Ontem tivemos oportunidade de escrever algumas recomendações na área dos videojogos para preencherem a recomendada e pedida estadia em casa devido à COVID-19. Este domingo voltamos a fazê-lo, mas no que a séries de televisão e a filmes diz respeito. Ao longo deste artigo, como é habitual, terão oportunidade de ficar a conhecer três obras que foram ocupando parte do tempo da equipa VideoGamer Portugal. 

O primeiro a deixar por escrito aquilo que tem visto é o Pedro Martins. Os últimos dias foram dedicados também a ver a primeira temporada de I Am Not Okay With This, série que recentemente chegou ao catálogo Netflix em exclusivo. É uma série, segundo o autor, que se vê num abrir e fechar de olhos. 

Posteriormente, Marco Gomes escreve sobre Se Deus Quiser, obra que conta a decisão e os efeitos da decisão de um homem em se tornar padre. Realizado por Edoardo Falcone, segundo o Marco não é uma obra de estreia contundente. 

Finalmente, o Filipe Urriça passou pelas propostas dos canais TVCine e parou no TVCine Top para voltar a ver Shazam!. Película de estreia original em 2019, o autor explica o que gostou e o que desgostou no final deste artigo. Como sempre nos dias que correm, aos nossos leitores o pedido é que fiquem por casa com videojogos, filmes, séries e livros. Não saiam se não for mesmo necessário enquanto cuidam de vocês e dos outros. São tempos extraordinários mas passageiros. E sigam as instruções de quem sabe, consultem o site da Direção-Geral da Saúde.

Pedro Martins, I Am Not Okay With This (Netflix)

A adolescência não é necessariamente a fase mais tranquila da vida; a adolescência com um poder sobrenatural, muito menos. Esta é a premissa de I Am Not Okay With This, série que chegou recentemente ao catálogo da Netflix em exclusivo. É uma série rápida: os episódios são curtos e o ritmo é contundente, contando o que tem a contar e saindo de cena - até ao final do último episódio que abre claramente a porta para uma inevitável segunda temporada. 

Sydney (Sophia Lillis) não tem uma vida fácil. Com 17 anos já perdeu o pai, tem zangas com uma mãe que tenta fazer o seu melhor, cuida do seu irmão mais novo. Na escola tenta que ninguém repare na sua existência. Tudo enquanto lida com os fenómenos da biologia humana associada à idade, descobrindo a sua sexualidade e a transformação do seu corpo. 

Não fosse suficiente, a série revela que quando começa a ficar nervosa, tem a estranha capacidade de fazer estourar tudo o que está à sua volta. Com 17 anos, isto leva invariavelmente a situações complicadas. Tenta que ninguém conheça o seu segredo/poder, encontrando no seu amigo Stanley (Wyatt Oleff) um aliado e confidente. A dupla tem química e Oleff é um dos destaques desta temporada.

I Am Not Okay With This foi adaptado a série por Charles Forsman, que já tinha tido um papel decisivo na chegada à Netflix de The End of the F***ing World. O tom é comparável, a descoberta das personalidades também. O desenvolvimento pessoal e o lidar de situações provocadas pelo poder e por esta fase da vida fazem a série andar a um ritmo saudável. É recomendada e chegarão ao final numa tarde ou num fim de semana.

Marco Gomes, Se Deus Quiser (DVD)

À semelhança da congénere para a produção gaulesa, também a Festa do Cinema Italiano - conhecendo-se esta semana seu adiamento para uma data a anunciar brevemente devido ao impacto do vírus COVID-19 - é uma celebração plena da filmografia do país sem discriminação cronológica e/ou estilística.

Mais ainda, é um evento empenhado na oferta aos espectadores portugueses do mais relevante surgido no meio atualmente em território transalpino. Contudo, deduz-se facilmente que o ímpeto na criação da iniciativa não estará relacionado com o presente, mas sim, com um legado que ajudou a definir a gramática da sétima arte, incisivamente em quatro décadas do século XX, de quarenta a setenta. 

Nessa comparação injusta, correspondendo o cinema de vanguarda então produzido à necessidade de se repensar e adaptar a transformações sociais, técnicas e logísticas decorrentes do fim da Segunda Guerra Mundial e realinhamento da ordem de poderes, chegando aos nossos dias como processo consolidado, poder-se-á dizer ser hoje uma visão esquálida face a outrora. Indesmentível é a hegemonia que dela recebemos na comédia ligeira.

Partilhando título com o documentário de Fernando Lopes, Se Deus Quiser (2015), Se Dio Vuole no original, não é exceção, afirmando-se como obra de estreia de Edoardo Falcone na realização, até ali conhecido essencialmente como argumentista. O produto final, pese o substrato da mensagem  e algumas tiradas acima da média, é inconsistente, momentos havendo em que a condição de debutante resvala perigosamente para o amadorismo. 

Filipe Urriça, Shazam! (TVCine Top)

Agora que o COVID-19 está aí em força, devemos estar fechados mas em família. Por isso, esta é uma muito boa altura para ver filmes, séries, jogar na nossa consola favorita ou ler um, bom livro. Como tive tempo de fazer um zapping pelos canais TVCine, parei em Shazam!.

Ainda hoje acho que este é um dos melhores filmes de super-heróis que foram feitos até à data. Pelo menos, é um bom filme para se ver em familia. Shazam! é genuinamente cómico, não tem violência em demasia e tem uma personagem muito carismática.

Já deve ser a terceira ou quarta vez que vejo Shazam! e é incrível que ainda não me cansei de o ver. É pena que esta pandemia vá atrasar as filmagens de várias obras em desenvolvimento, porque gostava de ver até onde é que vão estender este universo da DC Comics.

Mas mais vale estarmos seguros do que quem faz os filmes e séries ficarem doentes. Agora é escolher o próximo filme para visualizar neste tempo de isolamento, ou série visto que a HBO e a Netflix lançaram propostas muito interessantes nestes últimos meses. Por exemplo, The Stranger e The Outsider. 

Continuem a conversa nos fóruns VideoGamer!