VideoGamer Portugal por - Dec 12, 2021

O que andamos a ver, 12 de dezembro, 2021

O cinema está em destaque nesta edição da rubrica O que andamos a ver. Não apenas a obra, mas também o local e o ensaio. O Pedro Martins assina alguns parágrafos sobre Voir, a curta série que está disponível no catálogo da Netflix e que se vê num ápice.

É uma coleção de ensaios visuais que celebram as emoções do meio, que tantas vezes se presta a muito mais do que entreter. Mesmo que já tenham visto os exemplos, afirma, é praticamente certo que ganhem uma nova perspetiva sobre os mesmos.

O Marco Gomes versa sobre Moonlight. Escreve sobre o Chiron, o protagonista, que “perpassa a sensação de fita retalhada onde parte da consistência narrativa se ficou em material excluído no processo de edição”. Pode ter estreado originalmente em 2016, mas certamente não terá perdido fulgor.

A terminar a rubrica O que andamos a ver este domingo encontramos as palavras de Filipe Urriça sobre Olaf Apresenta. Ainda mais breve do que Voir, é uma proposta em que a adorada personagem recria cenas de icónicos filmes da Disney. Uma gargalhada que passa a correr.

Pedro Martins, Voir (Netflix)

Se na passada escrevi sobre Quem és tu, Robin?, uma curta que corre o risco de passar despercebida, este domingo os meus parágrafos são dedicados a Voir, um exclusivo Netflix que, apesar de contar com o nome David Fincher como produtor, arrisca-se precisamente a um destino idêntico.

E é pena se assim for. Estamos perante seis episódios que se apresentam como ensaios visuais sobre “o poder do cinema”. Raramente com mais de vinte minutos, somos convidados a perceber, por exemplo, como é que o filme Tubarão marcou o verão da crítica Sasha Stone.

Ou como é que as salas de cinema tiveram – e têm – que lutar para se manterem relevantes perante o conforto e a conveniência de consumir entretenimento noutros meios. Ou então, para terminar a série, como é que 48 Horas colocou em evidência o racismo na sociedade americana.

Pessoalmente, o maior problema de Voir é que passa num ápice. A forma como estes ensaios estão escritos e narrados são uma forma de abolição do tempo, mesmo que já tenham assistido aos exemplos dados. São, essencialmente, novas perspetivas sobre obras que todos conhecemos, como Lawrence da Arábia.

Se gostam de cinema, Voir é uma proposta que não devem perder. Como salientou o The A.V. Club, é verdade que o formato não é muito diferente das séries que podem ser vistas no YouTube, por exemplo. Acrescento que me trouxe à memória extras dos discos da Criterion Collection. Mas vale bem a pena.

Marco Gomes, Moonlight (DVD)

Com presença rarefeita na história do certame, deram os últimos anos visibilidade reforçada à produção cinematográfica independente americana na cerimónia de atribuição dos Óscar.

Achar-se-á explicação na renovação geracional dos membros da academia, aportando maior abertura de espírito e experiência de contacto com projectos menos abonados em orçamento e escala de distribuição. Não ficando descartada igualmente a hipótese estratégica de contrabalanço face à fuga para o abismo do filme pirotécnico.

Do acima mencionado exemplo mais recente é impossível dar quando na edição 2021 o prémio de melhor longa-metragem do ano foi para Nomadland (2020), entre seis nomeações das quais retirou mais duas estatuetas douradas, melhor realização, Chloé Zhao, e melhor actriz principal, Frances McDormand.

A proposta hoje regressada, sobre a qual Pedro Martins já batera teclas numa passagem anterior da rúbrica, Moonlight (2016), cobriu em alva luz o evento de 2017 arrebatando três Óscar, melhor longa-metragem do ano, melhor ator secundário, Mahershala Ali, e melhor argumento adaptado, Barry Jenkins sobre original de Tarell Alvin McCraney, em oito nomeações no global.

As honrarias imensas de mais de duas centenas de prémios no pecúlio não desmontam a irremediável condição de objeto de boa-vontade, incapaz de esconder limitações em análise técnico-formal, mas principalmente conceptual, a começar numa temática que de tão batida se tornou feudo no género drama, impacto de famílias desestruturadas no crescimento dos menores. Em sua defesa argumentando nunca aquela operar por esmagamento.

Recorrendo a elipses temporais no acompanhamento em três distintos períodos de maturação do protagonista, Chiron, perpassa a sensação de fita retalhada onde parte da consistência narrativa se ficou em material excluído no processo de edição. Efeito amplificado pela ingenuidade com que Barry Jenkins aborda a construção das personagens e determinadas sequências, em especial no bloco intermédio, daqueloutro a adolescência.

Filipe Urriça, Olaf Apresenta (Disney+)

Já vi tanto Frozen, filmes e curtas, repetidamente, que já devo conseguir tirar um doutoramento neste universo da Disney. Ultimamente, dado que a minha filha mais velha tem uma obsessão por Olaf, o boneco de neve com vida, tenho visto Olaf Apresenta. Tenho que ser sincero e admitir que isto é muito engraçado visto uma vez ou duas.

Olaf Apresenta é uma série de cinco curtas (felizmente há um sexto episódio que faz uma compilação dos anteriores), onde vemos Olaf e os seus amigos a fazer uma pequena encenação cómica a resumir histórias da Disney, onde se destaca, claramente, O Rei Leão, porque é o filme mais criticado de todos.

Estes pequenos teatros são autênticas sátiras às histórias clássicas da Disney apesar de lá estar também Entrelaçados, que é dos filmes mais recentes do conjunto da Walt Disney Animation Studios. É pena que não tenham feito mais episódios, porque há clássicos que envelheceram tão mal quanto estes que foram alvos de crítica do Olaf. Adorava ver uns de Dumbo, Peter Pan e Alice no País das Maravilhas.

Se estão cansados de ver Frozen, estas são umas curtas que valem a pena ver. Vão passar um bom tempo com os vossos miúdos e vão se rir, sem esforço, da sátira que está a ser feita. De notar que vi estas curtas em português, um dia gostaria de voltar a ver isto com a voz de Josh Gad, que acho perfeita para aquele papel.

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