Num fim de semana de Páscoa atípico provocado pelas circunstâncias atuais que afetam todo o mundo, a equipa editorial do VideoGamer Portugal volta a encontrar-se neste espaço semanal - com o devido distânciamento social - para partilhar com os leitores as obras a que foi dedicando algum tempo nos últimos dias.

Antes disso, importa destacar o que de mais importante se publicou por estes lados ao longo desta semana, começando pela análise de Filipe Urriça a Edgar: Bokbok in Boulzac, um excêntrico e bem humorado jogo de aventura e puzzles. O mesmo autor partilhou ainda o seu veredito em relação a In Other Waters, uma experiência de exploração subaquática alicerçada numa atmosfera relaxante, bem como as suas primeiras impressões sobre Foregone, obra da mesma escola de Dead Cells que ficou recentemente disponível em Acesso Antecipado na Epic Games Store.

Sem mais demoras, fiquem com as obras que a equipa decidiu destacar esta semana. Como se impõe por estes dias: protejam-se, fiquem por casa e sigam as instruções da Direção-Geral de Saúde.

Pedro Martins, Diretor de Conteúdos - Comanche, PC

Comanche tem estado das luzes da ribalta durante os últimos tempos. Contudo, há um esforço conjunto da THQ Nordic e da produtora NUKKLEAR para dar uma nova lufada de ar fresco à série, disponibilizando neste momento uma nova obra em formato de Acesso Antecipado no Steam. Durante os últimos dias, foi um dos títulos a que prestei atenção.

Ainda estou longe de ter uma ideia concreta do valor que poderá ter a obra quando chegar ao mercado na sua versão final, contudo, torna-se evidente que a primeira batalha é com os comandos. Não é que sejam necessariamente pouco intuitivos, mas há bastante para aprender devido às especificidades de controlar a altura e a velocidade do helicóptero.

Sem grande surpresa, Comanche volta a permitir e a viver dos confrontos, permitindo até que se controle um drone que sai do helicóptero em algumas situações e o confronto direto contra outro drone. A manobrabilidade e o controlo das armas fazem com que a obra não seja uma exigente simulação, naturalmente.

As grandes questões para a evolução de Comanche no seu período em Acesso Antecipado será como o sistema de controlos será polido e como a componente multijogador terá argumentos para divertir os jogadores - o primeiro ajudará certamente a ditar o segundo. Talvez seja mais seguro esperar mais algum tempo antes de investirem os vossos 19,99 euros.

Pedro Marques dos Santos, Redator - Final Fantasy VII Remake, PS4

Numa altura em que o vazio de locais habitualmente repletos de multidões nos fazem sentir como se tivessemos sido enviados para uma realidade distópica pós-apocalíptica, a chegada de Final Fantasy VII Remake ao mercado, obra que durante muitos anos não foi mais do que um sonho impossível para os fãs de uma das mais icónicas peças de entretenimento saídas desta indústria, apenas serve para adensar o estranho dos dias que vivemos atualmente.

O que é certo é que em menos de quatro anos, a indústria viu The Last Guardian, Shenmue III, um novo Half-Life e o remake da mais popular entrada da série RPG da Square Enix, um quarteto de obras que se julgavam abandonadas, esquecidas ou simplesmente projetos irrealistas, serem publicadas para gáudio dos que mantiveram a esperança acesa durante anos a fio.

A minha estadia em Midgar ainda vai no seu arranque, mas já permitiu perceber que estou a jogar um pedaço importante da história deste meio de entretenimento. Não joguei o original, para lá de um par de horas já no relançamento na PS4, pelo que a nostalgia não me vai proporcionar o mesmo tipo de momentos marcantes que ficarão reservados para aqueles que conhecem a obra de trás para frente.

Dito isto, as personagens estão longe de ser desconhecidas, mesmo para quem não jogou o original, e Midgar é um local facilmente reconhecível, pelo que o impacto de ver esta imponente cidade materializada com recurso ao poderio tecnológico atual, ao invés dos originais panos de fundo pré-renderizados da PlayStation original, não é em nada minimizado.

Destas primeiras horas com Final Fantasy VII Remake saiem também reforçadas as suas personagens, que exudem carisma desde a primeira aparição no ecrã.

Filipe Urriça, Redator - Tharsis, Switch

A estratégia pode assumir várias formas, mas não há dúvida alguma que a sorte tem um papel preponderante nos eventos que decorrem no jogo. Só que este elemento, que decide contra ou a favor do jogador, está oculto. Em Tharsis, é uma parte integrante do jogo.

O Espaço é um dos sítios mais imprevisíveis que podem existir, pelo menos nas inúmeras obras de ficção científica que se vê em banda desenhada e em filmes. Por isso é que este é o palco perfeito para a impresivibilidade, onde tudo pode acontecer na nossa nave espacial. Estamos, portanto, literalmente à mercê da sorte ditada pelos dados.

Eventos vão ocorrendo e nós temos de os resolver com o que os dados nos dão. Há uma avaria no motor? Soluciona-se com um lançamento de dados. Simples e eficaz. Todavia temos de ter em conta quem é que da nossa tripulação tem maiores hipóteses de eliminar o problema. Quanto mais dados forem lançados, maior a probabilidade de sair o número que precisamos.

Tharsis é estranho, mas é isto, um jogo que mostra estar dependente da sorte. Portanto, o que precisamos de fazer é de minimizar esta dependência com as nossas escolhas. Ainda há muito por descobrir, principalmente no que toca à narrativa. 

Continuem a conversa nos fóruns VideoGamer!