Como deixei claro na minha análise, o meu fascínio por esta compilação de 12 títulos da série Street Fighter advém mais da informação acessória que a enriquece do que propriamente pelos jogos em si. Claro que poder testar pela minha própria mão cada uma das obras é uma experiência indispensável para se perceber efetivamente a evolução que a série sofreu com as sucessivas iterações, mas mais do que jogá-los, foi ler sobre eles e perceber aquilo que a produtora pretendia que cada um deles trouxesse de novo que realmente captou a minha atenção.

Mencionei também na análise que Street Fighter 30th Anniversary Collection era como um espécie de museu da série da Capcom e isso não foi uma comparação vinda do nada. A coleção tem de facto um secção designada “Museum” e é através dela, mas não só, que deixa os jogadores entrar nos bastidores da saga de Ryu e Ken, no cérebro da equipa que concebeu as suas múltiplas entradas e a sua evolução. 

Seja através de documentos de design, da cronologia completa de eventos da saga e de informações detalhadas sobre as personagens, esta coleção tem praticamente tudo aquilo que qualquer historiador da indústria poderia desejar e coloca-o à disposição de todos os interessados, em que se incluirão muitos que não eram sequer nascidos quando a série ia dando os seus primeiros passos.

A banda sonora completa de todas as obras está também aqui presente para os que apreciam as sonoridades menos extravagantes, mas ainda assim recheadas de personalidade do passado. Dito isto, é nos textos alusivos a cada uma das obras que se descobre o material mais fascinante. Porventura os mais veteranos e dedicados destas andanças já estarão familiarizados com alguns dos factos e curiosidades relatadas, mas para mim foi uma experiência de constante descoberta.

Descobrir que a única personagem jogável no título original era Ryu - Ken estava apenas disponível para ser controlado por um segundo jogador no multijogador -, que as técnicas especiais Hadoken e Shoryuken não faziam sequer parte do manual e foram colocadas no jogo para serem desvendadas pelos jogadores, saber que cancelar um ataque em Street Fighter II surgiu de um glitch e que foi a partir desse que surgiu a ideia de combinações de ataques, são apenas das curiosidades que a compilação nos dá a conhecer.

Os fãs da série poderão também confirmar em que iteração concreta é foram introduzidos movimentos agora considerados indissociáveis de cada personagem, os pontos de contacto entre Street Fighter e Final Fight, cujo título original era Street Fighter 89’, a constante alternância da série entre sequelas, simples edições melhoradas e remakes completos, enfim, existe aqui muito conhecimento para assimilar ou, pelo menos, para melhorar a nossa cultura geral sobre a série.

Numa indústria com tantas dificuldades no que à preservação do seu passado diz respeito, obras como Street Fighter 30th Anniversary Collection são vitais para manter as origens deste ainda jovem meio de entretenimento vivas e acessíveis ao maior número de pessoas possível. Esta compilação oferece-nos um pedaço de história jogável que deve ser encarada como um exemplo pelas restantes editoras. 

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