Mais uma semana passou e por isso eis que chega novamente o dia em que a equipa editorial do VideoGamer Portugal se reúne neste espaço para partilhar com os leitores alguns dos títulos a que vai dedicando o seu tempo nestes dias de isolamento social. Antes disso, uma menção para a análise - a única desta semana - de Filipe Urriça a Good Job!, um peculiar jogo de puzzles em cenário empresarial publicado em exclusivo na Switch.

Sem mais demoras, fiquem com as obras que a equipa decidiu destacar esta semana.

Pedro Martins, Diretor de Conteúdos - Vasilis, PS4

Há algum tempo que tenho Vasilis instalado na minha PlayStation 4 e esta semana resolvi dar-lhe alguma atenção. Desenvolvida pela Marginal act, a obra fica definida desde os primeiros segundos pelo seu impacto visual. É um jogo desenhado à mão, apresentando-se com uma estética sobretudo a preto e branco que rapidamente fica na memória.

Jogamos com uma personagem chamada Vasilis, que começa a aventura à procura do seu marido, Peter. Pouco depois, encontra um morto na rua que não é o seu marido. O nervo narrativo, durante a minha estadia com o jogo, passa por muito por saber onde é que está Peter e quem é a pessoa que faleceu.

Obra com uma perspectiva em duas dimensões, Vasilis mostra panos de fundo estáticos e, por exemplo, personagens sobrepostas que têm um movimento particular. Este tremeluzir dá-lhe vida, mesmo sem rostos ou deslocações definidas. Por outro lado, a navegação deixou, durante estes momentos, a desejar. Mesmo com um mapa e com indicações no cenário, sente-se que podia ser mais polida.

Uma nota final para o quão acertada foi a escolha de dar vida à obra com este estilo gráfico. O local onde Vasilis se encontra está em rebuliço e em quase todos os recantos sente-se a falta de esperança e as pessoas a fervilhar. O preto e o branco não só dão-lhe carisma, dão também ao jogador a sensação desse desprovimento de cor nas vidas destas pessoas e deste local. As grandes questões são: até onde chegará a história e até onde este desenvolvimento artesanal não prejudicará o aspecto funcional da obra.

Pedro Marques dos Santos, Redator - Persona 5 Royal, PS4

São já mais de 80 as horas que coloquei em Persona 5 Royal e sei, por ter terminado o original com quase 110 horas no relógio, que ainda me falta bastante para chegar ao conteúdo completamente novo deste relançamento. Depois deste tempo todo em Royal, fica para já a sensação de que há, até este momento, pouco para justificar o preço de admissão para aqueles que compraram o original.

As diferenças por enquanto são mínimas e embora existam múltiplas melhorias ligeiras à experiência que tornam um RPG que já era excelente ainda mais agradável, as novidades ao nível narrativo tardam em fazer-se sentir. O psicólogo Maruki, um dos novos Confidants da obra, tem uma história interessante, e Kasumi cativa sempre que se junta à ação, mas são gotas de água no oceano que é Persona 5.

Bem sei que as principais novidades estão reservadas para o semestre adicional que tem lugar após o término da campanha original, mas há que ter em conta que para lá chegar é preciso jogar uma centena de horas de conteúdo que, por muito bom que seja, permanece maioritariamente inalterado. Dito isto, quem não jogou o original tem poucas desculpas para não jogar esta versão melhorada.

Filipe Urriça, Redator - Cat Girl Without Salad, Switch

Cat Girl Without Salad: Amuse-Bouche é um jogo que já é estranho só pelo nome, mas depois de jogá-lo dá para perceber do que se trata. A WayForward, tal como todas as outras produtoras de videojogos, têm ideias que nem sempre se conseguem transformar num videojogo. Cat Girl Without Salad: Amuse-Bouche parece ser uma dessas ideias.

Neste título controlamos uma rapariga, que parece saída de um anime e viaja pelo Espaço. Nesse Espaço jogamos um shooter à moda antiga, onde temos de eliminar o maior número de inimigos para aumentar a nossa pontuação, ou sobreviver às suas investidas até chegar ao boss final.

Como já o disse, o jogo não é estranho só pelo nome, as armas utilizadas para fazer inimigos explodir ainda conseguem ser mais. A arma principal é uma extensão do braço da nossa heroína, mas pode apanhar cartuchos de jogos para modificar o disparo da sua arma. Por isso vão poder disparar bolas de golfe, atacar com um espada como se estivessem num Final Fantasy ou disparar um Pac-Man que destrói tudo à sua passagem. 

Enfim, é um jogo muito estranho que podia ser divertido, mas coloca mais frustração do que diversão na jogabilidade. Este devia ser um protótipo que devia ter permanecido como tal, contudo, alguma mente brilhante da produtora que nos entregou a excelente série Shantae teve a grande ideia de terminar algo que parece inacabado. 

Continuem a conversa nos fóruns VideoGamer!