VideoGamer Portugal por - May 1, 2022

O que andamos a ver, 1 de maio, 2022

Se estão a aproveitar este domingo para celebrar o Dia da Mãe ou o Dia do Trabalhador, O que andamos a ver tem um novo trio de recomendações que podem ajudar na passagem do dia. Há um filme, uma curta, e a continuação do estudo de uma caixa de DVDs.

Fã assumido de Christopher Nolan, Pedro Martins teve oportunidade de finalmente ver Tenet nos últimos dias, agora que está disponível na HBO Max. O cérebro ainda está a recuperar, mas escreve o diretor de conteúdos que é uma película recomendada – especialmente se o foco for a cena mais do que o cômputo geral do filme.

De seguida podem ler as palavras de Marco Gomes sobre a Colecção Charlot – O Génio da Comédia, este domingo versando sobre os capítulos cinco e seis, depois de ter abordado os fascículos anteriores aqui e aqui.

Finalmente, o Filipe Urriça continua a passear as retinas pelo Disney+ e teve oportunidade de ver mais uma curta Sparkshorts, este domingo dedicando os seus parágrafos a Vinte e poucos. Estamos perante a história de uma jovem que acaba de chegar à idade adulta.

Pedro Martins, Tenet (HBO Max)

Christopher Nolan é um dos meus realizadores de eleição. Foi por isso que fiquei entusiasmado quando constatei que Tenet tinha sido adicionado ao catálogo da HBO Max em Portugal. Vi o filme nos últimos dias e é, efetivamente, uma proposta que tem tanto de desafiante como de recompensadora.

Tenet começa com uma cena num auditório em Kyiv. Está a ser atacado quando o protagonista sem nome (John David Washington) entra em cena para revelar que, afinal, não é um dos atacantes, mas sim um agente da CIA que está infiltrado. Mas é uma cena que fica na memória porque uma bala faz o percurso temporal inverso.

É um aperitivo para a grande mecânica do filme, a “inversão”. Estamos perante um processo em que uma pessoa ou um objeto pode ter a sua “entropia” invertida. Ou seja, para quem está a experienciar o tempo a passar para a frente, parece que estes itens estão a movimentar-se no sentido contrário.

Não é a primeira vez que Nolan apresenta um engenho narrativo capaz de dar trabalho ao cérebro de quem vê – basta olhar para Inception – e certamente não é a primeira vez que o realizador dá protagonismo à passagem do tempo. Aqui, contudo, a “inversão” é um luxo que funciona melhor cena a cena do que no arco narrativo geral.

O protagonista conta com a ajuda de Neil (Robert Pattinson) enquanto lida com uma comerciante de armas (Dimple Kapadia) e, derradeiramente, com o milionário Andrei Sator (Kenneth Branagh) e com a sua mulher, Kat (Elizabeth Debicki). A história não é um marco, mas as cenas vividas pelo elenco perduram na memória.

Além da perseguição automóvel que esteve em destaque nos trailers, há uma cena em particular em que Sator e Kat contracenam com o protagonista numa sala dividida por um vidro que fará muitos pararem o filme para tentar compreender os dois lados da barricada. Foi exatamente o que fiz.

Tenet pode não ser o melhor filme de Nolan – fruto apetecido para tantas conversas – mas é recomendável. Quando terminarem as suas duas horas e meia, é natural que tenham perguntas, algo que faz sempre parte da “experiência Nolan”. Mesmo sendo longo, tenho vontade de o ver novamente, apanhar detalhes que me escaparam, dar horas extraordinárias à massa cinzenta.

Marco Gomes, Colecção Charlot – O Génio da Comédia, 5 e 6 (DVD)

Vinte e oito de Dezembro de 1895. Porventura na pena de outro camarada mas seguramente por esta antes aduzida n’O Que Andamos a Ver. Nova menção se faz da data simbólica da primeira projecção pública de cinema pelos irmãos Lumière para enquadrar o aparecimento meteórico de Charlie Chaplin na sétima arte.

Com contrato assinado em 1913 com a Keystone só no ano seguinte daria corpo ao manifesto para um futuro imediato de vertigem expresso em três indicadores. À segunda película entrado, Mabel’s Strange Predicament (1914), aí logo nasceria a personagem de Charlot -mas curiosamente ao espectador primeiro chegara Kid Auto Races at Venice (1914). Dois dos trinta e seis filmes creditado no ano de estreia -dado repetido da semana passada. Quase metade deles acumulando funções de realizador, argumentista e ator.

Tal produção fabril e febril, respetivamente no processo e desenvoltura, a custo equilibrava a oferta para a procura. Vinte anos passados sobre a data de abertura o cinematógrafo projetava ilusões a todo o mundo. Se certas tecnologias são introduzidas na indústria para, maioritariamente de forma auto-consciente, capitalizar sobre a novidade, imaginemos o meio como novidade mais a proliferação de avanços ocorrida em seus primórdios.

A preencher o sexto DVD da Colecção Charlot – O Génio da Comédia um deles se encontra, primeira longa-metragem do género comédia com distribuição comercial, As Bodas de Charlot (1914), Tillie’s Punctured Romance. Realizada pelo próprio dono da Keystone, Mack Sennett, nunca sobre seus setenta e três minutos de duração guardou Charplin as mais abonatórias impressões -explicado na pobreza franciscana do ensejo.

Recuando uma posição na ordem dos discos encerra-se no quinto a oferta em peças de tamanho minguado, renovando o queixume da limitada exploração desse material, o que condiciona a perceção evolutiva do autor. O alinhamento passa por O Evadido (1917) The Adventurer; Charlot na Rua da Paz (1917) Easy Street; Charlot nas Termas (1917) The Cure.

Filipe Urriça, Vinte e poucos (Disney+)

Vi mais uma curta de animação Pixar da coleção Sparkshorts, desta vez foi Vinte e poucos. Em cerca de meia dúzia de minutos, esta curta-metragem conta-nos a angústia que é crescer, nomeadamente, chegar à maioridade e deixar a imaturidade e falta de confiança para trás.

Uma jovem acaba de chegar à idade adulta e para celebrar este facto foi a uma discoteca dado que já tem a idade mínima, por lei, para entrar. A sua insegurança é tanta que não é só uma pessoa que vai à discoteca mas três, que representam diversas fases da sua vida – infância, pré-adolescência e adolescência.

Esta mistura de várias idades em personagens que representam uma única é que funciona tão bem nesta curta, além de ser muito interessante na narrativa que quer contar.

Enquanto animação, Vinte e poucos tem o aspeto de um bom programa que passava no Disney Channel, é colorido e com personagens assentes em modelos muito bem vincados que fazem parte da sua personalidade.

Mas é a representação de comportamentos e atitudes em diferentes fases da vida antes da idade adulta que é tão interessante. O Disney+ está cheio de boas curtas-metragens, Vinte e poucos é só mais um excelente exemplo de como transmitir uma mensagem em poucos minutos.

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