VideoGamer Portugal por - Jun 12, 2022

O que andamos a ver, 12 de junho, 2022

Tem sido um fim de semana marcado por temperaturas que nos relembram que o verão está a bater à porta. A equipa VideoGamer Portugal tem aproveitado estes dias para se manter em casa, naturalmente jogando, mas também conhecendo algumas propostas de entretenimento em que o movimento das imagens não precisa de um comando nem de um teclado.

O Pedro Martins aproveitou a chegada de Irma Vep ao catálogo da HBO Max para ficar a conhecer o filme de 1996 e o primeiro episódio da série homónima que está a estrear. Fã dos trabalhos de Olivier Assayas que já conhecia, versa este domingo sobre as duas obras (filme e série), como são diferentes e como têm vários ingredientes que as tornam recomendáveis.

Mathera foi a escolha de Marco Gomes para esta edição da rubrica O que andamos a ver. Película de 2019 assinada por dois realizadores, Francesco Invernizzi e Vito Salinaro, é uma ode a uma região que faz parte da lista da UNESCO.

A terminar encontramos as palavras de Filipe Urriça sobre Ms. Marvel. “Gostei muito desta nova abordagem menos séria e mais virada para os problemas de adolescentes em vias de deixar a adolescência, assim houve espaço para alguns momentos cómicos e para o drama que estes jovens enfrentam”, escreveu o redator sobre o novo exclusivo Disney+.

Pedro Martins, Irma Vep (HBO Max)

Durante os últimos anos fui conhecendo a obra de Olivier Assayas através de dois filmes, As Nuvens de Sils Maria e Personal Shopper. Gostei mais do primeiro, mas foram trabalhos que me convenceram. Agora tive oportunidade de ver Irma Vep, primeiro o filme de 1996 e depois o arranque da série homónima que estreou na semana passada na HBO Max.

A premissa é interessante. Um realizador francês, René Vidal (Jean-Pierre Léaud no filme) tem a tarefa de criar uma nova versão do filme Les Vampires. O que aparece no filme de Assayas são os bastidores dessa produção, a forma como a atriz Maggie Cheung interpreta o papel enquanto explora a capital francesa.

Curiosamente, a série de 2022 é uma nova versão do filme de 1996, ou seja, acaba por ser uma proposta um pouco meta. Agora Vidal é interpretado por Vincent Macaigne e a protagonista Mira conta com o talento de Alicia Vikander. Os paralelismos são inevitáveis, algo que começa com o carismático fato vestido pelas duas protagonistas.

No momento em que este artigo é publicado está apenas disponível o primeiro dos oito episódios , mas sente-se a evolução de Assayas. É verdade que estamos novamente perante os bastidores de uma produção, mas as cenas de tensão entre as personagens são alicerçadas por facetas enigmáticas.

Há vários fios narrativos que prometem bastante, sobretudo a relação de Mira com Laurie (Adria Arjona). A HBO Max foi inteligente ao adicionar o filme antes da série estrear, pelo que a minha recomendação é que vejam ambas as propostas, especialmente se gostaram dos dois filmes que mencionei no primeiro parágrafo. Há aqui algo de eletrizante que vale a pena deslindar.

Marco Gomes, Mathera (DVD)

Ainda sob chancela Festa do Cinema Italiano mas à parte da caixa dedicada a sua décima segunda edição, pelos argumentos no parágrafo abaixo elencados tem a proposta escolhida para hoje rija afinidade com a coleção há poucos meses neste espaço abordada, A Grande Arte no Cinema.

O estilo e robustos valores de produção desenganam mas Frascesco Invernizzi é evidência concreta. Ele que na primeira temporada daquela dirigira Leonardo 500 (2019). No mesmo ano para coincidir com o título de capital europeia da cultura à cidade património mundial da humanidade UNESCO entregou ao público Mathera, Mathera – L’Ascolto dei Sassi.

Uma das mais antigas urbes a alcançar o presente, povoada há cerca de oito mil anos. Perpetuação do tempo justificada também no índice sócio-económico da província, subdesenvolvida em comparação interna e, quando era o desfasamento abismo, por libertar totalmente do estigma carimbado no regime ditatorial. Como outros polos de crescente interesse turístico procura árduo compromisso entre vertente económica e manutenção da identidade histórica.

Erguido à parecença dos mais discretos registos do susodito aglomerado – pelo menos na série inicial, única editada no formato doméstico em Portugal -, fica por evitar ainda assim excessos no recurso a captação vídeo por drones e procura de ilusão tridimensional em fotografias de antanho.

Filipe Urriça, Ms. Marvel (Disney+)

As diferentes abordagens que a Disney tem feito para as séries da Marvel Studios, lançadas na sua plataforma de streaming, são, no mínimo, interessantes. Ms. Marvel, pelo primeiro e único episódio que foi disponibilizado, tem uma forma mais leve e jovial de encarar alguém que recebe poderes ao nível de um Dr. Reed Richards.

Kamala Khan é uma jovem fã dos Vingadores, dos seus atos e feitos, e sonha ser como Captain Marvel. É uma jovem rapariga a entrar na maioridade, está a tirar a carta de condução, tem os problemas normais que jovens daquela idade têm com os pais e não sabe como será, nem o que quer fazer com o seu futuro. Podia ser mais uma jovem norte-americana caucasiana com uma história repetida aqui num outro contexto.

Felizmente, estamos perante uma família paquistanesa totalmente integrada na cultura dos Estados Unidos, mas que mantém as suas raízes muçulmanas. É sempre bom ver uma realidade que não é a nossa e ver histórias com origens muito diferentes das habituais. A origem de Ms. Marvel também é uma questão interessante, porque parece que alteraram ligeiramente os seus poderes (ou a forma como esses se manifestam) para a série.

Sinceramente, acho que para uma estreia, Ms. Marvel teria ganho mais com dois episódios, principalmente pelas dúvidas com que ficamos com o encerramento do primeiro episódio. Gostei muito desta nova abordagem menos séria e mais virada para os problemas de adolescentes em vias de deixar a adolescência, assim houve espaço para alguns momentos cómicos e para o drama que estes jovens enfrentam.

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