VideoGamer Portugal por - Apr 13, 2019

Heaven’s Vault: Descodificar línguas perdidas para desvendar o passado

Dos produtores do aclamado 80 Days, Heaven’s Vault é apresentado como uma aventura narrativa de ficção científica e arqueológica e basta olhar para as imagens que acompanham este texto para se perceber que o seu estilo visual teve um papel decisivo na forma como o jogo ficou desde logo gravado na minha memória após o seu anúncio há cerca de um ano. Mas mais do que ver imagens do título ou vídeos do mesmo em ação, importava colocar as mãos na obra para aferir verdadeiramente a sua potencial qualidade.

Felizmente, tivemos recentemente oportunidade de experimentar uma versão ainda longe de estar pronta para ser colocada no mercado e passar mais de uma hora com os segmentos iniciais de Heaven’s Vault. Não é, claro está, uma amostra suficiente para retirar conclusões definitivas relativamente à qualidade do produto que eventualmente encontrará o seu caminho até ao PC e PlayStation 4, mas permitiu-nos ficar com uma melhor ideia do tipo de aventura que podemos esperar da obra.

Assumindo o controlo de Aliya Elasra, uma arqueóloga que tem na aprendizagem e descodificação de línguas entretantos perdidas a sua área de especialidade, que se vê forçada a aceitar, relutantemente, a companhia de um robot que rapidamente recebeu o nome Six – perceberão rapidamente a escolha do nome – na sua jornada para localizar um amigo desaparecido da sua mentora. Essa missão levará os dois a diferentes locais de uma região do espaço conhecida como Nebula.

Com um ritmo declaradamente lento, Heaven’s Vault pede ao jogador que encarnem verdadeiramente a profissão da protagonista, isto é, que explorem ao máximo cada um dos locais que visitam, mesmo quando até já têm a informação necessária para prosseguir com a história e Six começa a relembrar-vos que podem regressar à vossa peculiar nave de exploração do espaço. E parece desde já claro que é através dessa exploração minuciosa do cenário que vão retirar o máximo proveito da experiência criada pela Inkle.

Percebe-se também claramente que houve um esforço para dar ao jogador o maior contexto possível em relação ao mundo de ficção científica da obra, colocando sempre acessível, e em constante atualização à medida que vão descobrindo novas informações, uma linha temporal com os principais acontecimentos não só relevantes para a investigação de Aliya, mas também em relação às origens deste local conhecido como Nebula que tem também uma longa e tumultuosa história para contar.

Desvendar novas informações sobre a investigação ao desaparecimento em questão é interessante, mas é na forma como Heaven’s Vault nos apresenta locais cativantes e misteriosos e no processo que utiliza para a descodificação da tradução correta de uma língua ancestral que a narrativa prende de forma mais segura a nossa atenção. A exploração propriamente dita, isto é, movimentar a personagem pelos cenários está longe de ser um processo fluído, mas o jogo é inteligente na forma como entrega o seu diálogo em tempo real à medida que se vão movimentando.

Enquanto algumas conversas servem acima de tudo para dar mais profundidade ao mundo de jogo, outras oferecem opções de diálogo que vos permitirão moldar a personalidade da protagonista e, claro está, obter ou não informações vitais para a investigação. Ainda assim, Heaven’s Vault apresenta alguns problemas neste departamento, sobretudo na forma como não torna claro a importância daquilo que escolhemos dizer ou perguntar ou até mesmo o tempo que temos para explorar um diálogo ao máximo.

Apesar de apresentar ligeiros momentos vocalizados, a obra da Inkle beneficiaria claramente de uma vocalização constante dos seus diálogos, já que a banda sonora é bastante minimalista o que faz com que o silêncio predomine em momentos em que provavelmente não o deveria fazer. No departamento gráfico fica também a sensação que o estilo visual não resulta tão bem em movimento, com a sobreposição de personagens 2D em ambientes 3D a prestar-se melhor aos momentos em que o jogo se mostra quase como uma pintura em aguarela.

Acima de tudo, esta pequena amostra revela o potencial de um título que terá na sua capacidade para saciar e aguçar em doses semelhantes a curiosidade do jogador para descobrir o paradeiro do colega desaparecido, aquilo que este procurava revelar ou esconder sobre o mundo e conhecer todas as dinâmicas que dominam as relações entre os locais da Nebula. Se o conseguir fazer do princípio ao fim, então será certamente uma obra bastante interessante.

Heaven’s Vault deverá chegar ao PC e PS4 esta primavera.

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