Com o país, e uma boa parte do mundo, fechado em casa para fazer face à rápida propagação do vírus COVID-19, o momento é apropriado para a partilha de algumas sugestões para passarem o tempo no domicílio na companhia de entretenimento videojogável.

Como sempre, este espaço serve precisamente para isso, mas antes da apresentação das escolhas da equipa, fiquem com aquilo que de mais importante se publicou por estes lados ao longo da semana.

Depois de ter destacado o título na edição transata desta rubrica, Filipe Urriça expandiu as suas considerações em relação a The Longing, uma proposta peculiar onde "não há gratificação instantânea" e a conclusão chega apenas quatrocentos dias após o seu início. Por sua vez, Pedro Marques dos Santos publicou a sua análise a Two Point Hospital, mais concretamente à adaptação do excelente simulador de gestão hospitalar às consolas.

Sem mais demoras, fiquem com as obras que a equipa decidiu destacar esta semana e, porque nunca é de mais reforçar essa ideia: protejam-se, fiquem por casa e sigam as instruções da Direção-Geral da Saúde.

Pedro Martins, Diretor de Conteúdos - Overpass, PS4

Gosto bastante de jogos de condução e, refletindo sobre essa paixão antiga, parte estará certamente associada à superação pessoal e da competição. Overpass é um jogo de superação, sim, em que face às adversidades do cenário temos que desafiar a lei da gravidade e chegar ao fim, fazendo o melhor tempo possível.

Isto é mais fácil escrever do que fazer. A proposta da Zordix é difícil, levando o jogador por terrenos acidentados enquanto tenta descortinar o melhor caminho a seguir. Foram diversas as vezes durante a minha estadia por estas terras que o resultado foi desastroso - e suspeito que em algumas ocasiões a culpa não tenha sido necessariamente minha. 

Estamos perante um título todo-o-terreno em que pilotamos um buggy ou então uma moto-quatro. Sabemos que o caso requer a nossa habilidade toda quando é-nos dito que podemos bloquear o diferencial, o que ajuda na tração, mas reduz - e muito - o ângulo com que podemos curvar. 

Overpass tem os seus momentos inspirados quando sentimos o desafio para fazer melhor. O meu maior problema com o jogo é que, por diversas vezes, a mesma habilidade e a mesma tecnicidade tiveram resultados bem diferentes. Ou seja, a minha confiança em atacar estas subidas e em negociar estes obstáculos é pouca. É pena que assim seja, porque em última análise sente-se que estamos a ser penalizados ou recompensados fazendo praticamente a mesma coisa.

Pedro Marques dos Santos, Redator - Nioh 2, PS4

Depois de ter ficado rendido a Sekiro: Shadows Die Twice no ano passado, é com um maior interesse e curiosidade que me preparo para ser destruído ao longo dos próximos dias - provavelmente, semanas - por Nioh 2, a sequela do RPG de ação da Team Ninja inspirado na fórmula popularizada pelos títulos da FromSoftware.

Ainda não arranquei devidamente a aventura, tendo ainda passado apenas pelo curto tutorial de abertura do jogo, onde testei os diferentes tipos de armas à disposição do jogador, bem como as transformações Yokai proporcionadas por espiritos guardiões. A diversidade de opções de ataque - cada arma tem a sua própria árvore de habilidades -, bem como a manutenção das diferentes posturas de ataque - High, Mid e Low - prometem um combate que, pelos menos nos curtos confrontos do tutorial, se mantém fluído e veloz.

Dificilmente será esta a única vez que trarei Nioh 2 até este espaço, basta recordar o que sucedeu com Sekiro, mas espero que este título seja capaz de capturar a minha atenção de forma mais vincada do que o original e de proporcionar o mesmo sentimento de conquista e recompensa que a mais recente proposta da FromSoftware.

Filipe Urriça, Redator - Gwent: The Witcher Card Game, Android

Nunca joguei um único The Witcher, porém vi um apelo muito grande em jogar Gwent. Desde que vi o entusiasmo todo em torno do jogo de cartas, enquanto este ainda só estava confinado ao terceiro jogo da série principal, que me mantive atento aos desenvolvimentos da obra, pois já estou cansado de ouvir falar em Hearthstone. A Blizzard precisa de um concorrente a sério, que não desista a meio como a Bethesda.

Já consegui ver que Gwent é um excelente jogo de cartas, mesmo sem ter jogado tudo o que está disponível. Contudo, no lado técnico, acho que não necessita das cartas com tanta animação, um desenho estático com a arte característica do jogo era suficiente. Talvez seja isso que leve o jogo a ocupar 3,76 GB de memória. Em telemóveis mais antigos é uma excelente forma de tornar o equipamento mais lento.

Quanto ao jogo em si, não é uma obra simples, apresentando camadas cada vez mais complexas de jogabilidade para serem dominadas pelo investimento que os jogadores fazem ao jogo. É uma proposta com regras bem claras, mas há tantas interações entre as cartas que é difícil entrar pela primeira vez neste mundo. 

Porém, é também um jogo bastante recompensador, quando já se começam a entender alguns processos. Obviamente que esta recompensa chega mais cedo para quem já está habituado a este tipo de jogos. E é por aqui que o jogo falha, na minha opinião: devia ter um tutorial melhor. Por exemplo, não é bem explicado para que servem os dois sítios onde podemos colocar as cartas na mesa. Portanto, invisto mais algumas horas e tenho a certeza que terei diversão para muito tempo.

Continuem a conversa nos fóruns VideoGamer!