A equipa VideoGamer Portugal está novamente reunida para colocar no ecrã um novo trio de propostas para o que resta do vosso fim de semana. O que andamos a jogar pode ser lido aqui, pelo que de seguida podem também ficar a conhecer aquilo que temos andado a ver.

O Pedro Martins resolveu recuar o calendário alguns anos, mais concretamente, o diretor de conteúdos foi até 1996 para ver Matilda, a Espalha Brasas no catálogo da Netflix. Por sua vez, o Marco Gomes teve oportunidade para ver um novo filme de Woody Allen, escrevendo este domingo sobre Poderosa Afrodite.

Finalmente, a terminar este artigo dominical podemos encontrar as palavras de Filipe Urriça. O redator escreveu sobre Ready or Not, obra de terror que, mesmo sem o conquistar completamente, acabou por ser uma agradável experiência. Ou melhor: “é um daqueles maus filmes que adorei ver”.

Pedro Martins, Matilda, a Espalha Brasas (Netflix)

Realizado por Danny DeVito, Matilda chegou ao cinema depois de ter sido adaptado do livro de Roald Dahl. Imbuído numa roupagem dos anos noventa, conta-nos a história de uma protagonista homónima, com uma mente rápida, sedenta, com uma mente que nunca está satisfeita e que encontra na sua família o seu maior entrave.

DeVito interpreta também o Sr. Wormwood, pai de Matilda (Mara Wilson), e curiosamente, Rhea Perlman interpreta a Sra. Wormwood - curiosamente, DeVito e Perlman são marido e mulher na vida real. Matilda, o filme, é uma evidente vitória do conhecimento e da aprendizagem face às mentes que tentam amansar a curiosidade e o fascínio.

Sem grande surpresa, há o conflito direto entre Matilda e a sua família, mas há também a opressão de Agatha Trunchbull (Pam Ferris), a tutora da escola que recebe a protagonista. Matilda precisa de alguém que lhe dê uma mão e que guie o cérebro, ou melhor, que lhe seja vento debaixo das asas.

Como uma cápsula do tempo que nos chega dos anos noventa, Matilda passa rápido, mas deixa uma mensagem positiva sem ser bacoco. É provável que já o tenham visto, mas estes domingos de outono e inverno são também convidativos a obras como esta: capazes de agasalhar o coração com mais espessura do que uma folha de papel.

Marco Gomes, Poderosa Afrodite (DVD)

Fecha-se este pequeno bloco dedicado a Woody Allen, que é como quem diz, juntou-se dele o que havia na “secção” de filmes por ver, com Poderosa Afrodite (1995), Mighty Aphrodite na tradução direta do inglês.

Para um realizador que contabiliza a sensacional média de mais de um registo por ano desde que encetou caminho em 1966 com O Que Há, Tigresa? - bem antes iniciado como argumentista, escrevendo para séries televisivas desde 1950 -, manda a lógica que vários ter-lhe-ão servido, sem outro retorno, para picar o ponto. É o caso.   

Perante as virtudes do filho adotivo, criança formosa, dócil e de elevado intelecto, revela Lenny, interpretado pelo próprio Woody Allen, extrema curiosidade na proveniência de tão perfeitos genes, levando-o a procurar a mãe natural, Linda, num desempenho superior de Mira Sorvino, para descobrir que é atriz pornográfica e burra que nem uma porta.

As tiradas certeiras estão lá todas, e, como é apanágio do autor, duas ou três delas memoráveis, explicando-se Poderosa Afrodite em seu grande fator diferenciador, a inclusão de um coro trágico, cumprindo exatamente com a função reconhecida na tragédia clássica, comentar na ótica do senso-comum o desenlace de acontecimentos. A inventividade do conceito e sua implementação nunca supera o desconforto provocado ao espetador pela quebra do ritmo narrativo.

Filipe Urriça, Ready or Not - O Ritual (TVCine Top)

Ver filmes sem escolher, ao completo acaso, pode ter vários resultados. Escolher um filme de terror, sem saber previamente o que é, resulta quase sempre muito mal. Ready or Not - O Ritual, apesar de não ser um filme bom, gostei bastante de ver esta curiosa premissa.

Uma jovem noiva está prestes a entrar numa família abastada e depois de casar tem de cumprir uma tradição que existe há décadas naquela família. A família escolheu jogar a uma versão mortal das escondidas, só que a noiva pensa que é o tradicional e inofensivo jogo que todas as crianças jogam. É uma narrativa minimamente estranha, mas que depois se desenvolve em algo cómico.

Os diálogos são maus, os atores não são nada de especial (à excepção de Samara Weaving e Adam Brody) e os elementos de terror têm o efeito contrário. Sim, há partes em que o filme parece uma comédia, agora se foi propositado para ser cómico é difícil dizer.

Ready or Not é um mau filme, mas as personagens estão tão desligadas da realidade que, por momentos, acreditei que este conceito podia resultar num bom animé. Seja como for, Ready or Not é um daqueles maus filmes que adorei ver, talvez pela dualidade entre comédia e terror que por vezes resulta ou pelos maus atores que acabam por dar uma certa identidade ao filme.

Continuem a conversa nos fóruns VideoGamer!