VideoGamer Portugal por - Aug 15, 2021

O que andamos a ver, 15 de agosto, 2021

O que andamos a ver deste domingo visita duas vezes a Netflix e aventura-se por um filme em DVD. Como podem ver a abrir o artigo, Pedro Martins viu Vivo, um novo filme de animação realizado por Kirk DeMicco que tem nos temas musicais de Lin-Manuel Miranda um dos pontos fortes.

Por sua vez, o Marco Gomes teve oportunidade de assistir a Florença e a Galeria dos Ofícios, uma obra que faz parte da coleção Festa do Cinema Italiano. Quem lhe der uma oportunidade, será levado a compreender melhor o Renascimento.

Finalmente, o Filipe Urriça esteve também pelo catálogo e viu também uma obra de animação, Paradise PD. O redator ficou rendido aos encantos humorísticos dos episódios que já testemunhou, afirmando que “de certeza que não encontram outra série sem papas na língua como esta”.

Pedro Martins, Vivo (Netflix)

Disponível desde a passada sexta-feira, 6 de agosto, em exclusivo na Netflix, Vivo é uma nova proposta de animação que conta com o talento de Lin-Manuel Miranda, mente principal de Hamilton que aqui é reponsável pela música, é produtor executivo e empresta a sua voz a Vivo, o quincaju que protagoniza o filme da Sony Pictures Animation.

Somos transportados até Cuba, onde o seu dono Andrés (Juan de Marcos) organiza eventos musicais na rua. Não demora muito para que um evento tráfico marque a obra e Vivo tenha que entregar uma canção que Andrés escreveu para Marta Sandoval (Gloria Estefan), o seu grande amor.

Com pouco mais de noventa minutos de duração, Vivo alimenta-se dessa jornada para contar uma história de amor, de perda, e de amizade. Tudo isto com uma sonoplastia que eleva os acontecimentos, que os ajuda a ganhar mais tração e que, irremediavelmente, conta com temas que ficarão, invariavelmente, na cabeça de quem lhe dedicar a sua atenção.

Um dos destaques é a prestação de Ynairaly Simo como Gabi, a amiga de Vivo que o ajuda na viagem, mesmo que para tal tenha que sair de casa sem avisar a sua mãe, Rosa (Zoe Saldana). Não estamos perante uma tragédia que puxa incessamente à lágrima, mas sim a uma celebração que não se escusa a incluir a morte e as saudades na sua trama principal.

É verdade que podem ser traçados paralelismos fáceis entre Vivo e algumas obras da Pixar, mas têm aqui algo que não é um desperdício do vosso tempo. É ligeiro quando tem que ser, mas toca emocionalmente vários pontos nevrálgicos. Ajuda que a animação tenha uma qualidade excelsa, tanto no detalhe, como na conjugação de cores.

Marco Gomes, Florença e a Galeria dos Ofícios (DVD)

O formato DVD é hegemónico em nossa oferta caseira de cinema, com uma só, e pelos vistos inatacável, razão que o justifique, baixo custo de impressão. Baixo o suficiente para que assim se mantenha no fim da cadeia de distribuição, ao consumidor final. Se a classe média discordar da lógica do raciocínio ainda lhe resta, quem dele saiba tirar partido, o conhecimento de mercado.

Vide o exemplo que ocupará minha participação na rúbrica nos próximos dois meses. Da entrega original num dos jornais diários de maior tiragem a 9,50€ por cada uma das dez partes que a compõem, preço global 95€, chegou a primeira temporada da coleção A Grande Arte no Cinema ao retalho em dois volumes, preço unitário de 34,99€, sensivelmente 70€ o conjunto. Pouco mais de meio ano após este lançamento uma promoção desceu cada volume aos 10,50€, desconto percentual de 78% face ao inicial, nos 21€ de preço pela temporada completa.

Inserida no programa de edições da Festa do Cinema Italiano, promovida pela associação Il Sorpasso, atribuiu-se o número de abertura a Florença e a Galeria dos Ofícios (2015), Firenze e Gli Uffizi 3D/4K, ordenação a não ficar cativa do aleatório na importância relacional da cidade italiana com o conteúdo dos capítulos subsequentes.

A região italiana da Toscânia em abrangente sentido geográfico mas com epicentro em Florença, ali se tornaram visíveis as fissuras da cisão com a Idade Média no movimento humanista designado historicamente por Renascimento, ou Renascentismo ou Renascença. Por berço ou embalo de carreira está a capital toscana umbilicalmente ligada aos maiores nomes da arte entre os séculos XIV e XVI, sendo esse o corpo de análise do documentário de noventa e cinco minutos dirigido por Luca Viotto.

Filipe Urriça, Paradise PD (Netflix)

Tal como com os videojogos, também tenho várias séries em atraso que ainda tenho por ver. Faltava-me ver a terceira temporada de Paradise PD, uma série de animação que está na Netflix e que é hilariante, mas que é provável não ter um humor apreciado por todos. Pessoalmente, acho aquilo tão exagerado que fico a rir às gargalhadas mesmo depois de passarem os créditos de cada episódio.

Se eu já achava que quem escreve os episódios de Rick and Morty tem uma enorme criatividade, em Paradise PD esta fasquia está muito mais elevada. Contudo, aqui não se exploram conceitos filosóficos ou minimamente inteligentes, em Paradise PD procurar-se a piada simplesmente pela reação que nos faz rir, não para discutirmos, posteriormente, teorias sobre as mensagens subliminares do episódio.

Paradise PD não tem medo de ser controverso, é possível que seja mesmo isso que procura, mas se consegue fazer rir eficazmente, então acho que foi uma boa escolha terem escolhido esta forma de comédia. É muito provável que encontrem um tema que vos possa ofender ou deixar desconfortáveis, porque aqui os temas são sexo, drogas ou política. Até gozam com pessoas obesas que transportam bombas de insulina e eu que sou diabético achei imensa piada a esta situação específica.

Enfim, Paradise PD é uma série que consegue ofender ainda mais na terceira toma do que nas temporadas anteriores e ter momentos bem nojentos, sem deixarem de ser engraçados. De certeza que não encontram outra série sem papas na língua como esta, mesmo que os temas que aborda sejam muito sensíveis.

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