Sejam bem-vindos a uma nova edição da rubrica onde a equipa do VideoGamer Portugal escreve sobre o que passou pelos seus ecrãs além dos videojogos. O Pedro Martins aproveitou a semana para assistir aos dois primeiros episódios de Isto é um Assalto, série documental que chegou ao catálogo da Netflix.

Se continuarem a ler o artigo, terão oportunidade de ler as palavras que Marco Gomes dedicou a Fahrenheit 9/11, película assinada por Michael Moore. Estamos perante uma investigação sobre os atentados terroristas de 11 de setembro, versando também sobre o comportamento da família Bush.

O Filipe Urriça continua a passear as retinas pelo catálogo do Disney+ e este domingo dedica os seus parágrafos a Armados em Espiões. É uma proposta que tem os seus alicerces num espião que é transformado num pombo. A animação não é da Pixar, mas o elenco apresenta nomes como Will Smith, Tom Holland e Ben Mendelsohn.

Pedro Martins, Isto é um Assalto: O Maior Roubo de Arte do Mundo (Netflix)

A história contada por Isto é um Assalto: O Maior Roubo de Arte do Mundo é fascinante mesmo antes de a série documental começar. Em março de 1990, dois ladrões vestidos de polícias assaltam o museu Isabella Stewart Gardner em Boston. Demoram o tempo que precisam e acabam por levar aproximadamente 500 milhões de dólares em arte.

São quatro episódios, dos quais tive oportunidade de assistir a dois. Tendo em consideração o mistério que ainda paira sobre este caso, tido como o assalto de arte mais caro da história, é uma apresentação dos métodos, mas sobretudo de um jogo de suspeições sobre vários suspeitos e as diversas hipóteses de como tal foi possível.

Realizado por Colin Barnicle e concluído após cinco anos de trabalho, estamos perante um olhar profundo, uma revisão da matéria que, para já, vai entrevistando vários dos protagonistas - incluindo Richard Abath (em áudio baseado numa entrevista com um jornalista do Boston Globe), o guarda que estava de serviço nessa noite. Isto é um Assalto não aponta dedos, sendo imparcial e uma construção cuidada baseada em provas e não em teorias.

Mesmo que não conheçam o caso, é um documentário a que vale a pena assistir. Caso estejam familiarizados, é uma boa proposta para aprenderem junto das fontes. Não sei como é que a segunda metade se vai apresentar aos espectadores, mas o caso é fascinante, tal como é a dança entre os intervenientes. Podemos nunca chegar a saber quem foram os culpados do que aconteceu naquela noite, mas é sempre saudável termos uma visão conceptual do evento e da investigação.

Marco Gomes, Fahrenheit 9/11 (DVD)

Disse-o na altura, permanecendo a convicção dezassete anos depois, a de ter sido vinte e dois de Maio de 2004 infeliz dia para o Cinema com a atribuição da Palma de Ouro a Fahrenheit 9/11 de Michael Moore, a mais infame em toda a história do Festival de Cannes, cortesia do júri presidido por Quentin Tarantino, e antes dele a equipa interna responsável pela seleção oficial de obras a concurso.

O choque de ideias começa desde logo na categorização do filme. Vendido como documentário sobre a promiscuidade estratégico-financeira da família Bush e seu enquadramento nos ataques terroristas de 11 de Setembro de 2001, entre a verdade e mentira finca a manipulação grosseira da realidade, descambando assim para o registo ficcional, mais concretamente enquanto comédia política.

Michael Moore e seus colaboradores apresentam um esforçado trabalho de investigação, amputado porém de credibilidade no tratamento e apresentação de dados. Poder-se-á defender que vira o feitiço contra o feiticeiro, combatendo com os mesmos predicados a demagogia e populismo de parte significativa da classe política americana. Mesmo que assim seja, convencendo mais a teoria de partilha contextual identitária, não deixa Fahrenheit 9/11 de ser objeto qualitativamente descartável.

Filipe Urriça, Armados em Espiões (Disney+)

Vi mais um filme no Disney+, mas este não era da casa de Waly Disney. Armados em Espiões é divertido e dá a Will Smith um papel adequado à sua personalidade. O outro protagonista, interpretado por Tom Holland, equilibra bem o enorme ego de Will Smith. Infelizmente, Armados em Espiões poderia ser bem mais do que é se não se focasse no cómico de situação no qual se desenvolve

Qual é a piada deste filme de animação? O facto de o espião ser transformado em pombo e deste ter de lidar com esse problema. Lance Sterling, o super espião deste filme, está habituado a fazer tudo o que quer, da forma que quer sem que ninguém o questione. O cientista Walter Beckett, a personagem de Tom Holland, não tem muita confiança própria e acredita que a forma dos espiões atuar poderia ser menos violenta, mas ninguém lhe liga.

São estas duas personalidades diferentes que vão sofrer um grande impacto. Mas isto será mais difícil para Sterling, visto que está dependente de Walter para se voltar a transformar em humano. A comédia surge quando Sterling tenta ser um espião como se fosse um humano quando é um pombo, há situações hilariantes devido a este facto.

Apesar da comédia, a mensagem do filme é outra. Walter acredita que a violência não tem que ser resposta à violência e vilões como o que estão a enfrentar nem sequer aparecerão se conseguirem aplicar esta teoria. Walter é um cientista que desenvolve aparelhos para espiões, que quando utilizados ninguém fica ferido. A pouco e pouco, Sterling, que sempre utilizou a força para imobilizar os seus inimigos, sem se preocupar com pessoas que possam vir a ser vítimas das suas ações, apercebe-se que Walter tem razão.

Se quiserem ver um filme divertido, acho que este é um filme que acerta neste aspeto, pois é bastante engraçado e fará rir dos mais novos aos mais velhos. Não é tão bom como um filme da Pixar, mas tem personagens muito curiosas e cómicas. Vejam-no, o vosso tempo não será desperdiçado.

Continuem a conversa nos fóruns VideoGamer!