No dia de arranque daquele que é um mês em que muitos partem tradicionalmente para férias, a equipa editorial do VideoGamer Portugal volta a reunir-se neste espaço para partilhar com os leitores as obras a que tem dedicado o seu tempo nos últimos dias. Antes disso, fiquem com a habitual resenha do que de mais importante se publicou por estes lados durante esta semana.

Filipe Urriça começou por regressar a um clássico do passado para reconfirmar a qualidade ainda bastante atual de Donkey Kong Country, tendo ainda oferecido o seu veredito em relação a The Isle of Armor, a primeira expansão para Pokémon Sword & Shield. Por sua vez, Pedro Marques dos Santos analisou We Should Talk, mas não ficou fã do simulador de conversa.

Sem mais demoras, fiquem com os jogos que a equipa decidiu destacar esta semana.

Pedro Martins, Diretor de Conteúdos - Bird Alone, iOS

Bird Alone é uma proposta que tenta tudo o que consegue para nos fazer sentir melhor com o nosso dia. Desenvolvido por George Batchelor e publicado nos dispositivos iOS, é uma obra diferente que aprofunda a nossa amizade com um pássaro - um papagaio. É um videojogo que decorre segundo o ritmo que estabelece e controla.

Enquanto os dias passam vamos recebendo notificações espontâneas que nos tentam captar a atenção. “Posso perguntar-te algo?”, “Preciso da tua sabedoria POR FAVOR” ou “Preparado para ver algo muito especial?” Apenas alguns exemplos para ilustrar como o ciclo funciona. Ainda que não seja a primeira obra a recorrer a esta mecânica, Bird Alone consegue fazê-lo sem nunca se tornar inoportuno e lembrando-nos sempre que temos alguém à nossa espera.

Podemos alimentar o papagaio, podemos criar música para o fazer mais alegre, somos convidados a visitar novos e deslumbrantes cenários que parecem ter saído de um livro de ilustração. Outro dos destaques é o facto de a meteorologia na obra corresponder ao que está a acontecer no vosso local, com as cores dos cenários a espelharem a estação do ano.

Contudo, Bird Alone resulta sobretudo porque a relação que vamos mantendo com o papagaio toca em temas sérios, toca em sentimentos que vão muito além da superficialidade. Continuem a jogar e serão confrontados com emoção bem reais assentes na vontade de pertencer em pleno a algo ou alguém. Batchelor tenta algo diferente e consegue provocar algo que se demora no nosso pensamento - uma notificação de cada vez.

Pedro Marques dos Santos, Redator - Othercide, PS4

Mais um jogo pertencente à não muito agradável listagem de obras que pretende testar ao máximo a acuidade visual de quem o experimenta, tal é o ridículo tamanho do seu texto que nos força a aproximar-mos mais do que desejamos do televisor para conseguir ler a muita informação presente no ecrã de uma obra com forte componente de estratégia, Othercide chama à atenção inicialmente pelo seu departamento visual.

Com uma clara influência gótica, o preto e branco com laivos de vermelho intenso dão um tom pesado e intenso ao título que se adequa a um arco narrativo que vê guerreiras - Daughters - criadas a partir de Mother, a melhor guerreira que alguma vez existiu, a combater algo denominado apenas de Suffering. 

Em relação ao combate por turnos, ainda estou numa fase demasiado inicial para tirar grandes conclusões relativamente à sua eficiência e profundidade, mas a existência de habilidades de utilização imediata, outras de ação retardada e ainda habilidades que interrompem as de ação retardada permite antever batalhas interessantes.

A melhoria das nossas guerreiras e o facto de podermos sacrificar algumas para melhorar outras, bem como a constatação de que cada demanda falhada permite começar uma nova com acesso a novas e mais poderosas habilidades anteriormente indisponíveis são mecânicas que, se executadas com mestria, podem garantir um ciclo de jogabilidade que se mantém fresco à medida que as horas se acumulam.

Filipe Urriça, Redator - Demon's Crest, Switch

Depois de ter dado uma maior atenção a Donkey Kong Country, decidi continuar a jogar SNES através da Nintendo Switch. Desta vez escolhi um clássico menos conhecido da Capcom: Demon's Crest.

Este jogo, da criadora de Street Fighter, tem todos os detalhes de um típico jogo de ação e aventura da época. Contudo, tem as suas particularidades ligadas à personagem que controlamos. Quem protagoniza Demon's Crest é uma gárgula que cospe fogo. No entanto, à medida que vamos eliminando os bosses do jogo, vamos ficando com novas capacidades. 

O jogo abre de uma forma surpreendente, pois temos de derrotar um enorme dragão. Depois de algumas tentativas falhadas, para perceber os controlos e os pontos fracos do inimigo, derrota-se facilmente esta criatura mitológica. Na nossa forma original podemos voar e cuspir fogo, assim como agarrar-nos às paredes para atravessar algumas plataformas.

Demon's Crest é, infelizmente, difícil ao ponto de ser frustrante de tantos inimigos que podem aparecer no ecrã. Não são às dezenas, mas bastam estar três perto de nós que é o suficiente para que estes nos toquem e os nossos pontos de vida baixem rapidamente, até ao ponto da gárgula derreter até à morte.

O problema é estarmos limitados no movimento e ser complicado desviarmo-nos das investidas dos inimigos. Se conseguirem ultrapassar esta dificuldade, Demon's Crest até é uma proposta interessante.

Continuem a conversa nos fóruns VideoGamer!