Com a PlayStation 5 finalmente disponível por terras nacionais e em praticamente todo o resto do globo, a nova geração de consolas está aí em força para fazer as delícias dos jogadores. Não é por isso surpresa que, no regresso a este espaço semanal de partilha, dois dos três elementos da equipa tenham trazido à baila dois jogos testados na nova consola da Sony.

Antes disso, importa relembrar que Pedro Marques dos Santos publicou no início da semana a sua análise a Spider-Man: Miles Morales, obra jogada ainda na velhinha, mas fiável PlayStation 4. Sem surpresas, há alguns soluços técnicos esperados de um jogo produzido para duas consolas com poderio bastante distinto, mas quem não quiser já esvaziar a carteira numa nova consola pode ficar descansado porque a versão PS4 é bastante competente.

Sem mais demoras, fiquem com as obras que a equipa decidiu destacar esta semana.

Pedro Martins, Diretor de Conteúdos - The Pathless, PS5

The Pathless tem sido uma compulsiva dança em mundo aberto. Desenvolvido pela Giant Squid, produtora que assinou o interessantíssimo Abzû, o jogo apresenta cenários de dimensões generosas, incessantemente convidando o jogador à exploração relaxada. Durante os últimos tempos, tem sido uma obras a fazer a minha PlayStation 5 consumir energia.

No centro da narrativa está um mundo onde os deuses caíram, com o jogador a ter que restaurar-lhe a velha forma purificando guardiões que foram corrompidos. No centro da sua jogabilidade, todavia, está uma mecânica que tem tanto de simples como de hipnótica. Deslocar-nos pelo mundo de The Pathless ainda não deixou de ser um deleite.

Apontamos com o nosso arco a itens que têm a forma de diamante. Depois de bloquear a mira, atiramos a seta num ato que o jogo faz com alguma generosidade. Sempre que acertam, movem-se mais rapidamente. E como os diamantes estão espalhados de forma lógica, há um momentum que se vai mantendo, alimentando a exploração que se revela recompensadora, rítmica e um embalo para os sentidos.

Na PlayStation 5, o grafismo foi criado para edificar cenários prontos para serem cortados pela personagem. Não sei se The Pathless terá fôlego para manter estas virtudes até os créditos aparecerem no ecrã, porém, para já tem sido uma boa experiência. Se querem um lembrete de que os videojogos podem ser imaginativos e contemplativos, prestem atenção à nova obra da Giant Squid.

Pedro Marques dos Santos, Redator - Astro's Playroom, PS5

Podia ter começado a minha experiência na PlayStation 5 com uma obra bastante mais impressionante no departamento visual, como Demon's Souls Remake, por exemplo, mas a verdade é que, tal como tantos outros, foi em Astro's Playroom que coloquei os meus primeiros minutos de jogo na nova geração - e não foi só porque era o jogo mais rapidamente acessível, enquanto os restantes descarregavam.

Ainda assim, a opção de começar em Astro's Playroom foi uma escolha premeditada para perceber o real potencial do DualSense, o comando que acompanha a nova consola. Dos poucos níveis que já tive oportunidade de jogar, nomeadamente a Selva do GPU, o feedback háptico é interessante, mas quem brilha mais alto são os gatilhos adaptáveis. É um pormenor, é certo, mas é inegável a eficácia do efeito que o comportamento dos gatilhos tem consoante a ação que estamos a realizar.

O potencial para as produtoras é imenso, mas resta saber se e como o vão aproveitar. Para além de ser um bom indicador do potencial do comando, ajuda também que Astro's Playroom seja um título de plataformas bastante competente e recheado de referências não só aos elementos que compõem o interior da máquina, mas também à vasta história da marca PlayStation.

Filipe Urriça, Redator - Journey of the Broken Circle, Switch

Não esperava começar um jogo e ser literalmente aquilo que o título sugere. Estou a jogar Journey of the Broken Circle e é precisamente isto que este jogo independente oferece. Controla-se um círculo partido que parte à aventura para encontrar a fatia que lhe falta para ser um círculo bem redondo.

No fundo, este título da nakana.io é um jogo de plataformas muito simples. Felizmente, o início evoluiu de um inclinar do analógico esquerdo para a direita, para ter de saltar para sítios mais complicados de alcançar. E mesmo quando complica, Journey of the Broken Circle continua a ter a simplicidade que mostrou ao início.

O que é estranho, que terei de descobrir mais tarde, é se este círculo não representa algo mais que um círculo sem uma fatia, ou seja, algo similar a um Pac-Man branco. Parece que este jogo pretende representar algo mais, talvez a condição humana quando é confrontada com a solidão.

Jogar Journey of the Broken Circle tem sido divertido, não pela jogabilidade em si, mas pelos diálogos que tem e as personagens curiosas com as quais nos cruzamos. Sinto uma grande curiosidade para terminar este jogo e ver onde me leva depois de já ter atravessado montanhas, grutas e lagos gelados.

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