por - Aug 1, 2021

O que andamos a ver, 1 de agosto, 2021

Bem-vindos a uma nova edição da rubrica semanal O que andamos a ver, onde a equipa VideoGamer Portugal versa sobre propostas de entretenimento não-jogáveis que têm passado pelos seus ecrãs. E este domingo há propostas que vão desde o documentário até a uma comédia que foi adotada pela Internet.

O Pedro Martins escreve sobre os seus episódios que compõem Catch and Kill: The Podcast Tapes, documentário baseado no podcast de Ronan Farrow que detalha a sua investigação jornalística que culminou num incrível artigo publicado na revista The New Yorker. Escreve o diretor de conteúdos que vale bem o vosso tempo, tamanha é a qualidade e a importância.

Posteriormente, Marco Gomes exprime a sua opinião sobre O Gebo e a Sombra, a última das trinta e duas longa-metragens de Manoel de Oliveira. Escreve o responsável pelas imagens do site que “A vassalagem que as componentes técnica, formal, semântica prestam à palavra em seus filmes definem uma verdade, a nudez é-o na virtude e no pecado”.

Para terminar, o Filipe Urriça escreve sobre Ted Lasso, provavelmente a série mais popular do catálogo Apple TV+. Arrancou recentemente a segunda temporada do projeto de Jason Sudeikis e o redator afirma que “ainda bem que já estreou a segunda temporada daquela que considero ser a coqueluche do serviço de streaming da Apple”. Podem ler a edição da semana passada neste endereço.

Pedro Martins, Catch And Kill: The Podcast Tapes (HBO Portugal)

Catch And Kill: The Podcast Tapes é uma série documental dividida em seis partes. É uma nova representação que mostra em vídeo o podcast onde Ronan Farrow revela detalhes, destaques, entrevistas e processos da investigação jornalística que foi publicada na The New Yorker e que começou o processo do movimento #MeToo e a condenação de Harvey Weinstein.

Todos os leitores que tenham uma subscrição HBO devem assistir a este acontecimento jornalístico, uma vez que ao longo dos episódios ficamos a conhecer detalhadamente os bastidores e as dores do jornalista antes, durante e depois da publicação do artigo na prestigiada revista.

Farrow inclui trechos de entrevistas com as vítimas de assédio sexual e de violação, mas também como foi a intenção inicial de publicar a investigação na NBC e como a estação televisiva cancelou o projeto. Há também minutos dedicados à burocracia, às pressões dos advogados e ao nervosismo inerente a publicar um artigo que estava destinado a ser uma bomba.

E assim foi. Weinstein foi condenado a 23 anos de prisão. Mesmo que algumas das descrições sejam repulsivas, ilustram o que aquelas mulheres passaram e o facto de estas suspeitas serem à anos um segredo mal guardado na indústria sem consequências para Weinstein.

The Podcast Tapes é também um exercício jornalístico. Por exemplo, quando a The New Yorker deu finalmente luz verde para o artigo ser publicado, começou um trabalho excruciante que envolveu dois jornalistas apenas para fazer a verificação de tudo o que Farrow tinha escrito. Mais do que ser bom, Catch And Kill: The Podcast Tapes é importante. Os seis episódios já estão disponíveis.

Marco Gomes, O Gebo e a Sombra (DVD)

O derradeiro projeto de Manoel de Oliveira em cinema dá pelo nome de Um Século de Energia (2015), documentário de quinze minutos patrocinado pela EDP onde o mestre retoma um de seus testemunhos iniciáticos, Hulha Branca (1932), numa visão retrospetiva da geração de energia no século vinte.

Simbolicamente minha relação com a obra do realizador nortenho faz-se de parente fenómeno, no fim, na última de suas trinta e duas longa-metragem, O Gebo e a Sombra (2012), Gebo et L’ombre pelos capitais franceses, adaptada da peça de Raúl Brandão com edição original em 1923, encontro a adulação pelo teatro filmado dos primeiros registos vistos de Oliveira, correspondentes sensivelmente ao dealbar do segundo terço da carreira.

Essa visão da pobreza honrada nos sortilégios do afeto, se memória e lucidez de análise não cedem, é porventura a mais cinematográfica investida de Oliveira no teatro em fita. A direção de fotografia de Renato Berta, em especial o trabalho de iluminação austero e arrepanhadamente lúgubre, surge à cabeceira do desiderato, ex-aequo com o lastro e calo de atores de renome internacional, Michael Lonsdale, e intemporal, Claudia Cardinale, Jeanne Moreau.

Falamos de um cinema, no particular hoje trazido mas essencialmente no corpo de trabalho de Oliveira, cuja unidade matricial é a palavra. A anedota recorrente sobre o tempo arrastado de seus planos surge do abismo educativo para a sétima arte. A vassalagem que as componentes técnica, formal, semântica prestam à palavra em seus filmes definem uma verdade, a nudez é-o na virtude e no pecado.

Filipe Urriça, Ted Lasso (Apple TV+)

Jason Sudeikis é um bom ator, contudo, acho que ainda não teve uma performance que marcasse a sua carreira, ou pelo menos achava, até ter visto o grande exclusivo do serviço de streaming da gigante de Cupertino – Ted Lasso. A premissa é muito simples para se fazer uma comédia e nem sei como é que nenhum realizador não tinha pensado nisto.

A palavra futebol, football em inglês, representa dois desportos diferentes dependendo do país onde se pronuncia a palavra. Nos Estados Unidos, é o que nós chamamos de futebol americano, em qualquer outra parte do mundo é o que consideramos em Portugal de desporto rei. E que tal colocar um treinador de futebol americano a treinar uma equipa de futebol da liga inglesa? Sinceramente, é fantástico, sobretudo, porque não é uma série que vai atrás do humor fácil. Depende única e exclusivamente das personagens que construiu.

Ted Lasso, o nome do treinador, interpretado por Sudeikis, é uma pessoa realmente altruísta e simpática, é mesmo difícil apontar-lhe um defeito enquanto ser humano. Contudo, é constantemente questionado quanto à sua capacidade profissional para treinar uma equipa de um desporto que nem sequer percebe. É normal ser colocado em causa, afinal estão em jogo carreiras de jogadores que podem ser definidas pelas suas decisões.

Nesta série da Apple TV +, por muito que saibamos que a despromoção da equipa treinada por Ted Lasso seja quase inevitável, queremos sempre que esta ganhe, que nos surpreenda. Queremos acreditar, genuinamente, no improvável tal como Lasso ensina aos seus jogadores. Ainda bem que já estreou a segunda temporada daquela que considero ser a coqueluche do serviço de streaming da Apple.

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