VideoGamer Portugal por - Oct 10, 2021

O que andamos a ver, 10 de outubro, 2021

Devem existir poucas pessoas com uma ligação à Internet que ainda não tenham ouvido falar de Squid Game. Na semana passada, o Pedro Martins escreveu sobre o exclusivo Netflix e este domingo é a vez de Filipe Urriça voltar a destacar a série que teve gravações tão intensas que fez o diretor perder seis dentes.

Antes, o Pedro Martins continuou pelo catálogo da Netflix e viu a primeira temporada de Maid, outra das séries do momento. Com uma dezena de episódios “magnéticos”, é outra recomendação sem reticências. O argumento e as prestações elevam-a ao estatuto de imperdível.

O que andamos a ver deste domingo conta também com as palavras que Marco Gomes dedicada a Caravaggio: A Alma e o Sangue. É uma participação que começa com uma alusão às Tartarugas Ninja e que termina a mencionar que “com efeitos visuais habilidosos mas de minguado substrato no conjunto final”.

Pedro Martins, Maid (Netflix)

A primeira temporada de Maid (Criada em português) está disponível em exclusivo na Netflix e são dez episódios magnéticos. Inspirada no livro Maid: Hard Work, Low Pay and a Mother’s Will to Survive de Stephanie Land, é uma série crua que não faz qualquer cerimónia em castigar a protagonista e o espectador.

A protagonista é Alex (Margaret Qualley), que vive sem grandes meios, estando numa relação abusiva com Sean (Nick Robinson), que é também o pai da pequena Maddy (Rylea Nevaeh Whittet). A dezena de episódios não almeja grandes finais felizes, mas sim o conto de quem faz muito com muito pouco.

Alex convive com pessoas que são tóxicas, algumas sem querer, outras recorrentes. Sai de casa e vai para um abrigo que a protege dos abusos. Luta por arranjar um emprego e limpar casas, algumas das quais antros de lixo acumulado. Não desiste e como sinal de esperança paira sobre si a vontade de se mudar para ingressar na universidade. Novamente.

São sonhos criados e afundados pela realidade. O arco narrativo é revelado numa velocidade que lhe permite amadurecer, o que funciona ainda melhor porque o elenco assina prestações brilhantes. As cenas com Paula (Andie MacDowell), mãe de Alex, são um labirinto que mostra a resiliência da personagem. Curiosamente, MacDowell é mãe de Qualley.

Maid merece a vossa atenção, não a traindo. Mesmo que alguns episódios possam parecer demasiados “azares”, são também a construção de vidas que existem e comungam diariamente com a hora seguinte. Quando algo bom acontece a Alex, o espectador vive-as com a felicidade e o alívio de uma amizade que momentaneamente esquece o ecrã que sempre as separou.

Marco Gomes, Caravaggio: A Alma e o Sangue (DVD)

Nem o mais circunspecto ser humano furtou-se a inquietudes pueris, circunstanciais umas quantas, mas não menos das que entram pela personalidade adentro. Nas do primeiro lote residia minha estupefação por umas das Tartarugas Ninja ser Donatello. O mais absurdo da situação é, até à escrita destas linhas, não ter procurado explicação para além da óbvia alusão a quatro artistas renascentistas.

Ou seja, o busílis da embirração reside no critério, ou dele a falta, que associa o nome do escultor italiano à criatura de máscara violeta. Como disse um dos especialistas aparecido num filme anterior d’A Grande Arte no Cinema, Leonardo, Miguel ngelo e Rafael são os três maiores artistas ocidentais, acrescento agora, só com água-benta entraria Donatello no top dez dos da Renascença.

Ao nível daqueles outros não haverá, existindo contudo opções que melhor esbatam a diferença da quarta unidade para o trio, entre elas e com relevo na presente coleção, Botticelli, já aqui passado, e a do sexto volume que hoje se destaca, Caravaggio.

Para a posteridade adotando o nome da origem geográfica em vez do de batismo, Michelangelo Merisi, dir-se-ia que sua vida dava um filme indiano, se em 1986 o britânico Derek Jarman à frente não fora chegado, quando muito dela hoje conhecido provém de documentos judiciais.

Entre pândela e escaramuça e madonnas pintadas tendo rameiras por modelo, traduz-se o excesso vivencial de Caravaggio em alguns dos mais dramáticos e violentos quadros na história da arte. Jesus Garces Lambert tenta-o captar em Caravaggio: A Alma e o Sangue (2018), L’Anima e il Sangue, com efeitos visuais habilidosos mas de minguado substrato no conjunto final.

Filipe Urriça, Squid Game (Netflix)

Squid Game é a série que tenho visto durante esta semana, por várias razões que incluem a de não ser uma produção norte-americana ou anglo-saxónica e, claro, por ter sido recomendada em vários meios que acompanho. Normalmente, quando me apercebo que os adolescentes só falam de uma determinada série, costumo-me afastar, porque Riverdale, por exemplo, revelou-se uma péssima recomendação. No entanto, Squid Game, a série coreana que está na Netflix, depois de ter visto quatro episódios, acho que foi uma boa aposta da gigante do streaming.

Squid Game parece estar a fazer um forte comentário às classes sociais mais baixas, sobretudo, a pessoas que têm uma certa facilidade em ficarem endividadas. É por isso que, ao contrário de muita gente, gostei bastante do tom do segundo episódio, que revela as motivações dos participantes do jogo macabro em que se envolveram. O episódio tem um ritmo bastante lento, e é verdade que isto não pode não manter o interesse de quem vê, mas não é só de ação ou momentos de tensão dramática que uma série deve viver.

Falar de Squid Game para quem não viu é muito difícil. Tudo o que se diz pode ser considerado um potencial spoiler e estragar a surpresa a quem tenciona ver esta produção Netflix. Por isso, o que vos aconselho é verem, pelo menos, o primeiro episódio. Se este não despertar a curiosidade ou vos despertar o interesse para descobrirem todo o mistério que lá está, então nem vale a pena se darem ao trabalho de ver o resto.

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