Ainda que a semana passada tenha sido bastante dinâmica em termos de conteúdo publicado sobre videojogos, a equipa teve ainda algum tempo para ver obras de outro tipo de entretenimento. O Marco teve oportunidade de Tangerinas, um filme publicado em 2013 que versa sobre a guerra na Estónia.

Este que escreve estas linhas viu The Meyerowitz Stories, o novo filme de Noah Baumbach que não desilude os fãs do realizador, que já tinha assinado Frances Ha e The Squid and the Whale, entre outros. Finalmente, o Filipe viu a adaptação cinematográfica de Assassin's Creed e, sem grande surpresa, não o considera o melhor filme do ano.

Imagens O que Andamos a ver 12 nov 2017

Pedro Martins, The Meyerowitz Stories (Netflix)

Depois de ter visto e gostado de Frances Ha e de The Squid and the Whale, foi com enorme agrado que constatei que o realizador Noah Baumbach estava a trabalhar num filme para a Netflix. Esse novo filme, The Meyerowitz Stories (New and Selected), chegou ao catálogo de streaming há aproximadamente um mês e não desilude, não desilude mesmo nada.

Virando-se para Nova Iorque, Baumbach conta a história de uma família em que os filhos tentam lidar com o seu pai. São meios-irmãos que não são tratados por igual, ou seja, somos confrontados com várias formas de amor, de respeito, de compreensão e admiração. 

O patriarca da família é Harold (Dustin Hoffman), um escultor e professor que acha que devia ser mais reconhecido, e os filhos são Danny (Adam Sandler), Jean (Elizabeth Marvel) e Matthew (Ben Stiller). The Meyerowitz Stories consegue caminhar numa fina corda entre drama e comédia, várias vezes não se preocupando minimamente em fazer essa distinção.

Adam Sandler normalmente protagoniza filmes que não são para mim. Compreendo que haja quem goste, mas são geralmente comédias desastrosas. Sandler está muito bem aqui, o que é uma surpresa, mas não é primeira vez: ainda se lembram de Punch-Drunk Love de Paul Thomas Anderson? O protagonista foi Adam Sandler.

Não se esquivando à doença e às misteriosas formas como o amor acontece, Baumbach eleva as personagens, dá-lhes profundidade e contraste. Eliza (Grace Van Patten - que já esteve muito bem em Tramps), filha de Danny, está presente em cenas dramáticas, mas também no incómodo dos filmes que faz para a universidade e que mostra a quem lhe é próximo. The Meyerowitz Stories mostra vidas de uma família e ao fazê-lo pela lente de quem sabe, merece ser visto.

Imagens O que Andamos a ver 12 nov 2017

Marco Gomes, Tangerinas (DVD)

Não lhe faltando méritos próprios, embaciam eles razões para o sexto, e mais badalado, filme da carreira do georgiano Zaza Urushadze, Tangerinas (2013), Mandariinid no original, ficar curto de impacto, tanto instantâneo como no que dele levam os espectadores.

A aspiração ao seu reverso na forma de arrebatado manifesto pacifista inserido nas escaramuças entre georgianos e chechenos que conduziriam ao êxodo da comunidade estónia na Geórgia é bala saída pela culatra. Com caixa outros fizeram estardalhaço de bombo, com bombo soa este a caixa. 

Três são os motivos técnico-compositivos que o justificam, acanhada riqueza no tratamento de personagens e suas interações, virtuosidade pelo excesso do protagonista, Igor, corporizado em Lembit Ulfsak, e desprimor na gestão rítmica de uma trilha sonora de, até por isso, inquestionável valia.

As maleitas retirar-lhe-ão fulgor mas não a importância elementar da mensagem num tempo onde dilui-se no egoísmo das sociedades respeito e tolerância para com o outro, oxalá cravando como a mais esmerada de suas sequências, monte abaixo atirada uma carrinha, escondendo-a da curiosidade de milícias, diz Juhan, “Pensei que iria explodir”, responde-lhe Margus, “Só no cinema”, arremata Ivo, “O cinema é só mentiras”. 

Imagens O que Andamos a ver 12 nov 2017

Filipe Urriça, Assassin's Creed (TVCine)

Eu vi o filme da Ubisoft, Assassin's Creed. Uma obra feita para o seu público, não para quem aprecia cinema. O maior problema é o desenvolvimento das personagens, onde a preocupação do realizador se focou em dar a resolução do arco narrativo aos espectadores.

Apesar da dupla de personagens ser diferente, a narrativa base é exatamente a mesma: o confronto entre Assassinos e Templários ainda continua. Contudo, não sentimos nenhuma motivação por parte de Lynch (o homólogo de Desmond) em querer assumir a sua função enquanto assassino e protetor da verdade e do conhecimento. A Maçã de Éden ainda joga uma parte importante no filme, aliás é a única razão pela qual a história tem de avançar, enquanto uns querem proteger a verdade, outros querem usá-la para os seus próprios interesses.

O maior problema de usar a Espanha como cenário em que ocorre a Inquisição, é que se nota muito que Fassbender não sabe falar espanhol. O sotaque e a pronúncia estão completamente desenquadrados. No entanto, quem gosta de ver cenas de combate com parkour à mistura, tem aqui uma boa razão ver o filme.

Assassin's Creed acaba por ser uma alternativa à saga de Robert Langdon, uma outra adaptação para o cinema, que tem por base os livros Dan Brown. Talvez o jogo seja melhor permanecer no domínio das consolas, como os livros continuarem a serem bons romances.