Nesta atualização semanal com o que a equipa VideoGamer Portugal tem andado a ver, o Pedro Martins escreve sobre o primeiro episódio de I May Destroy You. É uma estreia que termina com um estilhaço e que, segundo o próprio, vale a pena ver. De ritmo rápido e com uma escrita acutilante, pode ser o arranque de uma série fulgurante.

O Marco Gomes regressou à sua coleção de DVD para assistir ao filme Sol de Chumbo. Realizado e escrito por Dalibor Matanic, a película tem como pano de fundo a Guerra dos Balcãs. Por sua vez, o Filipe dedica a sua participação a A Arte da Autodefesa, obra protagonizada por  Jesse Eisenberg que conta a história de alguém que foi atacado na rua e que, como o título indica, procura melhorar a sua autodefesa.

Desejando aos seus leitores um bom domingo, a equipa do VideoGamer Portugal aproveita para relembrar que podem ler aqui o artigo publicado ontem para ficarem a conhecer alguns dos videojogos a que os seus membros têm dedicado algumas horas durante os últimos dias.

Pedro Martins, I May Destroy You (HBO Portugal)

Ainda só está disponível o primeiro episódio de I May Destroy You, mas é um arranque que deixa antever uma série memorável. Em menos de trinta minutos, chegamos à vida de Arabella (Michaela Coel), que depois de ter publicado um livro de sucesso baseado numa série de tweets, luta contra o tempo - e a concentração - para terminar o esboço do seu próximo trabalho.

Entre convites de amigos, saídas à noite, encontros com fãs, Arabella dá um ritmo frenético ao primeiro episódio. É uma luta contra o relógio que parece conduzir I May Destroy You no retrato de uma porção daquelas vidas que se tentam afirmar entre obrigações profissionais e relações pessoais.

Todavia, os últimos momentos do episódio de estreia mudam completamente o caminho. Sentindo-se estranha quando entrega finalmente o esboço do seu próximo livro, enquanto ainda está a sangrar da cabeça, Arabella relembra-se de um momento da noite anterior: antes de a sua memória ficar deturpada, foi violada na casa de banho.

I May Destroy You continuará com este acontecimento no seu centro, não sabendo ainda como é que a escrita vai edificar Arabella e as vidas que a rodeiam. Vale a pena começar a ver, isso é certo. O talento de Coel, que escreveu os doze episódios e que realizou alguns, promete uma jornada emocional que não deixará ninguém indiferente.

Marco Gomes, Sol de Chumbo (DVD)

A chamada “química” vai além das relações humanas, existindo em sentido unidirecional no elo criado com objetos culturais. Tanto num caso como noutro o prazer maior daí extraído surge no mistério. Mais do que não compreender as particularidades forjando o vínculo, tenta-se nem o fazer.

Assim é com a oitava longa-metragem para cinema do croata Dalibor Matanic, Sol de Chumbo (2015), Zvizdan no original, vencedor da categoria Un Certain Regard no Festival de Cannes desse ano. É óbvio que tal tornaria insustentável este texto, pelo que, seguem algumas considerações de rente profundidade.

A ilusão do processo é transversal ao registo meiando-se em pressupostos que só aparentemente são antagónicos, a complexidade partindo de meios singelos e a simplicidade construída sobre reflexão, planeamento e competência prática.

No primeiro caso temos a própria estrutura da obra tripartida em círculos narrativos de uma mesma temática segundo visões diferenciadas, o amor proibido, chaga viva dos traumas provocados pelo conflito dos Balcãs opondo sérvios a croatas. Sendo ela, Tihana Lazovic, Jelena, Natasa, Marija e ele, Goran Markovic, Ivan, Ante, Luka, mudam os nomes porque respondem mantendo-se o par de atores em cada segmento.

Fugindo ao óbvio, até por haver vários campos a destacar, é exemplo do segundo caso o sentido de musicalidade, operando nas três partes com igual importância e em desformatado jeito. Ao invés de vincar o poder da imagem faz desta subalterna ou casam as duas em ironia, levando a brincadeira além na passagem em que o par faz percussão compassada através de movimentos e instrumentos de trabalho.

Filipe Urriça, A Arte da Autodefesa (TVCine Top)

Jesse Eisenberg tem um talento próprio para representar personagens que sejam introvertida e pouco sociais. Em A Arte da Autodefesa, Eisenberg faz esse papel de forma brilhante, não por manter essa personalidade, mas por estarmos a assistir à sua transformação.

Casey, a personagem de Eisenberg, foi atacado por um bando motard e desde esse incidente que se encontra aterrorizado a sair sozinho. E como tem uma vida solitária, teve de encontrar uma solução. Comprar uma arma é a resposta tipicamente americana, só que ao passar junto de uma escola de karaté preferiu inscrever-se nestas aulas.

É a partir do momento que Casey decide fazer a inscrição no karaté que a sua transformação começa, tornando-o cada vez mais confiante de si próprio e das suas capacidades. A pouco e pouco apercebe-se que entrar nas aulas de karaté poderá não ter sido a melhor escolha.

O filme tem bastante humor, principalmente através das atitudes e situações tomadas por Casey. Assim, há espaço para nos rirmos com humor negro, que tem como base a ridicularidade de uma masculinidade tóxica. Mas é na descoberta daquilo que a escola de karaté realmente é que se dá o grande twist do filme.

Pessoalmente, acho que não é um filme para todos, porque não é uma comédia fácil, mas gostei de o ver, sobretudo pelos excessos estúpidos que acontecem ao longo do filme.

Continuem a conversa nos fóruns VideoGamer!