VideoGamer Portugal por - Mar 13, 2022

O que andamos a ver, 13 de março, 2022

Não é preciso um artigo como este para mencionar que o mundo está a sofrer. Quando a pandemia continua, há uma guerra que deixou de ser uma possibilidade. Este domingo, o Filipe Urriça passou pela Netflix para ver o documentário Winter on Fire, obra publicada em 2015 sobre a luta pelos direitos civis na Ucrânia.

Como o Filipe tem oportunidade de mencionar, a Netflix disponibilizou o documentário no YouTube, como podem ver aqui. Se tiverem alguns momentos livres, é uma obra que ajuda a compreender melhor o que se está a passar hoje em dia naquele território.

O Marco Gomes viu Guerra Fria – Cold War, uma obra assinada por Pawel Pawlikowski que versa sobre o amor entre um diretor musical e uma cantora, tentando convencê-la a deixar para trás a Polónia comunista e a mudar-se para França. O filme obteve três nomeações para os Oscar e Pawlikowski já tinha sido responsável pelo excelente Ida em 2013.

A primeira participação que podem ler já de seguida, porém, é assinada por Pedro Martins, que aproveitou a chegada do HBO Max a Portugal para testemunhar os primeiros três episódios de Station Eleven. E aconselha que façam o mesmo, pois é uma interessantíssima proposta de ficção científica.

Pedro Martins, Station Eleven (HBO Max)

Com a chegada a Portugal do HBO Max, ficou disponível a primeira temporada de Station Eleven, uma das obras que marcou 2021. Tive oportunidade de ver os primeiros três episódios e fiquei rendido a esta proposta de ficção científica que conta com uma trama que promete deixar qualquer um curioso.

Baseado no livro homónimo de Emily St. John Mandel, o mundo está novamente muito perto de terminar. Uma misteriosa e mortífera gripe propaga-se pelo planeta, ceifando vidas indiscriminadamente. O espectador tem direito a acompanhar estes acontecimentos em diferentes momentos da linha temporal.

Não é necessariamente um veículo novo para entregar o argumento, mas Station Eleven faz muito para nos manter investidos. Os eventos começam com Arthur Leander (Gael García Bernal) a colapsar e a falecer em palco enquanto interpretava Rei Lear. Na plateia, Jeevan Chaudhary (Himesh Patel) tenta fazer algo e conhece Kirsten Raymonde (Matilda Lawler), a filha de Leander que neste momento tem oito anos. A gripe está a começar.

Saltamos para os efeitos da pandemia, vinte anos depois, quando Raymonde é interpretada por Mackenzie Davis. As vidas, obviamente, mudaram, adaptaram-se, sumiram. Muitos não conseguiram chegar a este momento. A série salta entre os diferentes pontos temporais com eficácia, ou seja, até este momento não torna complicado o ato de entender quem é quem, ficando os pontos de interrogação reservados para o que aconteceu entre o que já sei e, obviamente, o que vai acontecer.

O livro foi publicado em 2014, mas há vários pontos que parecem uma adivinhação para a pandemia que tem marcado a humanidade durante os últimos anos. Em certos momentos, Station Eleven é uma lembrança desse pesadelo que ainda continua. Mas é também um bom conto e uma maneira bem conseguida de nos deixarmos fazer parte destas vidas.

Marco Gomes, Guerra Fria – Cold War (DVD)

Os fenómenos que nos recordam são tão importantes como os que ensinam. O poder demente é uma das ameaças à existência da raça humana.

Assistimos em território ucraniano à guerra da perplexidade, também pela ajustável veemência no uso da palavra “ignomínia” consoante o enquadramento geopolítico. Múltiplos pesos na balança dos inocentes.

Não mata o verbo mas o tempo dele nas trincheiras da retórica. À velocidade com que a boca dispara as doze letras de “neofascistas” outro alvo estratégico cai: maternidades, creches, escolas, hospitais, lares de idosos, cemitérios.

E as treze de “solidariedade” usadas até à náusea pelos líderes europeus, quantas vidas salvaram? Na esperança de se livrarem de males quejandos os seus fazem orelhas moucas de um velho ensinamento, com os loucos não se negoceia.

Perante a tragédia ressaltou do espaço dedicado aos DVD por ver o título da proposta agora trazida. Pese o enquadramento histórico de uma Polónia coberta pelo manto do comunismo, com as orientações políticas basilares traçadas pela cúpula do partido em Moscovo, é Guerra Fria – Cold War (2018) um desses romances avassaladores adaptados da literatura, ou o emulando. Segunda hipótese, livremente inspirada na relação dos progenitores de Pawel Pawlikowski.

De lastimar alguns excertos superficiais e crise de sequencialidade narrativa pelo abusivo recurso a elipses, até porque, recorrendo a balizamentos concretos, provam as cenas de abertura e fecho quão potencial fora desperdiçado na amálgama.

Filipe Urriça, Winter on Fire: Ukraine’s Fight for Freedom (Netflix)

Acho que qualquer pessoa no Ocidente está abalada com o que se está a passar na Ucrânia, desde de 24 de Fevereiro que não ouço outro tema nos noticiários e nos espaços de comentário de geopolítica.

Para perceber melhor o que se passa naquele país fui ver o documentário na Netflix, Winter on Fire: Ukraine’s Fight for Freedom, que explica o que aconteceu em 2013 e 2014 para voltar a haver um conflito. Agora, este conflito, escalou para uma guerra a grande escala que vai ter um impacto bastante grave na Europa e no resto do mundo.

Yanukovych, uma marioneta de Putin, ex-presidente da Ucrânia exilado na Rússia, é o grande responsável pela eclosão deste conflito. Este presidente é um corrupto, um vassalo do regime autocrático russo, que negou a adesão à União Europeia que o povo ucraniano tanto queria, uma possível adesão faria um corte profundo da ligação da Rússia à Europa.

Após essa negação o povo não aguentou e revoltou-se na capital, Kyiv. O próprio povo fez uma revolução muito pacífica, mas Yanukovych não perdeu tempo a utilizar a sua polícia de intervenção, a Berkut, para combater as manifestações que estavam a ocorrer em Maidan.

O problema da utilização desta polícia é que tem ordens para ser extremamente violenta contra civis, que nem sequer estavam armados, as imagens deste documentário são de uma violência gráfica impressionante. Se isto não fosse suficiente, no meio da Berkut estão os Titushky, autênticos hooligans, sedentos de sangue que fazem a vida negra aos manifestantes. No fundo, é triste ver que aquele conflito são ucranianos contra ucranianos, apesar de haver ali mão russa.

Quando fui ver este documentário, pensei que abordariam a parte em que a Rússia anexou a Crimeia ao seu território, mas isto foi o princípio da guerra que se vive hoje na Ucrânia. Vejam este documentário, que foi disponibilizado no YouTube pela Netflix, que vale a pena para perceber melhor as origens deste conflito bélico.

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