VideoGamer Portugal por - May 15, 2022

O que andamos a ver, 15 de maio, 2022

O que andamos a ver apresenta este domingo três participações que versam sobre outras tantas formas de tentar manter o espectador investido. Há uma série inspirada num documentário, um filme realizado a dois, e uma curta-metragem inspirada no universo de WALL-E.

O primeiro a partilhar os seus achados é Pedro Martins, que teve oportunidade de começar a ver The Staircase, a série que recentemente chegou à HBO Max depois de ter sido, por exemplo, um documentário na Netflix. O caso continua a fascinar o mundo e a criação de Antonio Campos é uma proposta sólida que conta com performances brilhantes.

Seguem-se as palavras de Marco Gomes sobre Diamantino. A película realizada por Gabriel Abrantes e Daniel Schmidt versa sobre um futebolista que quer adotar uma criança refugiada. É “uma comédia delirante que cedo toma independência face a um potencial universo paralelo desconstruído na imagem”, mas onde “raramente a irreverência é traduzida em impacto”.

O Filipe Urriça continua numa missão para ver todas as curtas disponíveis no catálogo do Disney+ e este domingo escreve sobre BURN-E. São precisos apenas alguns minutos inspirados no universo de WALL-E para ser uma obra que salienta “a personalidade única de todos os robôs que estão aqui presentes”.

Pedro Martins, The Staircase (HBO Max)

Depois de ter visto o documentário The Staircase na Netflix aquando da sua estreia em 2018, recentemente tenho dedicado algumas horas à série homónima que está a ser transmitida pela HBO Max. Mesmo sabendo o desfecho do caso, não deixa de ser uma proposta cativante, ainda que com alguns problemas de ritmo.

A produção acompanha o caso de Michael Peterson, um escritor que é acusado de matar a sua mulher, Kathleen Peterson. Há muitos desenvolvimentos complementares, mas o núcleo é o aparecimento de Kathleen morta no fundo das escadas da casa do casal. E, como adivinharam, a questão é se morreu de uma queda ou se foi alguém a matá-la, nomeadamente, o marido.

Vi três dos quatro longos episódios que estão disponíveis – a série será eventualmente composta por oito. A dramatização edifica momentos que não me recordo do documentário, mas tem alguns problemas na forma como mantém o espectador investido. É inequivocamente uma recomendação, mas estejam preparados para alguns minutos em que aparentemente pouco acontece.

Na produção para a HBO, Colin Firth dá vida a Michael e Toni Collette interpreta Kathleen. Isto significa obviamente incontáveis cenas antes do acontecimento decorrer, mas é aqui que está o ponto mais conseguido: são brilhantes interpretações, especialmente de Firth, que até os maneirismos vocais de Michael consegue incutir na personagem.

Há muito que este caso fascina quem o descobre e ganha um novo fôlego de interesse com estes episódios. Independentemente de conhecerem as pessoas e os detalhes da história, é uma proposta sólida. Sophie Turner dá o ar da sua graça a interpretar uma das filhas e Michael Stuhlbarg, que já tinha estado bem em Dopesick, ajuda a agitar as águas como advogado.

Marco Gomes, Diamantino (DVD)

Numa perspetiva estritamente teórica uma quota de mistério sobe às cavalitas da proposta agora avançada pela discreta amplitude mediática quando o objeto de fixação entra na escala global de histeria. Os noventa e seis minutos fornecem resposta inequívoca, consensuais em desafeto de gregos e troianos.

Vendo num oceano de pólen cor-de-rosa Diamantino Matamouros (Carloto Cotta) driblar cãezinhos felpudos com as cores da bandeira nacional monárquica fica desde logo a pulga atrás da orelha onde nos conduzirá esta dimensão retorcida da figura e vida de Cristiano Ronaldo.

Dividindo realização em A History of Mutual Respect (2010) e Palácios de Pena (2011) ataca desta vez o formato longa-metragem a dupla Gabriel Abrantes e Daniel Schimdt com uma comédia delirante que cedo toma independência face a um potencial universo paralelo desconstruído na imagem, já de si encadeada pelos holofotes, do ícone.

Diamantino (2018) alardeia ostentação juvenil na tentativa de fintar o espectador para a cru evidência que, com ou sem ela, outra coisa não seria que fita juvenil. Retirando lições gastas do manual de cinema para público acessível raramente a irreverência é traduzida em impacto, entrando numa espiral de quadros anódinos cuja irritação crescente suspira de alívio apenas nos créditos finais.

Filipe Urriça, BURN-E (Disney+)

Nos últimos meses, como já podem ter visto, tenho optado por trazer curtas-metragens para esta rubrica semanal. Por isso, ganhei um certo gosto em ver este tipo de conteúdo audiovisual. É quase como se estivesse a comer ou beber algo concentrado, para depois ficar com um sabor que perdura no palato. Assim, escolhi ver mais um, que se insere no universo do filme WALL-E. Vi BURN-E e admito que adorei.

Nesta curta da Pixar, acompanhamos um pequeno robô, BURN-E, em que a sua única função é soldar para reparar estragos na nave onde se encontram os humanos à procura de um novo planeta para habitar. Nem aos dez minutos chega, mas o que nos entrega é mais do que suficiente para nos fazer emocionar, principalmente rir. A vida deste pequeno robô é contada a par com os vários eventos do filme, o que contextualiza as funções que vai desempenhando.

WALL-E, obviamente, estraga uma das antenas da nave espacial, portanto BURN-E é chamado a intervir. É incrível como é que a Pixar consegue injetar vida em objetos inanimados, afinal este é o ADN da produtora da Disney, que faz tão bem desde o seu primeiro filme estreado em 1999.

Esta curta não é só engraçada, como se encaixa na perfeição no filme, salientando a personalidade única de todos os robôs que estão aqui presentes. Sinceramente, aconselho que vejam esta curta que está no serviço de streaming da gigante de Burbank, sobretudo, se WALL-E ainda estiver fresco na vossa memória.

Comentários

0 Comments
Inline Feedbacks
View all comments