por - May 15, 2016

Top 10 de 2018 – Pedro Marques dos Santos

Com o ano de 2018 já a fazer as suas despedidas e pronto a ceder o lugar ao seu sucessor, eis que chega aquela altura mágica do ano em que críticos, sites especializados e fãs das mais variadas indústrias de entretenimento embarcam em discussões acesas para determinar, pelos mais diversos critérios que têm pouco em comum para além da sua subjetividade, o que de melhor a sua área de especialidade teve para oferecer ao longo dos últimos 12 meses. Como não poderia deixar de ser, o VideoGamer Portugal não passa ao lado desta tradição anual, pelo que a partir de hoje e até ao dia 30 de dezembro vamos publicar as listas alusivas às obras que dominaram as preferências dos elementos da nossa equipa editorial.

Tal como já se tornou prática comum desde a fundação deste website, o VideoGamer Portugal volta a apresentar listas individuais para cada um do seus redatores e as justificações para isso são as mesmas de sempre. Devido à equipa reduzida e ao facto de cada um de nós ter pouco tempo para jogar obras sobre as quais não tenhamos escrito análises ou artigos, a vasta maioria dos lançamentos deste ano foi jogada apenas por um elemento da equipa pelo que não faria sentido tentar criar um lista que combinasse e ordenasse títulos que apenas um dos redatores teve oportunidade de experienciar.

Mais uma vez, cabe-me a mim a tarefa de abrir as hostilidades e revelar os jogos que mais me satisfizeram em 2018. Porventura mais difícil de antecipar do que em anos anteriores, o meu Top 10 deste ano surpreendeu-me até a mim próprio, acabando por incluir géneros que normalmente não fazem parte das minhas preferências e outras obras que não geraram a celeuma que talvez deveriam. Porque nunca é demais repetir, esta lista é uma representação das minhas obras favoritas do ano e não necessariamente dos melhores jogos que joguei durante estes meses.

Antes de partirmos para a apresentação dos meus dez jogos selecionados, importa mencionar algumas omissões. God of War, Shadow of the Colossus e Pokémon Let’s Go, Pikachu! – ou Eevee, se preferirem – estão fora da lista porque, apesar de ter dedicado algumas horas aos mesmos, não joguei o suficiente para fazer uma avaliação competente da sua qualidade. Títulos como Red Dead Redemption 2, Detroit: Become Human, Gris, Florence, Yakuza 6, Return of the Obra Dinn e Celeste são alguns exemplos de jogos que não tive tempo para jogar, mas que continuo bastante interessado em experimentar. Nas menções honrosas incluem-se Assassin’s Creed Odyssey, Shadow of the Tomb Raider, Donut County, Legendary Gary e Flipping Death.

Sem mais demoras, fiquem com as dez obras que mais me marcaram, que mais me surpreenderam e que mais prazer me proporcionaram ao longo dos últimos doze meses.

10. Wandersong – Classificação VideoGamer Portugal: 8/10

A capacidade para surpreender é uma característica que valorizo imenso nas obras que jogo, especialmente porque depois de tantos anos a escrever sobre videojogos, e muitos mais a jogá-los, isso acontece com cada vez menor frequência. Wandersong, o peculiar título de puzzles e plataformas de Greg Lobanov, foi um dos jogos que conseguiu esse feito durante este ano civil e muito por aí se explica a sua inclusão nesta lista.

Como escrevi na minha análise, Wandersong é uma experiência enganadora, uma obra que se apresenta alegre, jovial e até cómica nas suas horas iniciais apenas para depois desferir poderosos socos emocionais para os quais o jogador desprevenido não estará preparado. A forma como combina a sua musicalidade com a jogabilidade pode não traduzir-se em peças musicais memoráveis, o que é uma pena, mas a sua narrativa trata de nos oferecer os momentos que ficarão connosco depois de terminada a aventura.

Com uma “história surpreendentemente humana que tem algo a dizer sobre o nosso papel na sociedade e a nossa visão de nós próprios”, Wandersong é uma obra que vale efetivamente a pena.

9. Crossing Souls – Classificação VideoGamer Portugal: 8/10

Não atingiu, porventura, os níveis de qualidade que as minhas altas expectativas para o título pretendiam, mas isso não impediu que acabasse por conseguir uma posição na minha listagem de final de ano. Sendo uma das minhas obras mais aguardadas para o ano que agora termina, esperava poder colocá-lo num lugar mais perto do topo, contudo, o simples facto de estar aqui incluído em detrimento de outros jogos é um bom indicador de que Crossing Souls mostrou ser uma das mais interessantes experiências que joguei em 2018.

Acima de tudo, a obra da Fourattic brilha pela forma como nos transporta com sucesso para a década de 80 e utiliza peças de entretenimento dessa era para suportar e elevar a sua jogabilidade. Crossing Souls não utiliza a nostalgia apenas para apelar ao saudosismo de tempos perdidos do jogador, mas sim como parte integrante da sua componente jogável e dos trechos que coloca à nossa disposição. As últimas horas são afetadas por picos de dificuldade desnecessários e por puzzles que quebram o ritmo, mas o cômputo geral da experiência não desilude.

A narrativa é cativante – as personagens nem tanto -, mas é impossível não destacar o departamento técnico altamente estilizado da obra.

8. Dead Cells – Classificação VideoGamer Portugal: 8/10

Não é segredo nenhum que sou um apaixonado por Rogue Legacy. Também não é segredo que nenhum outro roguelike, dos muitos que joguei desde então, me conseguiu cativar da mesma forma que a obra da Cellar Door Games o fez. Ainda se encontrava em Early Access quando Dead Cells começou a ser um dos jogos mais badalados da indústria, pelo que o interesse em jogar um roguelike tão recomendado era imenso. Não, não chegou sequer perto de saciar o bichinho deixado por Rogue Legacy, mas as recomendações não eram, de todo, infundadas.

Na minha opinião, o título da Motion Twin peca apenas por não oferecer uma sensação de progressão mais constante aos jogadores, o que se revela um problema quando estamos perante uma obra tão castigadora como esta e que nos obriga a regressar com frequência ao ponto inicial após a morte. Ainda assim, a profundidade do seu combate, alicerçada numa diversidade assinalável de armas, habilidades especiais e inimigos, fazem com que as sessões de jogo sejam quase sempre um regalo, especialmente quando conseguimos chegar um pouco mais longe, quando conseguimos assegurar um número assinalável de células de uma só vez e quando somos presenteados com novas áreas e desafios.

Perfeito para sessões de jogo curtas, Dead Cells é uma obra que nos deixará frequentemente prontos para “só mais uma” tentativa, pelo menos até o cansaço natural provocado por sucessivos falhanços ou por uma aventura mais alongada pela ilha/prisão que lhe serve de pano de fundo surgir.

7. Omensight – Classificação VideoGamer Portugal: 8/10

Escrevi aquando da publicação da análise em maio que Omensight era “uma experiência de grande qualidade que merece, sem dúvida, mais atenção e reconhecimento que aquele que tem obtido até ao momento”. Passados todos estes meses aqui estou eu a manter-me fiel às palavras proferidas então, continuando a reclamar mais atenção e reconhecimento para esta obra da Spearhead Games.

Seguindo o modelo popularizado pelo filme Groundhog Day, Omensight força-nos a reviver constantemente o dia em que o mundo acabou na companhia de diferentes personagens num esforço para obter pistas sobre as origens do acontecimento e aquilo que é necessário realizar para o evitar. Com um combate bastante competente, o título brilha em grande parte graças a uma narrativa verdadeiramente cativante, um elenco de personagens interessante e, talvez mais importante, uma escrita de excelência que faz com que os dois elementos anteriores sejam executados com uma mestria assinalável.

Podia perfeitamente tornar-se repetitivo, mas a revelação de nova informação é tão frequente, as reviravoltas tão eficazes e o elenco tão marcante que Omensight acaba por ser uma obra absolutamente obrigatória para aqueles que procuram nos seus videojogos uma narrativa de alta qualidade.

6. Ni no Kuni II: Revenant Kingdom – Classificação VideoGamer Portugal: 9/10

Uma daquelas obras que figurou durante vários anos consecutivos na minha lista de jogos mais aguardados, Ni no Kuni II: Revenant Kingdom foi, ainda assim, uma agradável surpresa. Não por se tratar de um Role Playing Game de ação extremamente belo e incrivelmente charmoso, voltando a fazer uso do estilo visual popularizado pelo aclamado estúdio de animação Studio Ghibli, mas sim porque me agarrou a atenção por uma componente da sua jogabilidade que não estava à espera.

Falo do sistema de criação, desenvolvimento e manutenção do nosso reino. Nunca tive grande interesse em experiências do género, pelo que encarei inicialmente esta porção do jogo como uma mera atividade secundária disponível para aqueles que pretendiam retirar o máximo proveito da obra. Mas não foi claramente isso que acabou por acontecer, muito pelo contrário. 

Rapidamente, dei por mim completamente embebido na tarefa de melhorar e expandir o meu reino, recrutando personagens espalhadas pelo vasto mundo de jogo para as minhas fileiras, amealhando dinheiro obtido pelas várias lojas do reino para depois o investir no contínuo melhoramento das mesmas, enfim, a gestão do reino de Evan tornou-se um poço sem fim de horas perdidas e um vício difícil de saciar. Fosse a narrativa tão impactante como o título original e esta obra estaria ainda melhor classificada nesta lista.

5. Chuchel – Classificação VideoGamer Portugal: 9/10

Mais uma das agradáveis surpresas que este ano civil me proporcionou, Chuchel foi uma lufada de ar fresco no sentido em que não joguei qualquer obra remotamente semelhante ao conceito apresentado por esta produção da Amanita Design. De longe a obra mais engraçada que experienciei nos últimos meses, Chuchel são duas horas de puzzles cómicos em que o processo de tentativa e erro associado à resolução dos mesmos é utilizado de forma extremamente eficaz para colocar um sorriso na cara do jogador à medida que uma enorme quantidade de situações caricatas vão vitimando o peculiar protagonista.

Chuchel é um daqueles jogos que se pode recomendar a qualquer pessoa, independentemente da sua experiência com videojogos ou dos seus géneros preferenciais, uma vez que todos os seus elementos são executados de forma excelente e com a segurança de uma obra que sabe perfeitamente aquilo que quer proporcionar aos que lhe dão oportunidade. Joguem o título da Amanita Design e deixem-no alegrar o vosso dia com as peripécias do protagonista em busca da elusiva cereja. O estilo visual também não é nada mau, diga-se.

4. Batman: The Enemy Within – Classificação VideoGamer Portugal: 8/10 (Ep. 1); 8/10 (Ep. 2); 8/10 (Ep. 3); 7/10 (Ep. 4); 9/10 (Ep. 5)

Pode não parecer, tendo em conta o atribulado ano que a sua produtora vivenciou em 2018, mas Batman: The Enemy Within apenas ficou concluído este ano, o que significa que é elegível para marcar presença nesta lista. E não, não está aqui incluído para servir de homenagem ou memorial à entretanto defunta Telltale. Está aqui sim por se tratar de uma excelente narrativa que aproveita ao máximo todo o potencial proporcionado pelo universo da DC Comics e acima de tudo pela panóplia de vilões associados às aventuras do Cavaleiro das Trevas.

Com excelentes caracterizações de nomes como Riddler, Harley Quinn e, claro está, Joker, a segunda temporada do esforço da Telltale pelo mundo da DC mostra-se bastante mais segura que o título original e muito disso deve-se à forma como coloca Bruce Wayne quase em permanente interação com antagonistas de personalidades excêntricas com os quais chegamos inclusivamente a empatizar.

A possibilidade de moldar a relação de Bruce com Joker e as origens do popular vilão pode ser o elemento mais atrativo da obra, contudo, os testes à moralidade do herói influenciadas pelas relações entretanto estabelecidas com os antagonistas são aquilo que diferencia esta obra de outras histórias protagonizadas por Batman.

3. Frostpunk – Classificação VideoGamer Portugal: 9/10

A construção do reino em Ni no Kuni II deu-me um pequeno vislumbre do quão viciantes e recompensadoras obras de gestão e criação de “cidades” podem ser. Frostpunk, o mais recente projeto dos produtores de This War of Mine, foi a confirmação de que se calhar deveria começar a jogar mais experiências deste género.

Mais uma vez constatei que ver as nossas decisões no momento de alocar recursos e mão de obra terem resultados práticos na vida daqueles cuja sobrevivência dependia diretamente da minha capacidade para os gerir convenientemente, da minha capacidade para tomar as decisões difíceis ao invés das decisões populares e de manter a satisfação da população em níveis adequados era extremamente cativante.

Uma vez que a obra nos coloca no centro de um apocalipse gelado, o objetivo passa por impedir que a nossa população sucumba ao frio e que os níveis de insatisfação e de esperança atinjam valores que coloquem em causa a nossa liderança. Para além das decisões mais práticas relacionadas com a gestão dos recursos, Frostpunk coloca também ênfase em momentos narrativos que representarão testes à nossa bússola moral e ao que estamos dispostos a sacrificar em nome do que consideramos ser o bem comum.

Cada tentativa falhada é mais um passo na nossa aprendizagem enquanto líder, sendo que são os vários desafios e rasteiras que o jogo tem em sua posse para nos levar por caminhos que julgávamos nunca ter de percorrer.

2. Moonlighter – Classificação VideoGamer Portugal: 9/10

Se Dead Cells se revelou um muito bom roguelike que não foi capaz de me apaixonar da mesma forma que Rogue Legacy havia conseguido há alguns anos atrás, Moonlighter foi o excelente roguelike que mais perto chegou de igualar o meu fascínio pelo título da Cellar Door Games.

Mais uma obra que se revelou um vício difícil de abandonar – podia e teria todo o gosto em gastar ainda mais horas na sua experiência do que as muito que lá coloquei para a análise -, Moonlighter destaca-se sobretudo pela forma excelente como casa a progressão por masmorras tradicional de um roguelike, com a gestão da loja deixada a nosso cargo pela família do protagonista.

Escrevi na análise que “um dos aspetos que mais impressiona nesta obra é a forma como consegue fazer com que esta dicotomia resulte tão bem, ou seja, consegue tornar a venda de recursos e a gestão da loja tão entusiasmante e recompensadora como a progressão nas masmorras” e esse continua a ser o elemento chave da sua experiência.

Para além de querermos como é óbvio chegar progressivamente mais longe nas masmorras até as concluirmos, a magia da obra passa pela forma como nos transforma em mestres vendedores, sempre à procura de obter o máximo lucro possível a partir de cada item que colocamos para venda, procurando não inundar o mercado com um determinado item porque isso fará baixar o valor que os potenciais clientes estão dispostos a gastar.

Apesar das minhas constantes comparações com Rogue Legacy sempre que falo de um roguelike, a verdade é que Moonlighter merece acima de tudo ser consagrado por oferecer uma experiência bastante única dentro do género que se tornou entretanto bastante saturado e por executá-la de forma absolutamente primorosa.

1. Spider-Man – Classificação VideoGamer Portugal: 9/10

Provavelmente a posição desta lista mais fácil de prever depois de lerem a introdução e perceberem os títulos que não tive oportunidade de jogar e que teriam, teoricamente, mais hipóteses de ameaçar este desfecho, Spider-Man, o espetacular esforço da Insomniac Games pelo universo da Marvel, é efetivamente o meu Jogo do Ano. E é com uma mistura de agrado e ligeira surpresa que posso afirmar que tive finalmente oportunidade de jogar uma excelente obra protagonizada pelo alter-ego de Peter Parker.

Liberto das amarras da mediocridade a que estava condenado com as obras licenciadas produzidas pela alçada da Activision, o Homem-Aranha encontrou na Insomniac Games o estúdio com o talento, os recursos e a liberdade para produzir o melhor jogo de super-heróis da Marvel até à data. Há muito pouco para não gostar neste título – para lá de algumas atividades secundárias algo desinspiradas -, pelo que resta-me voltar a destacar tudo aquilo que faz de Spider-Man a minha obra favorita de 2018.

Uma narrativa surpreendentemente emocional e cativante, alicerçada em personagens bem conhecidas do público, mas com uma caracterização excelente graças a uma escrita de enorme qualidade, uma navegação pelos céus de Nova Iorque absolutamente alucinante e espetacular que nunca se torna cansativa – que transformou o fast travel numa redundância – e um combate frenético e satisfatório fazem de Spider-Man um título incrivelmente agradável de se jogar e de recomendação bastante fácil e até obrigatória. Venha a sequela!

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