A equipa VideoGamer Portugal regressa este domingo para dar destaque a mais três propostas de entretenimento que podem ser úteis para os momentos que ainda faltam viver durante o fim de semana. Como é habitual, é um conjunto de nomes que pertencem a géneros bastante diferentes e que tentam mostrar as suas valências recorrendo a técnicas também elas diferentes.

O Pedro Martins usou a sua conta Prime Video - que finalmente suporta diferentes perfis - para ver o primeiro episódio de Little Fires Everywhere. Baseada no livro de Celeste Ng, a série dá destaque a temas raciais e sociais. Um episódio não serve obviamente para análises finais, mas sem ser mau, o primeiro episódio deixa também no ar a pergunta se os temas serão abordados de forma aprofundada e capaz de fazer o espectador parar para pensar.

No segundo texto este domingo está a contribuição de Marco Gomes. O responsável pelas imagens do site continua a passar em revista a sua colação de DVD e dá destaque a Ganhar a Vida. Película assinada por João Canijo, é uma obra que conta a vida de quem perde um filho.

Como é habitual, a terminar a rubrica dominical podem ler a participação do Filipe Urriça. Inspirado pelo lado paterno, podem ler as suas considerações sobre Babies, a série que está disponível na Netflix. São vários parágrafos sobre o comportamento dos bebés e uma recomendação do Filipe, especialmente se forem pais ou estudiosos.

Pedro Martins, Little Fires Everywhere (Prime Video)

Esta semana tive oportunidade de assistir ao primeiro episódio de Little Fires Everywhere, série que em Portugal está disponível no Prime Video. Baseada no livro de Celeste Ng, a série leva-nos até à década de noventa, abordando as questões raciais e também sociais. Obviamente ainda é cedo para tecer comentários definitivos, com a grande questão a ser se terá capacidade de abordar as questões de forma profunda.

Elena Richardson (Reese Witherspoon) vive uma vida que à superfície é um sonho. Mãe de quatro, é uma figura respeitada em Shaker Heights, subúrbios idílicos onde o estrato social é elevado. Mia Warren (Kerry Washington) e a sua filha Pearl (Lexi Underwood) dormem no carro entre casas enquanto continuam a lutar para fazer frente à vida.

Little Fires Everywhere começa claramente por aproximar as duas famílias. Elena gere uma empresa que aluga casas em Shaker e Mia acaba por se mudar para uma das suas casas. Os filhos de ambas as famílias aproximam-se, tornam-se amigos e começam a partilhar aventuras; Mia recebe uma proposta de emprego de Elena para ajudar na casa, interligando ainda mais as famílias que estão em lugares bastante diferentes na sociedade.

Importa acrescentar que a série começa com a casa dos Richardson a arder e vai contando o que aconteceu antes posteriormente. Desde logo há a curiosidade de perceber o que aconteceu com aquele fogo. As performances de Witherspoon, Washington e Underwood são assinaláveis, deixando o espectador a querer saber mais das relações familiares e das relações entre famílias.

O episódio de estreia deixou-me com vontade de ver mais, mas deixou-me também algo apreensivo com o tom ligeiro aplicado a algumas cenas. Se Little Fires Everywhere vai continuar a aprofundar as diferenças e injustiças raciais e sociais, terá que ter a mão na realização e na produção para que o espectador as sinta enquanto sente o choque e a disparidade, para que não sejam minimamente diluídas entre os problemas corriqueiros de quem vive em dinheiro e tempo livre abundantes.

Marco Gomes, Ganhar a Vida (DVD)

Começamos às arrecuas. Destacando aqui muito da obra de João Canijo editada em formato doméstico na última década, recai o enfoque desta feita em sua primeira longa-metragem neste milénio, Ganhar a Vida (2001).

Este drama que gradualmente descobriremos a profundidade, num dos impressivos cometimentos, contém o genoma do cineasta portuense, cruzando ficção com trabalho documental, daí recurso em simultâneo a atores profissionais e amadores, identidade lusitana como temática latente, expressa na iconografia material/imaterial da cultura popular e tradicional ou abertura ao vídeo em detrimento da película tradicional.

A mais diferenciadora particularidade estilística em sua obra, relevância dos canais auditivos paralelos, também aqui se não faz rogada, debitando “Já Não Sou Bebé” de Romana o rádio da viatura conduzida para o local de trabalho, uma entrevista na televisão dos Anjos como fundo sonoro de um velório ou, usando do mesmo dispositivo, rescaldo de uma partida de futebol entre, sendo a perceção correta, União de Leiria e Benfica.

Como no melhor pano cai a nódoa insinuam-se os pecados maiores de Ganhar a Vida direta e indiretamente na vertente sonora. A insistência de Canijo, contra vontade da atriz, em avançar para a cena onde Rita Blanco fazendo playback de si própria interpreta do repertório amaliano “Com Que Voz” é esbardalhanço sem mezinha.

Por outro lado, experienciar a obra sem legendas, elementar para nativos do idioma, dificulta sobremaneira a compreensão das linhas de diálogo, menos pela frágil captação de som do que pela fluência com que são debitadas, amplificando no argumento os fogachos inconsistentes.

Filipe Urriça, Babies (Netflix)

Na sexta-feira fez dezassete meses que sou pai. Não acho que seja motivo de orgulho, mas foi por isso que tive um certo interesse em ver a série da Netflix, Babies. O documentário é composto por episódios que abordam diversos temas da vida do bebé e visto que tem sido por estes tempos que a minha filha tem desenvolvido algumas competências dos temas abordados ainda mais curioso fiquei em ver estes episódios.

A parte mais interessante que eu vi foi o tema do sono. Se o sono é importante para nós adultos para manter a nossa sanidade mental e recarregar energias, para o bebé ainda tem uma maior importância. Uma criança que começa os seus primeiros meses de vida dorme cerca de dezasseis horas e pode ser, literalmente, uma grande dor de cabeça para os pais se não dormir bem durante a noite.

Pessoalmente, acho que os pais têm de lutar para proporcionar a melhor noite de sono aos seus filhos nesta altura da vida deles, porque uma boa noite para o bebé é uma boa noite para os pais. Quando o bebé chora durante a noite é difícil saber qual a razão do choro ou da gritaria, visto que a sua forma de comunicação ainda é muito pobre. Isto acaba por ser uma fase de tentativa e erro, que resultou em muitas noites em branco.

A série em si não dá uma resposta concreta, porque o próprio cérebro é a parte do corpo mais difícil de se entender e ainda continuam a haver muitas dúvidas neste campo da Medicina. Contudo, não dá uma resposta concreta mas aponta hipóteses em relação a este campo do desenvolvimento do bebé. E foi através do recolher de dados de aplicações utilizadas por pais como diário de crescimento do filho que este estudo se tornou ainda mais útil.

Babies é uma série que se recomenda, sobretudo se são pais ou se são estudiosos desta área do desenvolvimento humano. Mas mesmo que não sejam nenhum dos dois, a série é interessante por si só. Eu não sou biólogo e sempre adorei ver BBC Vida Selvagem na SIC.

Continuem a conversa nos fóruns VideoGamer!