VideoGamer Portugal por - Oct 3, 2020

Hades (já) é um bom rogue-lite

Quando Poseidon disponibilizou o seu Tidal Surge, a minha curiosidade foi maior que o meu lado racional. Podia estar a escrever sobre várias obras de entretenimento, mas estas primeiras linhas são sobre a experimentação que já existe em Hades, o novo jogo da Supergiant Games, produtora responsável pelos carismáticos Bastion, Transistor e Pyre.

Quebrando o molde que estava a ser estabelecido o trio de jogos mencionados, a produtora tenta agora fazer algo nos rogue-lite, para alegria de alguns e desilusão de outros. Disponibilizado em exclusivo na Epic Games Store em formato Early Access, durante os últimos dias tenho acumulado horas a conhecer os cantos e recantos das salas já disponíveis – 27 por enquanto.

Jogamos como Zagreus, Príncipe do Submundo e filho de Hades, ou melhor, filho de Lord Hades. Morrer é comum e uma inevitabilidade, claro, mas sempre que tal acontece somos enviados para House of Hades, onde podemos melhorar parâmetros (vitalidade, dano, etc) da personagem em frente a um espelho, mas também falar com o nosso austero – e cáustico – pai, com Aquiles ou com Cerberus, por exemplo. Nyx também está lá por entre almas moribundas.

Aliás, parte do allure da nova obra é este contacto e contextualização de figuras mitológicas, com a produtora a sabê-lo bastante bem – logo no início da obra recebemos uma mensagem de Athena e minutos depois Zeus é chamado ao serviço, entre outros “tios” de Zagreus. Além de fazerem parte do folclore, são figuras que graças às suas mensagens permitem-nos experimentar poderes e itens que mudam consideravelmente os processos da jogabilidade.

Portanto, morrer e melhorar é uma formalidade advinda do género, mas a Supergiant sabe, pelo menos para já, sabe como tornar esse ciclo prazeroso, não só pelos comentários que as personagens fazem sobre a nossa morte, mas sobretudo porque o factor novidade vai sendo renovado, seja com a apresentação de novos Deuses do Olimpo, seja com a abertura de novas divisões em House of Hades, seja com o Codex que Aquiles nos dá e permite saber mais sobre os Deuses graças às conversas que vamos mantendo com os NPCs, seja pela apresentação de novas armas além da espada inicial.

E é precisamente pela jogabilidade que Hades tem tudo para se afirmar como mais um bom jogo. A Supergiant Games, mesmo não tendo muita experiência específica no género, compreendeu os seus pilares, ou seja, a jogabilidade encaixa na perfeição no ciclo vida-morte-melhorias-vida, pelo que é desde já bastante divertido e motivador dedicar horas à obra, desde que tenham a noção que claramente não é um produto acabado.

Além do ataque principal – que muda, por exemplo, no dano infligido e na rapidez de ataque – é também possível fazer experiências com os parâmetros de Cast e de Dash, com este último a levar-nos de volta à primeira linha deste texto. Estamos a falar de poderes que podem ajustar a jogabilidade ou revolucioná-la completamente, obrigando o jogador a mudar o seu estilo de ataque e defesa nas salas a que vai acedendo.

Com inimigos dotados de vários padrões de ataque, sejam ligeiros ou pesados, sejam corpo-a-corpo ou à distância, experimentar e voltar a experimentar varia a jogabilidade, que é extremamente recompensadora. A dança entre atacar e esquivar é muita e está desde já muito afinada e refinada, o que permite compreender que Hades arranca com uns alicerces fortíssimos.

A isto alia-se um grafismo que deixa qualquer um boquiaberto, pela diversidade de salas, mas sobretudo pela atenção ao pormenor de cada uma e de cada personagem; uma banda sonora que faz jus ao que já é uma tradição das obras da Supergiant Games, ou seja, é tão boa que se presta a ser ouvida mesmo quando não estão a jogar, e uma escrita que inclui humor e linhas de diálogo memoráveis, o que não será propriamente uma surpresa se tivermos em consideração que é Greg Kasavin que volta a assinar o argumento. Nota-se que apesar de ser uma aposta num novo género, alguns dos pilares dos títulos anteriores da produtora continuam bem definidos.

Ainda faltará algum tempo para a versão final do jogo chegar ao mercado, com a produtora a prometer mais funcionalidades, personagens, poderes, ameaças, cenários, entre outros, até ao lançamento definitivo. Mas ainda com relativamente pouco conteúdo, Hades já tem vários pontos, os mais básicos, executados com mestria. A próxima atualização está marcada para daqui a aproximadamente trinta dias e eu vou lá estar para experimentar todas as novidades.

Hades está disponível em exclusivo na Epic Games Store por 19,99€.

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