VideoGamer Portugal por - Jul 11, 2021

O que andamos a ver, 11 de julho, 2021

Um domingo marcado pelo sol fora de portas, é também um bom momento para terminar o fim de semana com algo num ecrã perto de vocês. A equipa VideoGamer Portugal coloca neste artigo três novas propostas, ainda que nem todas sejam recomendações sem reticências.

Depois de Tudo Acaba Agora, o Pedro Martins aproveitou a subscrição Prime Video para assistir à primeira temporada de Solos. São sete episódios onde a escrita tem alguns momentos inspirados que ganham dimensões interessantes graças às performances de um elenco de luxo. Inserida na ficção científica, é uma proposta que passa num ápice, mas que não ficará totalmente a longo prazo na vossa memória.

Por sua vez, o Marco Gomes teve oportunidade de ver Melodia da Broadway, um filme que o recordou de Quinito. Escreve o Marco que “a realização de Norman Taurog é de frouxa competência”, mas não o suficiente para “para esvair talento aos melhores atores dançarinos em sapateado na época.

Finalmente, a terminar o artigo este domingo temos as palavras de Filipe Urriça sobre Rick and Morty. Escreve o redator que “é fantástico a maneira que arranjaram para desconstruir uma série que incentivava a proteger o planeta Terra”.

Pedro Martins, Solos (Prime Video)

O elenco de Solos é impressionante. A nova série antológica está disponível em exclusivo no Prime Video e ao longo de sete episódios coloca no ecrã nomes como Anne Hathaway, Helen Mirren, Morgan Freeman, Uzo Aduba, Constance Wu e Anthony Mackie. É uma proposta de ficção científica que passa rápido, deixando alguns momentos na memória.

No centro de todos os episódios está a ficção científica, mas também o conceito de existir a solo. Quase todos os episódios contam apenas com um único ator por episódio, começando com Hathaway enquanto Leah a tentar viajar no tempo, procurando encontrar-se a si própria.

Outro destaque é Mackie na pele de Tom, um homem que está a morrer de cancro e encomenda uma versão robot de si mesmo para continuar a viver a sua vida quando falecer. Nem todos os episódios atingem o mesmo nível de envolvimento, mas vale a pena incluir Aduba como Sasha – está numa casa inteligente enquanto não confia que o mundo lá fora é habitável.

As performances são melhores do que a escrita, que ainda assim não é terrível. Curiosamente, um dos episódios que menos saudades deixa é mesmo o final, onde Morgan Freeman dá vida a Stuart, um homem com Alzheimer que, graças à ficção científica, vai recuperando o que perdeu enquanto a grande revelação é preparada.

Não está à altura de Black Mirror, The Devs ou mesmo Tales from the Loop, mas a escrita de David Weil tem os seus momentos e os atores carregam os episódios às costas. Helen Mirren, por exemplo, é fenomenal. Se têm uma subscrição Prime Video, dêem-lhe uma oportunidade, mesmo que a viga mestra neste futuro seja o confinamento.

Marco Gomes, Melodia da Broadway (DVD)

Mesmo que há muito retirado de competição – tornando-o um perfeito desconhecido para o escalão sub-30 (anos) -, um dos mais acarinhados treinadores portugueses de futebol vivos é Joaquim Lucas Duro de Jesus, o grande Quinito. A reputação muito deve a suas míticas tiradas, entre elas a ideia de “jogo entretido”.

Por associação foi a primeira lembrança a vir à tona ao pensar numa súmula qualificativa para Astaire and Rogers 6-Film Collection da Mon Inter Comerz. O tempo lhe dedicado foi entretido com certeza, e não só nos cumes, também nos vales como exemplifica a película de encerramento (segundo distribuição dos discos na caixa), Melodia da Broadway (1940), Broadway Melody of 1940 – assim mesmo, com o ano para se não confundir com um título homónimo de 1929-.

O esquema narrativo e seu desenvolvimento encaixam na estratificação genérica. A realização de Norman Taurog é de frouxa competência entre danosa gestão do ritmo em várias cenas e números de dança filmados com exuberante artificialismo. Ainda assim, não o suficiente para esvair talento aos melhores atores dançarinos em sapateado na época, Eleanor Powell representando as senhoras e, claro, nos homens, Fred Astaire.

Sobre a coleção é com a vergonha do derradeiro parágrafo no último texto quando deveria ter sido o parágrafo de abertura no texto inicial que se afirma não existirem mais astros como o que esta alumia. Astaire figura merecidamente entre os poucos nomes de Hollywood com impacto intergeracional porque também na meca poucos rivalizaram com seus multifacetados dotes.

Filipe Urriça, Rick and Morty (HBO Portugal)

Vi finalmente o regresso de Rick and Morty, os meus desenhos animados favoritos. Já foram lançados três episódios fantásticos, onde o segundo é o que mais se destaca como um dos melhores de sempre da série criada por Dan Harmon e Justin Roiland. É simplesmente inacreditável como é que a série ainda se mantém fresca e cheia de criatividade da forma como exploram temas, conceitos ou aprofundam determinadas personagens.

Mort Dinner Rick Andre é o episódio que arranca a quinta temporada da série da Adult Swim, que está a ser transmitida exclusivamente pela HBO, em Portugal. Isto foi uma grande abertura onde Morty é claramente a estrela do episódio que, por muito que queira crescer em maturidade, está sempre às ordens do seu avô, que recebeu um convidado muito especial. O conceito das viagens no tempo é explorado de uma forma curiosa, porque não é na perspetiva de quem visita, mas de quem é visitado.

O segundo episódio, Mortyplicity, é genial. O conceito é simples: para se precaver de um eventual ataque de um dos seus inimigos, Rick criou clones da sua família para que esta possa continuar a sua vida como se nada tivesse acontecido. A genialidade deste episódio é que a uma certa altura, já não sabemos quem é quem ou qual é a família original. O que sabemos é que está criada uma forma dos criadores se justificarem na hipótese de num episódio a família ser completamente terminada e no outro aparecer como se nada tivesse acontecido. É brilhante e é daqueles episódios que gostaria de estar presente na sessão de brainstorming que originou tal ideia.

O terceiro episódio desce uns pontos, mas continua a ser interessante, especialmente para quem conhece os desenhos animados Captain Planet. É fantástico a maneira que arranjaram para desconstruir uma série que incentivava a proteger o planeta Terra. Enfim, vejam Rick and Morty que é o pináculo daquilo que se encontra nos serviços de streaming, só falta o Disney+ ter algo a este nível, Solar Opposites por muito similar que seja, não chega aos calcanhares da obra de Harmon.

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