo, catrapiscou a Raw Fury The Last Night não passando de uma entre milhares de entradas em game jams no ano 2014, completamente redesenhada agora para formato comercial pelos manos Soret, Tim (direção de projeto) e Adrien (arte), com as contribuições de Danny Salfield Wadeson (escrita), Ian Thompson (programação), Joe Kataldo (desenho de som), Laurent Lozano (composição musical) e Perturbator (composição musical).

Inspirando-se em clássicos como Another World (1991), Flashback (1992) e os títulos bidimensionais da série Oddworld, segue a tradição das plataformas cinemáticas de estrutura central divida entre componentes de ação e infiltração tendo de permeio, até para aquelas consubstanciar, sequências de condução, controlo de drones, pirataria informática e pródigo arraial de decisões com impacto direto nos acontecimentos como a escolha entre dar à sola, usar de argumentação verbal para ganhar tempo ou, pura e simplesmente, deixar falar a violência premindo o gatilho da arma. 

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A Hole New World (Mad Gear Games, Espanha) V/

PC (Windows, OS X, Linux), PlayStation 4, Xbox One – 19 de maio, 2017

Para o exercício de arranque, que a bem dizer serve como versão revista e expandida da participação no Ludum Dare 30 em 2014, decidiu o trio formado por Daniel Pellicer (programação), Miguel Murat (desenho de jogo) e Juan Jesús Ligero (arte) conceder revivalismo ao subgénero na emulação da era 8 bits para estancar a invasão de monstros ao Mundo do Avesso, remetendo para a capacidade do protagonista, conhecido por Mestre das Poções, em deslocar-se por tetos, enfrentando a árida dificuldade de cinco planos dimensionais diversos na companhia da fada Fäy e das mistelas contidas em vidro que popularizaram o herói por seu caráter destrutivo.

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Demoniaca: Everlasting Night (Mnemosyne Games, Itália) V/

PC (Windows, OS X, Linux) – outubro, 2017

Aparentemente estapafúrdio enquanto casalinho, não se vergaram ao preconceito Fabio Consorti e Federico Della Bona juntando no mesmo pacote a estrutura de plataformas de ação com elementos metroidvania e estética gótica da série Castlevania com mecânicas de combate consonantes com o legado The King of Fighters. Projetado para um público maduro, ou com idade para o ser, devido ao generoso conteúdo explícito, oferece Demoniaca um guião de vingança manchado a sangue, componentes de role playing game (árvore de habilidades, progresso da personagem), secções de quebra-cabeças e parcelas de jogo cooperativo.

Luzeiro 97

Dynacorp – We come in peace (Rox Flame Games, Nova Zelândia) V/

PC (Windows) – Quarto trimestre, 2017

Criado por Rox Rāwhiti com a colaboração de Anna Johnstone (arte concetual), Jacob Grossman (animação) e Luke Rowell  (composição musical), descreve-se Dynacorp como aventura de plataformas num universo alienígena bidimensional gerado aleatoriamente, ao qual o protagonista, Dynabot, fora abruptamente parar após despiste do vaivém em que seguia, tendo por base uma mensagem de teor ecológico ou não fora o sustentáculo jogável baseado na importância de manter equilibrado o ecossistema, fator que permitirá angariar aliados autóctones com variadíssimos talentos para nossa causa.

Luzeiro 97

Super Red-Hot Hero (StrangeLight Games, Espanha) V/

PC (Windows), PlayStation 4, Xbox One – 28 de abril

Acabadinho de chegar ao mercado na versão para computadores pessoais, caso não falhe o plano de lançamento, traz de volta Super Red-Hot Hero os criadores de StrangeLight (2013), What Happened Here (2014) e Magma Tsunami (2016), Bernardo Marcos (direção de projeto, desenho de jogo, arte), Pere Fonolleda (programação), Alberto Rebollo (arte tridimensional), Carles Delgado e Fran Paredes (composição musical, desenho de som), por intermédio de uma experiência de plataformas de ação distendida tendo por compromisso derradeiro desfeitear o Exército de Kazan. 

Luzeiro 97

Quase sem dar por isso, até porque alguns títulos desta dupla de entradas já o afloraram, regressarão de hoje a oito os rebentos nascidos da união de Metroid com Castlevania, metroidvania. Até lá, bons jogos.

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