por - Jun 13, 2021

O que andamos a ver, 13 de junho, 2021

Após algumas semanas parado enquanto preparávamos o novo VideoGamer Portugal – esperamos que gostem do novo design e das novas funcionalidades -, a rubrica que ilustra diferentes exemplos audiovisuais a que a equipa tem dedicado algum do seu tempo está de regresso.

O Pedro Martins aproveitou o muito aguardado regresso de Bo Burnham para ver Inside, o seu novo especial que está disponível no catálogo da Netflix. Anos após Make Happy, estamos perante uma obra importante, carismática e um pedaço de entretenimento que é muito mais do um chorrilho de piadas e músicas – é um ensaio sobre estes tempos e como a mente de um indivíduo lidou com os mesmos e como a sua mente tem um pouco da nossa.

Por sua vez, o Marco Gomes teve oportunidade de ver O Bailado do Ciúme, obra que em Portugal está inserida na coleção Astaire and Rogers. É uma obra que ilustra a vida de Josh e Dinah Barkley e que “até nos arrufos se mostram irremediavelmente apaixonados, nunca a nosso interesse pedindo divórcio”.

Finalmente, O Ataque dos Clones é a escolha do Filipe Urriça. Após ter viajado pelo catálogo do Disney+ escreveu que “tem cenas de ação bastante más, efeitos especiais em CGI horríveis e diálogos dignos de serem gozados para toda a eternidade”. Aliás, como podem ver no final deste artigo, o redator está embrenhado numa fase Star Wars.

Pedro Martins, Inside (Netflix)

Bo Burnham regressou com um especial que é uma incrível representação destes tempos. Encerrado num quarto, o comediante – que é muito mais do que isso – passou mais de um ano a criar Inside, uma proposta que está disponível em exclusivo na Netflix e que usa o pretexto da “piada” para nos fazer sentir um vasto leque de emoções.

Tudo saiu da sua mente: as letras das músicas, as piadas, os planos a serem usados, os adereços e a edição. Já tinha visto e gostado de what. (2013) e Make Happy (2016), mas Inside atinge quem vê de uma maneira própria, diferente. O sistema nervoso da obra continua a ser as músicas, mas Burnham mostra o processo da criação, o desespero e a angústia, os altos e baixos de quem esteve, tal como nós, aprisionado numa habitação durante semanas e meses. É um excelso tour de force criativo do princípio ao fim.

Ao longo de quase noventa minutos, somos brindados com temas como “Welcome to the Internet” e “White Woman’s Instagram”, temas que são muito mais do que engraçados ou orelhudos, são músicas com algo a dizer, algo com que muitos dos que vêem e ouvem se relacionam, ou então que instauram uma nova perspectiva.

Concordem ou não, estão a ponderar e a despertar para o que se passa no mundo. E é uma obra com luta, com a mentalidade de que Burnham tem medo de terminar o especial porque isso o deixará com muito pouco na sua vida. Os temas são comuns a quem está atento à atualidade, mas a escrita de Burnham continua mais astuta do que nunca.

A crítica à sociedade, às desigualdades, é transversal, assim como as violentas tiradas auto-depreciativas. O final é tão forte como aquele que nos fez voar – e pensar numa lata Pringles – durante os minutos finais de Make Happy. Burnham esteve afastado dos palcos durante anos, tempo que usou para escrever e realizar Eighth Grade. Como sempre e mais do que nunca, prestem atenção a Bo Burnham e, sem grande surpresa, vejam Inside assim que tiverem tempo.

Marco Gomes, O Bailado do Ciúme (DVD)

Um dos pensamentos mais relevantes extraído do contato com a coleção Astaire and Rogers, 6 – Film Collection é de ser o musical, principalmente no período de maior fulgor da produção americana – como tive oportunidade de referir no primeiro texto alusivo à coleção, indo da década de vinte a cinquenta, inícios de sessenta, do século vinte – um dos poucos géneros a reclamar com legitimidade o estatuto de espetáculo no cinema.

Acontece por ser mais límpido o contrato de consumo de produto cultural de teor escapista com o espectador, ao ponto de não levantar celeuma a subalternidade da narrativa, funcionando como elemento agregador dos números de variedades, deles, como é óbvio, o canto e a dança em primazia, e desta enfoque no estilo Sapateado.

Em seu – respeitante ao género – modelo rigidamente tipificado é O Bailado do Ciúme (1949), The Barkleys of Broadway de título nativo, exemplo tão fiel como qualquer outro presente no pacote, com as duas estrelas Fred Astaire e Ginger Rogers a dar corpo ao casal Josh e Dinah Barkley que até nos arrufos se mostram irremediavelmente apaixonados, nunca a nosso interesse pedindo divórcio.

Filipe Urriça, Star Wars: O Ataque dos Clones (Disney+)

Vi Star Wars: O Ataque dos Clones – Episódio II, o segundo filme da segunda trilogia de George Lucas que conta os acontecimentos que levaram às aventuras de Han Solo e Luke Skywalker nos episódios quatro, cinco e seis. Só vi este filme e A Ameaça Fantasma para recordar os eventos que antecedem a série de animação Star Wars: The Clone Wars, visto que já li que esta é muito boa e como estreou recentemente O Lote Estragado, depois vejo A Vingança dos Sith antes de ver a nova estreia do Disney+.

Anakin Skywalker está a ser treinado por Obi-Wan Kenobi, um mestre Jedi que prometeu ao seu mestre Qui-Gon aceitar Ani como seu padawan. Ao longo do filme, Anakin revela-se um jovem que tem demasiado poder para o seu próprio bem é não são só os cavaleiros Jedi que vêem o grande potencial do rapaz. Contudo, este tem dificuldade em ser um aprendiz disciplinado a reprimir as suas emoções mais fortes, principalmente as negativas. O miúdo sofre bastante e estão sempre a dizer-lhe que os seus sentimentos têm de ser controlados, percebe-se o porquê de Anakin se tornar o vilão de Star Wars.

Esta trilogia tem a infâmia de três dos piores filmes saga de ficção-científica da Disney, não sei se é este ou o primeiro filme que poderá levar o prémio de pior filme, mas O Ataque dos Clones apresenta bons argumentos a seu favor. Tem cenas de ação bastante más, efeitos especiais em CGI horríveis e diálogos dignos de serem gozados para toda a eternidade. Quando Anakin fala de areia a Padmé para dizer o quanto gosta da suavidade que esta não tem, fiquei pasmado, tive quase vontade de apontar este diálogo fantástico.

Contudo, apesar de não ser o melhor filme da saga, a película não é tão má quanto me lembro. Se deixássemos de lado as politiquices que vão levar à queda da República e à formação do Império, o filme até se vê bastante bem. E como já vi os nove filmes principais, ainda me falta ver o filme de Han Solo, é curioso como este encaixa com a sua estrutura narrativa. Agora que já vi o filme, comecei a ver The Clone Wars por ordem cronológica, ou seja, comecei pelo episódio dezasseis da segunda temporada, vou ver um segundo filme de animação que também não tinha visto, Star Wars: Ataque dos Clones.

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