Num 25 de abril com liberdade mais restrita que o desejável, o VideoGamer Portugal reúne-se neste espaço para partilhar com os leitores alguns dos títulos a que vai dedicando o seu tempo nestes dias de isolamento social. Antes disso, fiquem com a habitual resenha do que de mais importante se publicou por estes lados nos últimos tempos.

Na segunda-feira, Pedro Martins abriu as hostilidades com a sua análise a The Shattering, uma aventura emocional pelas memórias pouco agradáveis de uma vida de altos e baixos. No dia seguinte, o mesmo autor partilhou o seu veredito em relação a The Flower Collectors, obra de investigação experienciada a partir de uma varanda com vista para uma praça.

Já na quarta-feira, Filipe Urriça ofereceu a sua opinião final sobre Tharsis, uma aventura no Espaço em moldes de jogo de tabuleiro. Por sua vez, Pedro Marques dos Santos regressou da cave após terminar Persona 5 Royal, a nova edição do excelente RPG, com quase 130 horas na bagagem. Finalmente, Filipe encerrou a semana com um artigo sobre a componente multijogador de Luigi's Mansion 3.

Sem mais demoras, fiquem com as obras que a equipa decidiu destacar esta semana.

Pedro Martins, Diretor de Conteúdos - Beyond Blue, iOS

Beyond Blue é uma daquelas obras onde é muito fácil ignorar objetivo que está bem definido no ecrã. Estamos no fundo do oceano e temos que ir encontrando e identificando inúmeras especies diferentes. Pelo caminho, há bóias que permitem marcar os próximos objetivos. Assim, quem quiser sabe perfeitamente para onde tem de ir, mas parte da experiência é simplesmente a exploração.

Há uma história não só entre os cientistas que estão na expedição, mas também com as pessoas que ficaram em terra. Mirai, a protagonista, deixou à superfície a sua irmã que está a tomar conta da avó com demência. Há um cientista que parece confrontacional, mas que em última instância está irritado pelo que está a acontecer às tartarugas. Perceber estas veias narrativas é ir parando entre mergulhos num porto seguro subaquático, fazendo escolhas no diálogo que é apresentado.

O jogo tem lançamento confirmado no PC, PlayStation 4 e Xbox One em junho, mas para já está disponível no Apple Arcade. Experimentar estes cenários azuis que se desdobram em profundidades e em tonalidades com o ecrã tátil só se complica quando Mirai tem que passar por locais estreitos, como quando perseguimos um polvo. Felizmente, o emparelhamento com um DualShock 4, por exemplo, continua a ser fácil.

Pelo avançar narrativo e pela quantidade de criaturas que já tenho registadas, o final não deverá estar longe. Acredito que o grafismo seja melhorado nas plataformas que o vão acolher em junho, mas mesmo num iPad, há um envolvimento relaxante, capaz de nos transportar momentaneamente para aquele grande palco de água. Ajudam, claro, os efeitos sonos. Se têm uma subscrição, vale a pena aprender com Beyond Blue.

Pedro Marques dos Santos, Redator - Final Fantasy VII Remake, PS4

Confesso que não fiz grande progresso em Final Fantasy VII Remake desde a última vez que o trouxe a este espaço, uma vez que Persona 5 Royal precisou da minha atenção de forma praticamente ininterrupta durante estas últimas passadas. Dito isto, agora que o denso RPG da Atlus está terminado, posso finalmente focar atenções nesta primeira parte da aventura de Cloud e companhia.

Antes de escrever este texto estive - literalmente - a passear-me pelos bairros de lata situados no patamar inferior de Midgar. Mais especificamente, estive ouvir os seus residentes. Conversas descartáveis no geral, sim, mas importantes para nos situar neste mundo e para alicerçar o contraste entre o luxo do setor em que a obra arranca - que acaba destruído após a explosão do reator - e a pobreza dos menos afortunados.

Também tive oportunidade de começar a realizar algumas missões secundárias e posso confirmar que já sou perito na desinfestação de ratos. Entretanto vou também realizando alguns objetivos de combate para Chadley. Nada de muito glamoroso para já, mas é o que acontece quando se evita propositadamente o caminho que faz a narrativa avançar.

Filipe Urriça, Redator - Pirates Outlaws, PC

Um dos jogos que mais gostei em 2019 foi Slay the Spire. Por isso, fiquei surpreendido quando joguei algumas partidas de Pirates Outlaws e comecei a constatar que a obra da Fabled Game tinha sido claramente inspirada por Slay.

Em vez de sermos um feiticeiro que vai fazendo paragens por diversas masmorras, vestimos a pele de um pirata que navega de ilha em ilha até ao boss final, enquanto procura fama e ouro. O que queremos é construir o melhor baralho de cartas possível para assim termos mais probabilidades de sobreviver e ultrapassar todas as situações.

É um jogo difícil, principalmente enquanto não percebermos totalmente as mecânicas de carregamento das nossas armas e a forma como existe sincronia com as diferentes cartas. Enquanto que eliminar inimigos até chegar ao boss final possa ser razoavelmente fácil, o desafio é precisamente derrotar o boss que nos coloca um grande desafio.

Pirates Outlaws, felizmente, não é uma cópia a papel químico de Slay the Spire, mas um jogo muito similar com as suas próprias mecânicas. O difícil é perceber que mecânicas funcionam melhor para a forma como jogamos e que personagens melhor se adaptam à nossa progressão.

Continuem a conversa nos fóruns VideoGamer!