Depois de uma semana ausente, a rubrica que revela aos nossos leitores aquilo que a equipa VideoGamer Portugal tem andado a ver está de regresso, desta vez mostrando novamente recomendações bastante ecléticas, desde uma série AMC a um filme, passando por uma proposta vinda de terra da Marvel.

O Filipe Urriça teve oportunidade de ver a primeira temporada de Os Defensores, que lhe agradou o suficiente para ficar curioso com The Punisher e a nova temporada de Jessica Jones. O Marco Gomes continua a passar em revista a sua coleção de DVD e esta semana escreve-nos sobre Lady Chatterley, filme de 2006 assinado por Pascale Ferran.

Finalmente, eu vi os primeiros episódios de The Terror, uma nova produção AMC criada por David Kajganich e com base na obra de Dan Simmons. Tive oportunidade de ver o primeiro trio de episódios e será interessante perceber como é que esta expedição permanece apelativa ao longo da temporada, tal como podem ler no final deste artigo.

Imagens Ver 15 abril 2018

Filipe Urriça, Os Defensores (Netflix)

Vi Os Defensores na sua totalidade, ou seja vi oito episódios da série que junta os quatro heróis da Marvel que se estrearam na Netflix. Demolidor, Jessica Jones, Luke Cage e Punho de Ferro são heróis que apareceram no gigante de streaming por esta ordem. E também foi por esta ordem que a qualidade foi caindo - com Punho de Ferro caiu drasticamente, uma das piores séries de todo o catálogo Netflix. 

Como é claro, o melhor continua a ser a personagem representada por Charlie Cox, o advogado Matt Murdock que tem uma segunda vida quando assume o seu papel de Demolidor. Além de ser a personagem mais interessante, dada a meticulosa construção que teve nas duas primeiras temporadas a solo, também é o herói com um passado partilhado com uma das vilãs. Isto faz com que as suas cenas de luta estejam condicionadas, mas sem deixar de entregar lutas coreografadas soberbas. Dos quatro, Demolidor continua a ser o herói com as cenas de combate marcial mais impressionantes - o que diz muito da pior personagem, Danny Rand.

No que toca a vilões, a primeira metade da série constrói lentamente a sua identidade, o que permite haver maturação da personagem sem haver demasiadas questões por responder. Porém, quem dá corpo às suas ações, é uma outra vilã que serve praticamente de objeto para que esta líder da organização criminosa A Mão consiga atingir os seus fins. Com esta sobreposição na hierarquia, Madame Gao fica um pouco fragilizada, uma das mais temíveis vilãs da série Demolidor. 

Agora que Os Defensores está terminado posso finalmente continuar a ver as restantes séries que deixei em pausa, nomeadamente, The Punisher e a nova temporada de Jessica Jones. 

Imagens Ver 15 abril 2018

Marco Gomes, Lady Chatterley (DVD)

A obsessão venceu o medo. A obsessão de Pascale Ferran pelo clássico da literatura erótica de D.H. Lawrence, O Amante de Lady Chatterley, publicado originalmente em 1928 com o título Lady Chatterley’s Lover. O medo de o adaptar a filme sabendo antemão que um condigno logro só estaria ao alcance de inúmeras provações, não vendo minguar responsabilidade, talvez no contrário, perante os intentos que o antecederam, tanto em cinema como televisão.

De 2006, terceira longa-metragem da realizadora gaulesa - mais calejada enquanto guionista -, revela-se Lady Chatterley como uma dessas transcrições entre formatos onde, por muito zelosa que seja a fidelidade à origem, não castra ela possibilidades conferidas por um diferente meio de expressão, e, menos ainda, identidade criativa de seus intervenientes.

Técnica e logisticamente é credível filme de época, excetuando o desencontro da oralidade francesa sobre escrito britânico com seus Clifford, Malcolm ou Bolton, contudo, a austeridade formal reconhecida na estirpe cede lugar ao que se poderia designar como constrição libertina, abundando em planos de pormenor, movimentos inopinados, quão esparsos e fugazes, de câmara e omnipresença da natureza enquanto personagem não corpórea, o observador endógeno da entrega à volúpia de Constance e Parkin.

A fácil recomendação da obra faz-se também pela competência do elenco, e direção de atores a ela subjacente, com o intimidante, até pela exposição do recato corporal, papel da senhora Chatterley a ficar em boas mãos, as de Marina Hands, assim mesmo em trocadilho barato, não fora o ensejo incapaz de fazer justiça à sublimidade do desempenho. 

Imagens Ver 15 abril 2018

Pedro Martins, The Terror (AMC)

The Terror é uma das séries mais peculiares que vi em 2018. Não necessariamente a melhor, mas o arco narrativo central promete, em teoria, alimentar a curiosidade dos espectadores. 1840, dois barcos, Árctico Canadiano, uma expedição polar, forças que ainda ninguém compreendeu.

Vi dois episódios dos três transmitidos até ao momento pela AMC Portugal e, para já, ainda estou na expectativa de ver se o criador, David Kajganich, consegue uma boa adaptação do livro assinado por Dan Simmons - importa não deixar de mencionar que a série conta com a produção executiva de Ridley Scott.

A parte sobrenatural da série ainda continua a ser uma grande incógnita, ao contrário das excelentes performances de Jared Harris, que basicamente é brilhante em tudo o que participa, sendo inesquecível em The Crown, e também de Ciarán Hinds. A verdade é que vale a pena experimentar The Terror, mesmo que ainda esteja na expectativa de perceber se a tal parte misteriosa não será um chorrilho de clichés. Sinceramente, espero que não, porque praticamente tudo o resto merece uma abordagem condigna.

Continuem a conversa nos fóruns VideoGamer!