Com mais uma semana terminada, ainda que com eventos digitais ligados à Gamescom a decorrer, a equipa do VideoGamer Portugal regressa a este espaço para partilhar com os leitores as obras às quais foi dedicando o seu tempo ao longo dos últimos dias. Antes disso, e como é habitual, fica o resumo do que de mais importante se publicou por estes lados esta semana.

Na terça-feira, Pedro Martins partilhou o seu veredito em relação a Next Stop Nowhere, a nova obra dos produtores de Oxenfree e Afterparty que se estreou no mercado através do Apple Arcade e não se mostrou à altura dos seus antecessores. Por sua vez, Filipe Urriça analisou Skelattack, obra de produção independente que acabou por ser publicada pela Konami. Infelizmente, também não satisfez de sobremaneira o redator.

Sem mais demoras, fiquem com as obras que a equipa decidiu destacar esta semana.

Pedro Martins, Diretor de Conteúdos - Microsoft Flight Simulator, PC

Há alguns jogos que saltam do meio de entretenimento, catapultando os fãs para uma estadia duradoura, tornando-se esteios de opiniões e de sensações. Microsoft Flight Simulator é um desses jogos. Tem uma essência de simulador, claro, mas é muito mais do que isso: é a aprendizagem pura para quem lhe quiser dedicar horas de trabalho, mas é também a estadia pacífica para quem quer abstrair-se destes dias rodopiantes.

Sentado no cockpit tive uma experiência zen idêntica ao que tinha sentido quando acumulei centenas e centenas de horas em Euro Truck Simulator. Os controlos da obra da Asobo podem ser acedidos através do teclado e rato, ou através de um comando de consola. É um detalhe, sim, mas é um detalhe que mostra na prática o quão moldável o título é. Microsoft Flight Simulator é quase tudo o que quiserem fazer com ele.

É quase uma inebriação estar perante tantos botões e alavancas, perante um circo que costumo ver nos documentários sobre os desastres aéreos. As comunicações com os controladores - que podem ser mantidas pelo jogador ou entregues à Inteligência Artificial - continuam a imersão, tal como os incontáveis apontamentos gráficos.

Estamos perante um trabalho longo da Asobo, um trabalho de amor. O resultado é uma obra de facílima recomendação, especialmente porque pode ser experimentado através do Xbox Game Pass. Dêem-lhe uma oportunidade nem que seja para perceberem o encanto de voar, de aproveitarem algumas horas para tirarem os pés do chão. Pode ser uma ilusão, mas é uma ilusão vívida e hipnotizante.

Pedro Marques dos Santos, Redator - Spiritfarer, PS4

Como acontece todos os anos, o final de agosto marca o momento em que os lançamentos se começam a acumular e as obras merecedoras de atenção se vão multiplicando pelas diversas plataformas. Com vários títulos em mão à espera de análise, Spiritfarer, o absolutamente lindíssimo título da Thunder Lotus, é o primeiro a receber destaque neste espaço.

Ainda estou numa fase precoce da aventura, pelo que os primeiros momentos têm servido sobretudo para ficar dos diferentes elementos de gestão da obra, como a obtenção de recursos, cozinhar elementos, construir jardins, quartos e outras áreas no navio que transporta as almas perdidas até à vida depois da morte.

É um início suave, o que acaba por fazer sentido num título que se descreve como uma experiência tranquila, mas que ainda não revela aqueles que poderão ser os seus principais trunfos, ou seja, as personagens e as histórias que têm para contar. Por enquanto, aquelas que já conheci estão focadas em ensinar a Stella e ao seu peludo companheiro Daffodil as funções de um Spiritfarer, pelo que as suas personalidades ainda não assumiram o papel de destaque que se espera que venha a acontecer.

Filipe Urriça, Redator - Manifold Garden, Switch

Os jogos de puzzles são cativantes e se forem inspirados nas obras do artista gráfico holandês, Maurits Cornelis Escher, ainda mais interessantes se revelam. Adorei Antichamber e quando vi esboços de Manifold Garden, pensei que teria uma extensão da experiência que tanto gostei na obra da Demruth.

Infelizmente, Manifold Garden, nas primeiras sessões não me cativou. Nas sessões posteriores, o jogo está a agradar-me mais, apesar de ainda não lhe ter descoberto a lógica. A principal mecânica do jogo é rodar o cenário a noventa graus, para depois chegarmos às portas que nos levam por outros caminhos.

O problema de Manifold Garden é não sabermos para onde ir e quando escolhemos um dos vários percursos não sabemos para onde este nos leva. O que é certo é que estamos num puzzle gigante e temos de lhe atribuir a lógica que este quer mostrar, porque as leis da Física estão, como já esperava, completamente desorganizadas.

Manifold Garden, já nas primeiras horas, revela-se cada vez mais curioso sempre que volto de uma sessão de onde saí frustrado pela falta de respostas. É um efeito curioso, mas assim as minhas sessões são cada vez mais longas, apesar que o produto final nunca será o excelente Antichamber, o pináculo dos jogos baseados no trabalho de Escher.

Continuem a conversa nos fóruns VideoGamer!