Um dia mais tarde que o habitual, mas ainda bem dentro do fim de semana, a equipa editorial do VideoGamer Portugal volta a reunir-se neste espaço para partilhar convosco os jogos pelos quais tem passado nos últimos dias. Antes disso, relembrar que esta semana viu ser publicada a análise de Filipe Urriça a Manifold Garden, aclamada obra de puzzles que chegou entretanto às consolas.

Sem mais demoras, fiquem com as obras que a equipa decidiu destacar esta semana.

Pedro Martins, Diretor de Conteúdos - Baldur's Gate III, PC

Fui acompanhando o trabalho desenvolvido na série Baldur’s Gate ao longo das últimas décadas, pelo que foi com natural entusiasmo que testemunhei a chegada ao mercado de Baldur’s Gate III. É verdade que a proposta da Larian Studios ainda está disponível apenas em Acesso Antecipado, mas as primeiras impressões são esperançosas.

Seria sempre uma tarefa hercúlea o da produtora - ainda que tenha chegado depois de conquistar os fãs com Divinity - especialmente depois da BioWare ter feito um trabalho interessante ao longo dos anos, mas a terceira aventura numerada da série está atualizada para 2020, não perdendo o seu charme e uma complexidade que será melhor compreendida com o passar dos próximos meses.

Criar uma personagem é uma navegação atenta por estatísticas: raça, origem, aparência, classe, habilidades, etc. É também dizer ao jogo como será o interesse amoroso da personagem. Experimentando o jogo numa mistura de definições Ultra e High, o grafismo é saudável, tanto nos efeitos como nas texturas. Isto, apesar de alguns soluços dizerem olá, embora tenha instalada a atualização mais recente disponibilizada pela Larian.

Baldur’s Gate III é inequivocamente um Role Playing Game de ação e a jogabilidade conta com processos suficientes para ser o jogador a experimentar e a determinar o que melhor se enquadra com o seu estilo. Outro dos destaques é a exploração. “Limpar” o mapa continua a ser recompensador, convidando-nos a passar mais e mais tempo fora do corredor que apresenta o caminho a seguir.

A grande questão está na forma como a Larian vai completar o que está em oferta neste momento. Sim, é verdade que o arranque é francamente prometedor e é também verdade que a produtora tem inegável talento na sua equipa, mas estão a investir 59,99 euros numa obra que naturalmente está em evolução. Ainda assim, Baldur’s Gate III é neste momento o jogo mais vendido no Steam.

Pedro Marques dos Santos, Redator - Crash Bandicoot 4: It's About Time, PS4

Depois de um bem sucedido revitalizar da propriedade intelectual com recurso ao relançamento de excelentes remakes da trilogia original da Naughty Dog - e do igualmente popular jogo de corridas de Karts -, a Activision decidiu aproveitar a popularidade e relevância renovada do marsupial para produzir finalmente um digno sucessor da trilogia lançada na consola original da Sony.

Tendo apenas jogado ainda o primeiro par de níveis, nota-se nitidamente que se trata de uma obra que pretende diversificar ao máximo os seus processos de jogabilidade ao longo dos níveis, seja através da mudança da perspetiva, introdução súbita de momentos mais cinemáticos - como a já tradicional corrida em direção à câmara durante uma perseguição -, ou até a apresentação de novas mecânicas.

Se este dinamismo se manterá ao longo de toda a obra ou se, pelo contrário, a produtora decidiu estourar todos os seus trunfos nos momentos iniciais é algo que só o tempo dirá. Será também interessar perceber o nível de dificuldade médio da obra, uma vez que a trilogia original viu uma diminuação gradual da mesma. O sistema de vidas continua presente, mas é opcional, com a possibilidade de jogarem com um mais simpático - e bem-vindo - sistema de checkpoints.

Filipe Urriça, Redator - Super Mario Bros. 35, Switch

Pontualmente, a Nintendo gosta de reinventar Mario e entregar experiências como nenhuma outra. A criatividade flui com grande caudal na casa onde nasceu Zelda, Mario e Metroid, e Super Mario Bros 35 é mais uma prova disso.

Porém, podemos argumentar facilmente que foi pegar na fórmula de Tetris 99 e adaptá-la ao clássico da NES, Super Mario Bros. Não posso negar o grande divertimento que o jogo proporciona, nomeadamente quando inundamos os nossos adversários com inimigos Goomba ou com um ou outro Bowser a meio de um nível.

Felizmente, sei que não fui o único a morrer imediatamente quando comecei a jogar Super Mario Bros. 35, por ter simplesmente carregado em A em vez de B para saltar. Este meu erro resultou em ser eliminado por um Goomba e dar por terminada a partida. Enfim, na minha segunda partida morri no segundo nível depois de ter saltado para uma autêntica piscina de Goomba. Fiquei em vigésimo.

Comparativamente a Tetris, não acho que este novo formato Battle Royale seja melhor. Enquanto que Tetris 99 é muito mais cerebral e, por isso, desafiante, Super Mario Bros. 35 diverte no sentido em que vemos um design genial a ser arruinado à nossa frente. Claro que a intenção deste Battle Royale não é a de promover o génio de Miyamoto, mas o de mostrar a sua versatilidade. No fundo, têm aqui uma ótima desculpa para voltar ao Reino Cogumelo que jogaram na NES. 

Continuem a conversa nos fóruns VideoGamer!