Marco Gomes por - Nov 13, 2016

Luzeiro do Escondidinho – Episódio 73

A tradição enfileira a maioria dos lançamentos altitonantes do ano para o período compreendido entre os meses de setembro e
novembro, logo, escassa admiração causará que nele o mexilhão tente não colidir com peixe graúdo.

Aprioristicamente apontado como o mais débil dos seis semestres compondo 2016 para edição original de videojogos de humildes meios, faltando ainda o derradeiro para sedimentar veredicto, dir-se-ia que ao destino dificilmente se furtará setembro/outubro quando nem a caterva de rendinhas para Realidade Virtual, à pala da comercialização do PlayStation VR, lhe vale.

Sendo obras desfasadas do radar da generalidade dos jogadores, ainda assim, destacaram-se pelo binómio projeção/valia Virginia e
Thumper, pertencendo a uma cada vez mais numerosa seita de registos que, vivendo na penumbra durante o grosso do processo de desenvolvimento, adquirem rejubilada visibilidade meses antes da publicação. Dir-se-ia em contraponto com Shadow Warrior 2, sequela do título de ação desbragada que às costas do Flying Wild Hog colocou a expetativa de milhentos seguidores angariados no primogénito.

Nem todos vivendo no Jardim da Arcádia, a bem da diversidade, deixa-se o elenco dos que o mérito calado não poderá ser pelo envergonhado trato.

Luzeiro 73

ClusterTruck (Landfall Games, Suécia)  

PC (Windows, OS X, Linux), PlayStation 4 e Xbox One  – 27 de setembro, 2016

Aparecido no episódio cinquenta, onde, desde logo, destoava do restante alinhamento pela atolambada abordagem às plataformas, tem aí ClusterTruck, que é como quem diz, no valor de diferenciação da proposta em relação ao existente no mercado, um dos inegáveis trunfos para colher graças na escrutinação geral.

 Sendo, aliás, um desses casos onde a frustração anda de mãos dadas com a adição, conduzindo a juízos não raras vezes extremados, tem o mérito de inclinar a balança para o segundo prato como também a favorável valoração de Filipe Urriça na sala de exames do VideoGamer Portugal fez notar.

 O título que dá aos jogadores como objetivo alcançar a meta saltando no tejadilho de camiões em movimento, para além dos argumentos susoditos, revela méritos substantivos na fluida, e bombeada a adrenalina, estrutura jogável, baseando-se no clássico conceito de fácil apreensão, custoso domínio, mas também no polido desenho de níveis e elevado valor de repetição graças à ferramenta de edição de conteúdo ao dispor da comunidade.

Luzeiro 73

Event [0] (Ocelot Society, França)  

PC (Windows, OS X) – 14 de setembro, 2016

A inopinada relação de um humano com uma Inteligência Artificial que serve de exercício de arranque ao estúdio gaulês Ocelot Society, destacado no episódio sessenta e três, esteve longe de granjear os louvores gerais da crítica especializada, ainda assim, valeu-lhe a invulgaridade da proposta um degrau acima da média qualitativa no período.

Tendo como saliências notórias, mal feito se assim não fora, a complexidade de AI Kaizen, mente digital governanta de todos os dispositivos da estação espacial que serve de cenário a Event [0], e amplitude de interação comunicacional a estabelecer com ela recorrendo a vários terminais plantados ao longo do espaço, não deixaram os criadores de privilegiar, e bem, tal mecanismo para enquadrar os quebra-cabeças, desembocando em exercícios invulgarmente orgânicos e conexos.

Vê-se compensada a tacanha dimensão do local por um sentido atmosférico onde, mais até que a extremosa componente visual, evidenciar convém a audível tanto em termos de composição melódica quanto no desenho de som. Por sua vez, o valor de repetição conferido pelo deambular em busca de bochechos informativos complementares à tentativa do protagonista regressar ao lar, escamoteia, em parte, a minguada demanda enquanto remendar ajuda uma narrativa de inquietante traça.

Luzeiro 73

Fractured Space (Edge Case Games, Inglaterra)     

PC (Windows) – 22 de setembro, 2016

Proveniente em grossa parte do Born Ready Games, criadores de Strike Suite Zero (2013), tendo como elementos capitais James Brooksby, Jim Mummery, Chris Mehers, Mark Sinclair e Dylan Beale, serve o exercício de estreia do coletivo Edge Case de caso raro em episódios do Luzeiro, que não exclusivamente de recapitulação bimestral, pelo formato de negócio baseado em gratuitidade de base com recurso a microtransações. 

Transportando-nos para o espaço profundo, caracteriza-se Fractured Space como um MOBA (acrónimo, já com a devida tradução, de arena de batalha para múltiplos jogadores em rede) de cariz tático colocando em confronto equipas formadas por cinco poderosos cruzadores de bélica índole.

Com a experiência acumulada novas e melhores aquisições acrescentar-se-ão à frota, não descurando a customização do arsenal a lhes atarraxar e, provavelmente o aspeto estratégico de maior relevância, a estrutura da tripulação.

Entre as laudas que sustentam a positiva opinião geral que o título vem recolhendo figuram a unicidade de oferta dentro de um segmento cada vez mais concorrido, especialmente por apostar num cenário clássico de ficção-científica e ter a componente tática como requisito essencial, mas igualmente na satisfação proporcionada pelo controlo dos mastodontes espaciais numa variedade que permitirá a explanação de inúmeros estilos de jogo.

Luzeiro 73

GoNNER (Art in Heart, Suécia)     

PC (Windows, OS X, Linux) – 12 de outubro, 2016 

Quando tudo já não falta para o retorno da famelga roguelike, resquícios da última aparição na entrega quarenta e seis se vislumbram por intermédio de GoNNER, rendinha bordada por Mattias Dittrich (Ditto para os amigos) com edição Raw Fury.

Sendo um subgénero de matizes vários, os do presente caso encaixam-se na linhagem das plataformas de ação sôfregas e impiedosas, fazendo parelha com ampla proporção dos run n’ gun, o que, convenhamos, alienará a generalidade de hipotéticos interessados.

A mais destacada valia do título salta ao olho na eficaz combinação estética de despojamento e expressividade, servindo como exemplo de inventividade forjada pelas limitações, contudo, também o satisfatório desempenho bélico e cabeças a encaixar no protagonista, conferindo tipologia de locomoção e vitalidade variáveis, assim como a opípara gama de segredos, mitigando a parca extensão da campanha, ajudam a aconchegar uma experiência que esconde nos visuais ternurentos um diabólico desafio aos jogadores.

Luzeiro 73

Redout (34BigThings, Itália)

PC (Windows) – 2 de setembro, 2016

A ausência das chancelas que edificaram a vertente de corridas futuristas como F-Zero e Wipeout vai dando oportunidade, essencialmente, a pequenos estúdios de alcançar tal nicho de mercado. O mais recente a destacar-se dá pelo nome de Redout, chegando pela mão dos criadores de Hyperdrive Massacre (2015), o quinteto transalpino formado por Giuseppe Enrico Franchi, Giacomo Ferronato, Valerio Di Donato, Ivano Zanchetta e Marco Tansini.

Suportando aparatos de Realidade Virtual (Oculus Rift, HTC Vive e OSVR), tendo, inclusive, para eles ideado uma perspetiva de câmara exclusiva, dentro da cabine de pilotagem, apresenta-se como experiência descomplexada onde a vertigem é quem mais ordena, alardeando os criadores ser “o mais rápido videojogo jamais concebido”.

Espraiando-se por vinte circuitos de quatro diferentes localizações mostrando uma Terra pós-apocalíptica, de falta de conteúdo ninguém Redout poderá acusar ao longo de uma campanha com mais de setenta e cinco eventos onde o sistema de experiência permite arrebanhar avantajadas componentes para as muitas naves a conduzir. Todavia, disponibilizando até doze oponentes, não fica de pé atrás a componente para múltiplos jogadores numa oferta de sete modos de jogo que abarca desde corrida clássica, à sua vertente em arena, provas de resistência por pontos ou confronto com chefes finais.

No cômputo geral as recensões ao título destacam o emparelhamento estilo/substância na descrição aos polidos campos técnicos, assumindo-se como espetáculo audiovisual, para um sólido desafio proporcionado pelo muito conteúdo em oferta, o que faz estranhar mais ainda a erradicação da componente multijogador local.

Luzeiro 73

Shu (Coatsink Software, Inglaterra) [/B]      

PC (Windows), PlayStation 4 e PlayStation Vita – 4 de outubro, 2016

Nota informativa prévia, contrariamente ao expetável não acompanhou a versão PlayStation Vita de Shu o lançamento das restantes e, de momento, nenhuma data concreta foi aventada para que tal possa suceder, estimando os responsáveis sua publicação ainda em 2016. Justificando a demora estará o processo de otimização e adaptação às características da portátil, contrabalançando-se na inclusão de conteúdo exclusivo do formato.

Por estas bandas dado à costa na entrega cinquenta – à semelhança de ClusterTruck -, segue a produção conjunta dos estúdios britânicos Coatsink Software e Secret Lunch a peugada dos mais destacados títulos de plataformas bidimensionais de deslocamento lateral dos últimos anos, nomeadamente os associados à chancela Rayman através de Origins e Legends.

Não sendo por isso de estranhar que, à exceção da introdução progressiva de novos mecânicas de jogo ao longo da jornada, retenha Shu méritos naqueles contidos, em concreto, o primor de visuais à unha traçados, precisão dos controlos e, rebatendo a duração pouco satisfatória da campanha, o generoso valor de repetição conferido na recoleção de orbes, deslinde de objetos secretos ou tempo limite a bater por cada nível.

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Tadpole Treble (BitFinity, Estados Unidos da América)

PC (Windows, OS X, Linux) e Wii U – 2 de setembro, 2016

Um picochinho de batota. Três semanas antes do lançamento de Tadpole Treble nos computadores pessoais já a versão Wii U se espraiava no mercado, concretamente desde onze de agosto, contudo, devido à rarefação de avaliações ao título no período útil de chamada ao episódio recapitulativo anterior, emenda-se a mão alistando-o no presente.

Desbragadamente influenciados pela mística Nintendo de aportar unicidade e divertimento a experiências focadas na componente jogável, conseguiram os irmãos Taranto, Matthew (arte, composição musical, desenho de jogo) e Michael (programação, desenho de jogo, logística), um título de arranque que, pese a discrição, se assume como uma agradável surpresa, principalmente, no enquadramento da oferta digital da consola doméstica susodita. 

Combinando plataformas com título de ritmo, assumem em Tadpole Treble os cenários função de pautas musicais encapuzadas onde o girino tido por protagonista terá de tocar nas várias notas que compõem trinta composições musicais originais, ao longo de treze níveis, evitando os obstáculos de percurso. O desempenho sequencial perfeito permitirá acumular pontos para destrancar um movimento que oblitera todo o trajeto à passagem da personagem.

Sendo um objeto criado por melómanos para melómanos de todas as faixas etárias, ostenta como grande atrativo a elevada diversão proporcionada a uma base pedagógica de incentivo e aprendizagem musical, mas, igualmente, a banda sonora original, a sólida campanha e o garante da longevidade, um editor de níveis que neles tudo permite manipular desde a colocação de escolhos à seleção de paisagens.

Luzeiro 73

The Metronomicon (Puuba, Estados Unidos da América)      

PC (Windows, OS X) – 29 de setembro, 2016

Passado pelo Luzeiro ao episódio quarenta e oito, curiosamente, o mesmo que alberga um título já destacado na introdução, Thumper, fez também valer no período seus méritos, pese a menor visibilidade, essa inusitada mistura de jogo de ritmo e role playing game que responde pelo nome The Metronomicon.

Editado pela Kasedo Games, e com a mais recente atualização disponibilizando ferramentas utilizadas no processo de desenvolvimento do título para que também a comunidade a ele possa adicionar faixas e coreografias, evidencia-se o registo pela frescura da proposta combinando satisfatoriamente dois géneros aparentemente inconciliáveis através de despretensioso e bem-disposto veículo. 

Louvores outros a lhe serem feitos prendem-se com o equilíbrio entre escorreito ritmo de progressão e robusto desafio, diversificada, e plenamente eficaz aos desígnios a que submete, trilha sonora com mais de cinquenta temas, conferindo extensão considerável à campanha central, e o bom índice de profundidade associado à customização das personagens a controlar na pista de dança.

Luzeiro 73

Como antes anunciado, prossegue o trilho dos role playing game destacando, desta vez, a costela nipónica do género. Até lá, bons jogos.

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