Numa manhã de domingo indecisa entre as nuvens carregadas e os raios de sol, a equipa VideoGamer Portugal volta a publicar um trio de recomendações para tentar ajudar um pouco a vossa tarde de fim de semana. Como é habitual, são três obras díspares entre si que estão disponíveis em três plataformas diferentes.

O Pedro Martins viu Se Tu Soubesses…, filme que pode ser visto no catálogo da Netflix. Vale a pena ver, escreve o diretor de conteúdos. O tema pode não ser original, mas a realizadora Alice Wu e um elenco com uma química saudável elevam esta mesclagem de comédia e drama a um patamar bastante interessante. É uma luta do amor contra o conservadorismo e os preconceitos.

Continuando a navegar por terras do Vimeo, o Marco Gomes viu durante os últimos dias Meu Caro Amigo Chico, documentário publicado originalmente em 2012. Curiosamente, acrescenta o Marco, Joana Barra Vaz, realizadora, ganhou um novo impulso na carreira quando deu a voz a um dos temas do Festival RTP da Canção.

Por sua vez, o Filipe Urriça visitou a HBO Portugal para finalmente dedicar alguns dos seus minutos para começar a testemunhar o que acontece na sexta e última temporada de Silicon Valley. Três episódios depois, está rendido às aventuras e desventuras de Richard e companhia. Espera não ficar desiludido com o final da temporada, escreve; o Pedro Martins já viu a totalidade dos episódios e atesta que isso dificilmente acontecerá.

Pedro Martins, Se Tu Soubesses… (Netflix Portugal)

Durante os últimos dias comecei a ouvir uns burburinhos sobre um novo filme que tinha chegado à Netflix: Se Tu Soubesses… (The Half of It no nome original). Realizada por Alice Wu, a película versa sobre um tema já incontáveis vezes abordado, mas dá-lhe carisma e algumas arestas que realmente o destaca dos demais.

Acompanhamos a jornada Ellie Chu (Leah Lewis), uma jovem com um alcance de pensamento e uma massa cinzenta que sobressai no seu círculo escolar. A polpa de Se Tu Soubesses… está ligada ao esquema que Ellie arranja para ajudar o seu pai a pagar as contas. A protagonista aceita ajudar Paul (Daniel Diemer) a escrever cartas de amor a Aster (Alexxis Lemire) para a tentar conquistar.

Contudo, o coração de Ellie quer mais do que ser apenas as palavras de Paul, começando e continuando a apaixonar-se por Aster. É uma história com inúmeras passagens comoventes, mas que tenta lutar contras os clichés. Ajuda imenso que o trio de personagens tenha uma química inegável, mas é sobretudo como Ellie cresce e se afirma que faz do filme uma recomendação.

Ellie tem que crescer perante o amor, sim, mas também perante uma comunidade fechada e conservadora. Importa ainda enaltecer o desfecho escolhido por Wu. Seria muito mais fácil enveredar por cenas finais mais aconchegantes para todos, mas o filme termina de uma forma que faz qualquer um sentir. Obviamente não seria justo estragar esses momentos, mas que fique destacada a esperança. Vale a pena ver.

Marco Gomes, Meu Caro Amigo Chico (Vimeo)

Nova semana dobrada na “Quarentena Cinéfila” Medeia Filmes por justificação necrológica, desta feita, efeméride dos dez anos da partida de Werner Schroeter, figura importante na ressurreição do cinema alemão na década de setenta do século XX. Todos produzidos por Paulo Branco, responsável máximo pela distribuidora, ficaram disponíveis em visualização gratuita O Rei das Rosas (1986), Deux/Duas (2002), Esta Noite (2008).

Juntando-se esses ao alinhamento original, A Cativa (2000), obra dificilmente classificável da belga Chantal Akerman, prometendo mais do que cumpre na adaptação de Marcel Proust, mas, levando a sua avante, deixando morrer afogado um mistério chamado Ariane.

Todos os Sonhos do Mundo (2017), ficção de quotidiano da lusodescendente Laurence Ferreira Barbosa tendo como premissa criativa essa mesma condição consegue apresentar valiosos momentos de espontaneidade cinematográfica para, em seguida, os apunhalar com retórica técnico-narrativa.

Em espiral qualitativa descendente fechou-se o bloco com Uma Pastelaria em Tóquio (2015) de Naomi Kawase, drama de bom coração estando deles cheio o cemitério de filmes medíocres.

Paralelamente sobrou ainda tempo para Où En Êtes-Vous, Teresa Villaverde? (2019), último registo da realizadora acompanhando na sede da escola de samba Mangueira os resultados quanto ao vencedor do Carnaval do Rio de Janeiro desse ano, acontecimento ensombrado pelo assassinato da vereadora local Marielle Franco.

Ainda na união luso-brasileira findou-se o périplo com Meu Caro Amigo Chico (2012) que parte de uma quadra de “Tanto Mar”, tema de Chico Buarque escrito e composto por referência ao 25 de Abril, em busca de possíveis herdeiros dos chamados “cantores de intervenção”. Fica a curiosidade de estar na altura possivelmente longe de imaginar a realizadora, Joana Barra Vaz, que anos mais tarde seria a voz de um dos temas incontornáveis do Festival RTP da Canção no presente milénio, “Anda Estragar-me os Planos”.

Filipe Urriça, Silicon Valley (HBO Portugal)

Uma das comédias que mais gosto terminou o ano passado na sua sexta temporada. Por isso, achei que agora seria uma boa altura para ver se o desfecho de Silicon Valley seria tão bom como o seu início. Infelizmente, não tenho todo o tempo do mundo, só vi três episódios.

Artificial Lack of Intelligence, o primeiro episódio, arranca bem. Richard Hendricks vê-se confrontado com um grave problema: não conseguir manter a promessa que jurou, literalmente, cumprir. Gilfoyle e Donesh continuam a ser uma das melhores razões para ver Silicon Valley, os confrontos entre os dois ainda são hilariantes e Gilfoyle revela-se bastante criativo.

Blood Money baixou ligeiramente em qualidade, mas ainda deu para rir bastante com as personagens do costume. Todavia, Monica e Jared tiveram os seus momentos surpreendentes. Quando Jared ultrapassa o seu limite de stress, que é bastante amplo, altera a sua personalidade calma para alguém bastante ameaçador, de uma forma hilariante que só ele consegue.

Já o terceiro episódio mantém Jared com a sua atitude de animosidade com Richard, conseguindo roubar o protagonismo de todas as cenas em que entra. Para alguém tão apático e calmo como Jared, esta temporada está a ser especialmente interessante para esta personagem. Richard vê uma luz ao fundo do túnel para a resolução do seu problema e corre imediatamente no sentido de a alcançar. Isto faz com que Gavin Belson atinja uma posição clássica da sua personalidade idiótica.

Enfim, espero que os próximos quatro episódios que me restam ver não venham a desiludir. Principalmente, pelo facto desta obra de Mike Judge ser genial, uma das melhores comédias criadas para televisão.

Continuem a conversa nos fóruns VideoGamer!