Dada por terminada mais uma semana de trabalho, a equipa editorial do VideoGamer Portugal regressa a este espaço para partilhar com os seus leitores algumas das obras a que foi dedicando o seu tempo ao longo dos últimos dias. Como sempre, antes disso, fiquem com a resenha do que de mais importante se publicou por estes lados durante esta semana.

Com uma análise da autoria de cada um dos nossos redatores residentes, Pedro Martins abriu as hostilidades com o seu veredito a Little Orpheus, obra de plataformas do estúdio responsável por Dear Esther e Everybody's Gone to the Rapture disponível no Apple Arcade. 

Pedro Marques dos Santos ofereceu a sua opinião final sobre 1971 Project Helios, título de estratégia por turnos minado por problemas técnicos na PlayStation 4. Finalmente, Filipe Urriça analisou Resolutiion, jogo de ação visualmente interessante, mas ocasionalmente frustrante.

Sem mais demoras, fiquem com os jogos que a equipa decidiu destacar esta semana.

Pedro Martins, Diretor de Conteúdos - The Night Fisherman, PC

The Night Fisherman não precisa de muito tempo para se estender pela memória de quem o joga. Disponível de forma gratuita no Itch.io e no Steam, a obra da Far Few Giants pode ser terminada em menos de vinte minutos. Todavia, o tema e a forma como o aborda elevam-no a algo que deve ser experimentado por todos.

É uma obra onde a narrativa assume o destaque e a jogabilidade assenta nas escolhas que podem fazer durante estes minutos. Vestimos a pele de um pescador que é abordado por outro barco no meio do mar e interrogado durante a noite.

Quem o interroga, Churchill, tem uma arma e a conversa entre os dois versa apenas sobre um tema: a imigração ilegal. A profissão de Churchill é patrulhar o mar e as cavernas à procura de imigrantes, e o pescador faz parte dessa narrativa volvidos apenas alguns minutos.

Durante a sua curta duração, The Night Fisherman aborda o tema do racismo de forma direta e sem rodeios, passando uma mensagem que todos devem receber. Num determinado momento, é revelado a alcunha pela qual Churchill é conhecido: “The Kidfisher”. É uma alcunha crua que faz o jogador parar para pensar no contexto que é aplicada.

Mais: Churchill está orgulhoso e acrescenta “Sim! Um nome que mereci conquistar”. Mais ainda: “Eles chamam-me isto porque sou o melhor a pescar imigrantes deste canal antes que cheguem à costa”. É impossível ler isto e ficar indiferente. The Night Fisherman abre uma linha de pensamento e de sentimento, devendo ser um videojogo experimentado e as suas ideias debatidas.

Vale a pena dedicar um parágrafo ao final sem obviamente o estragar. The Night Fisherman não poupa o jogador, confia que quem o começa a jogar está preparado para ter uma visão adulta e desperta sobre o tema. O final é o elevar dessa confiança, não enveredando por um “e viveram felizes para sempre”, ou seja, é um final que espelha com pertinência a crueza, a dureza, a injustiça que tem em mãos.

Pedro Marques dos Santos, Redator - The Outer Worlds, Switch

Não há como negar esta evidência: por muito interessante e agradável que seja a possibilidade de jogar um RPG como The Outer Worlds, o mais recente título dos mestres do género na Obsidian, de forma portátil na Nintendo Switch, as suas limitações acabam por resultar num produto que não faz jus à experiência nas suas melhores condições.

A consola da Nintendo já surpreendeu através de adaptações interessantes de obras tecnicamente poderosas, como The Witcher 3 ou DOOM, no entanto, com The Outer Worlds ficam por demais evidentes as fragilidades técnicas da plataforma. The Outer Worlds tem um aspeto muito, mas mesmo muito fraco na Switch, perdendo praticamente todo o charme do estilo visual original, com texturas despojadas, vegetação sem detalhe e ambientes pobres.

Para além da pobreza técnica, também não é muito surpreendente descobrir que os Joy-Con estão longe de ser o melhor comando para obras com tiroteios na primeira pessoa, algo que volta a ficar claro sempre que a ação se torna mais frenética. No fundo, embora seja louvável a decisão de trazer um RPG em mundo aberto recente até à Nintendo Switch, a conclusão final é que esta é, sem dúvida, a pior forma de experienciar o aclamado título da Obsidian.

Filipe Urriça, Redator - Pokémon Café Mix, Android

O Pokémon Presents teve anúncios inesperados, do qual se destacou New Pokémon Snap para a Nintendo Switch. O que é certo é que todos os títulos apresentados têm um aspeto muito mais interessante do que Pokémon Sword and Shield, que é o jogo mais recente da principal série da The Pokémon Company. Por isso, decidi experimentar Pokémon Café Mix, que já está disponível para Android e iOS.

Obviamente, não esperava que este jogo se revelasse uma obra magnífica com uma experiência sem igual. Mas fiquei com a impressão correta: mais um jogo recheado de microtransacções para rechear os bolsos dos executivos da The Pokémon Company. Felizmente, ainda há muito para jogar antes das dificuldades e do aliciamento para comprar pacotes da unidade monetária do jogo chegarem. 

Pokémon Café Mix é um jogo de puzzles onde têm de atingir alguns objetivos com um número máximo de jogadas disponíveis. Vocês gerem um café, aparentemente, mas a única atividade a realizar são os puzzles. Quanto mais quebra-cabeças resolverem, mais preenchido fica o vosso café.

Sinceramente, ainda achei que ia obter uma experiência mais peculiar como Pokémon Quest ou Magikarp Jump. Café Mix acaba por ser igual a tantos outros jogos que inundam o mercado mobile e quando se atingir o ponto de frustração será mais fácil desinstalar o jogo do que continuar a resolver desafios redundantes. 

Continuem a conversa nos fóruns VideoGamer!