VideoGamer Portugal por - Feb 13, 2022

O que andamos a ver, 13 de fevereiro, 2022

O que andamos a ver apresenta-nos este domingo parágrafos sobre um documentário, um filme, e uma curta, com a equipa a recorrer ao Disney+ em dose dupla e também a uma coleção de DVD. Continuem a ler para ficarem a par de três propostas bastante diferentes.

O Pedro Martins viu um documentário sem aviso prévio do que iria encontrar. Em Divididos, obra que está disponível no Disney+, a National Geographic, através da lente de Max Lowe, disponibiliza uma proposta íntima sobre o falecimento de um pai que era alpinista a lutar entre o tempo dedicado à sua família e às montanhas.

Silvio e os Outros é a proposta que Marco Gomes escolheu para esta edição, continuando a escrever sobre a obra de Paolo Sorrentino – ainda na semana passada versou sobre A Grande Beleza. Esta manhã afirma que o filme de 2018 é um “intrépido número de equilibrismo, mantendo insólita neutralidade para com a personalidade retratada através da bipolarização de sentimentos que desperta”.

A curta do fim de semana chega-nos através das palavras de Filipe Urriça sobre Nós de Novo, proposta que está disponível no Disney+. É “uma fácil recomendação que não ocupará muito do vosso tempo e que poderá ser inspiradora para fazerem um trabalho que exija alguma criatividade,” afirma o redator, como podem ler na reta final deste artigo.

Pedro Martins, Divididos (Disney+)

Que me lembre, não li nem vi nada relativamente a Divididos antes do documentário aparecer no catálogo Disney+. É uma proposta assinada pela National Geographic que se instala como uma das grandes surpresas que vi este ano.

O alpinista Alex Lowe faleceu em 1999 numa montanha no Tibete soterrado por uma avalancha. O seu filho, Max Lowe, assina o documentário, levando o espectador pela vida do seu pai, a forma como ganhou reputação, como faleceu, e como o seu corpo apareceu, mais de uma década depois.

O grande trunfo – e triunfo – de Divididos é o processo de lidar com a vida e morte de uma pessoa enquanto ilustra a sua presença e ausência no núcleo de uma família. Alex não é retratado apenas como o herói da comunidade de alpinismo, mas como uma figura que, sim, conseguiu a adoração de muitos, mas que foi também um pai ausente.

Max aponta a câmara não só ao amigo e companheiro de escalada do pai, Conrad Anker, como também à sua mãe e aos seus irmãos. O resultado é um documentário que permite ao espectador perceber os sacrifícios dentro de portas e o sofrimento de perder um pai/marido sem que o corpo tenha aparecido durante aproximadamente dezassete anos.

Uma vez que Max teve acesso a inúmero material de apoio, como cassetes gravadas quando o seu pai se tornou uma lenda e uma figura pública, estamos perante uma obra que nos permite compreender esse crescimento – seja de Alex perante o mundo, mas também o crescimento perante si mesmo, lutando entre o chamamento da família e o chamamento das montanhas.

Marco Gomes, Silvio e os Outros (DVD)

A estatística com certeza desacredita a sentença de ser todo o cinema de personagem quando deste a percentagem dificilmente supera a dupla de dígitos.

Há filmes com e de personagens. Profetizando-o fervorosamente Paolo Sorrentino seria questão de tempo até imprimir em celulóide o lastro de uma das maiores em seu país no pretérito século, Silvio Berlusconi.

Silvio e os Outros (2018), Loro apenas no italiano nativo, é a quimera do inconsciente do realizador, um videoclipe longa-metragem -assim mesmo na antítese dos termos-, onde qualquer comparação com o género musical é pura coincidência e o corpo feminino, no abuso perde o simbolismo cargo de advogado de defesa, se vende enquanto artigo visual a preço de saldo.

Deixa o filme completamente ao leú a perspetiva cabotina do cinema de Sorrentino. Se no vigor da imagem é evidente para espectadores de grau indiferenciado de formação no meio, pouco mais necessitar-se-á para intuir debilidades no processo de construção narrativa, preocupado em encadear frases para citação em vez de garantir solidez e coerência ao fio condutor das ações.

Levantando um guião ficcional com elementos biográficos, acontecimentos factuais e de especulação jornalística, mesmo devendo à graciosidade aventura-se Silvio e os Outros por intrépido número de equilibrismo, mantendo insólita neutralidade para com a personalidade retratada através da bipolarização de sentimentos que desperta.

Filipe Urriça, Nós de Novo (Disney+)

Gosto bastante das curtas da Disney que, por vezes, conseguem ter mais ou tanto valor emocional que os seus filmes e séries. Vi Nós de Novo, uma curta-metragem de animação onde não existe diálogos através da voz, mas há uma grande comunicação através da música e da dança. São cinco minutos de boa disposição onde um casal reencontra a sua juventude a dançar.

Ser idoso não significa ser velho, a velhice está nas atitudes que se tomam perante a vida. Quando um casal de idosos descobre que ainda têm bastante juventude enquanto dançam e se divertem com a música, o homem procura a vivacidade que tinha quando era jovem, procura atingir uma realidade que já está fora do seu alcance. Ao lado da mulher, sem estar irritado com o facto de já não ter a mesma mobilidade de outrora, sente-se feliz, com a mesma felicidade quando era, provavelmente, um dançarino que a idade já não o permite ser.

A música que, como é óbvio, é uma parte integrante do filme, até porque não há vozes, complementa muito bem o que fica dito por gestos, expressões e olhares. Ouvimos muito bem o que é dito mesmo não havendo uma única palavra proferida nos seis minutos da curta-metragem. Nós de Novo é, por isso, uma fácil recomendação que não ocupará muito do vosso tempo e que poderá ser inspiradora para fazerem um trabalho que exija alguma criatividade. Vejam-no, está no Disney+.

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