A rubrica está de regresso para que a equipa VideoGamer Portugal possa partilhar aquilo que andou a ver nos últimos dias. Como podem ler de seguida, o Pedro Marques dos Santos escreve sobre ténis, mais concretamente ténis nos EUA, escrevendo um extenso texto sobre as partidas que decorrem em Nova Iorque.

Eu tive oportunidade de ver os dois episódios de Midnight, Texas já disponíveis em Portugal, não ficando nada fã da série inspirada nos livros de Charlaine Harris. Nada Mesmo. Finalmente, o Filipe viu Sleepers - Sentimento de Revolta no Canal Hollywood, um filme que conta no seu elenco com nomes como Kevin Bacon, Robert De Niro, Dustin Hoffman e Brad Pitt.

Imagens O que Andamos a Ver 10 setembro 2017

Pedro Marques dos Santos, US Open (Eurosport)

Sem grandes surpresas, praticamente todo o tempo que não passei a jogar uma das mais variadas obras que tenho para análise na última quinzena, foi passado a acompanhar o Open dos Estados Unidos, o último Grand Slam da temporada e um torneio que prometia, como vem sendo apanágio desta época tenística, várias surpresas, tendo em conta a quantidade de ausências de peso confirmadas.

No torneio feminino, as novidades foram muitas, muito embora nenhum encontro me tenha ficado na memória para lá do confronto entre a regressada Sharapova e Simona Halep, atual 2º classificada do ranking. Sharapova venceu esse duelo, mas acabaria por cair ainda longe das rondas decisivas da competição, deixando caminho aberto para aquilo que seriam umas (quase) inéditas meias finais apenas com jogadoras nascidas nos Estados Unidos.

Para além da eterna Venus Williams, que mesmo aos 37 anos não dá sinal de querer abrandar, foram três estreantes que compuseram o restante calendário das meias finais: Sloane Stephens, Madison Keys e CoCo Wandeweghe. E foram mesmo as duas mais jovens - Keys e Stephens - que acabaram por disputar uma final que, infelizmente, não teve o equilíbrio que se desejaria, pois a americana, que há apenas sete semanas estava fora do Top 900 do ranking, regressou ao seu melhor nível para levar de vencida Madison Keys por 6/3 6/0. 

Pelo meio ficou a saber-se que Muguruza, vencedora do torneio de Wimbledon, será, a partir de segunda-feira, a nova número um do mundo, substituindo Karolina Pliskova na liderança do ranking.

No lado masculino, as coisas foram bem mais interessantes. Com praticamente todos os jogadores do Top 10 mundial fora de combate e com Thiem, Nadal, Federer e Del Potro todos na mesma metade do quadro, a porta estava escancarada para todos os restantes jogadores na outra metade do quadro. Para além disso, com a queda precoce de nomes como Cilic, Zverev e Dimitrov, desde cedo se ficou a saber que esta metade do quadro iria ditar tanto um estreante em finais do Grand Slam, como dois estreantes em meias finais de torneios desta categoria.

Desse lado emergiu o gigante sul-africano Kevin Anderson que, curiosamente, bateu na meia final o vencedor da última edição do Estoril Open, torneio em que o jogador de 2,03 metros de altura também participou. Do outro, foram os quatro nomes já mencionados que mais espetáculo deram. Del Potro voltou a fazer das suas e, depois de estar prestes a desistir no 2º set frente a Thiem, foi levado ao colo pelo público nova iorquino para uma brilhante vitória em cinco sets recheados de dramatismo e com dois match points consecutivos salvos com aces.

Não satisfeito, na ronda seguinte o argentino voltou a apresentar-se em grande forma e bateu o também eterno Roger Federer, voltando a repetir o que tinha feito em 2009, quando superou o suíço na final deste mesmo torneio. Com a eliminação de Federer, Nadal apresentou-se na meia-final contra Del Potro já com a manutenção do número 1 assegurada e, depois de um imaculado primeiro set da Torre de Tandil, partiu para uma exibição de gala que se traduziu numa derrota demasiado pesada para um dos jogadores mais acarinhados do circuito.

Como é óbvio, Nadal é totalmente favorito para a final que se disputará esta noite, mas será interessante perceber se Kevin Anderson, que nunca se viu nesta situação, será capaz de se apresentar num estado de graça que lhe permita ameaçar esse favoritismo.

Imagens O que Andamos a Ver 10 setembro 2017

Pedro Martins, Midnight, Texas (SyFy)

Depois de ter visto os dois episódios de Midnight, Texas disponíveis em Portugal através do SyFy, fiquei sem qualquer vontade de ver o resto da temporada. É uma série inspirada nos livros de Charlaine Harris, que escreveu os livros onde True Blood se foi inspirar, mas a ligação com o espectador não resultou.

O protagonista é Manfred, uma pessoa que consegue ver e falar com pessoas mortas e logo no início do primeiro episódio percebemos que é a sua falecida avó que o aconselha a mudar-se para Midnight, uma cidade no Texas. Chegado lá, torna-se evidente que o novo local está pejado de pessoas que têm poderes sobrenaturais.

Nos primeiros dois episódios é mostrado um vampiro, um anjo, uma bruxa, com a série a deixar no ar o mistério para os restantes episódios sobre quem mais terá poderes. O problema é que o argumento não é focado, a maioria das performances é descartável e a produção, ainda que consiga alguns efeitos sólidos, fica aquém em vários departamentos.

Midnight, Texas é destinado ao público que gostou de True Blood, mas fica a sensação que é uma versão light da série que passou na HBO. Colocar o protagonista a falar com a vítima de um homicídio podia ser uma espinha dorsal apelativa, mas por esta amostra não se tornou obrigatório continuar a ver o deslindar destas vidas.

Imagens O que Andamos a Ver 10 setembro 2017

Filipe Urriça, Sleepers - Sentimento de Revolta (Hollywood)

Lorenzo Carcaterra escreveu um livro sobre a amizade que tinha com os seus amigos, destacando, sobretudo, a importância que tinham na sua adolescência. No verão de 1967 ele e os seus amigos fizeram uma brincadeira que acabou muito mal, com consequências ainda piores para ele e os seus amigos. Esta experiência traumática motivou Lorenzo a escrever um best seller polémico, que foi posteriormente adaptado a filme em 1996. Vi-o recentemente no Canal Hollywood.

Shakes, como era conhecido Lorenzo, foi condenado a passar vários meses numa instituição de correção de comportamento juvenil, na Wilkinson Home for Boys, em Nova Iorque. Foram meses difíceis, não por ter que sofrer com as consequências dos seus atos, mas por ter de enfrentar as torturas a que seria sujeito pelos guardas do establecimento de correção. Entre os vários atos de tortura física e psicológica, destacaram-se, principalmente, os abusos sexuais dos guardas.

Estes miúdos cresceram e dois deles acabariam por matar um dos guardas que os abusou vezes sem conta. O caso vai a tribunal e é colocado a limpo e com contexto a execução daquele homem. Há, como é evidente, uma vontade enorme em querer saber como acaba exatamente a história. 

Felizmente, graças ao elenco de luxo enunciado pelo Pedro Martins na abertura deste artigo, podemos contar com personagens com bastante carácter, seja ele dramático, cruel e, como não esperava, cómico. Um bom filme, mas que coloca várias dúvidas sobre a veracidade destes supostos factos.