por - Mar 15, 2020

Top 10 de 2018 – Pedro Martins

Como já é habitual, é minha a tarefa de novamente publicar a última lista com os títulos que por diversos motivos me marcaram durante os últimos doze meses. Porventura os dez jogos mais conhecidos, são também aqueles que mostraram a quem os experimentou – ou pelo menos a mim – que apesar de terem sido publicadas centenas de análises, este meio de entretenimento ainda tem diversas formas de me fazer apaixonar por ele consecutivamente.

Ainda que obviamente tenha jogado todos os títulos mencionados, alguns não foram analisados no VideoGamer Portugal. Infelizmente, isto deve-se à falta de tempo para consolidar os meus pensamentos e considerações atempadamente aquando das estreias dos mesmos, pois além das análises há outros processos editoriais a manter e outros compromissos que devem ser honrados.

Porém, para os verem figurarem no meu Top 10, podem facilmente compreender que a classificação que receberiam seria elevada. Este ano que agora está a terminar foi particularmente uma boa temporada para quem gosta de videojogos. A indústria passou por alguns momentos menos positivos, mas as obras que foram publicadas quando brilharam, brilharam com grande intensidade.

Em breve será publicado um artigo com os videojogos que a equipa mais espera em 2019 e, a avaliar por essa amostra, são vários os motivos de interesse para o próximo ano. A verdade é que a ansiedade já começa a fazer-se sentir, deixando para trás um bom ano e entrando num novo período que poderá voltar a fazer história, a sua história em conjunto com os jogadores.

Mas para já, enquanto o artigo e o ano propriamente dito não chegam, aqui fica a minha lista com dez jogos que julgo serem fáceis recomendações e obras que certamente não vão cair no esquecimento de quem as experimentou e que podem ser consideradas bons exemplos se tentarem explicar a alguém o amor que sentem pelos videojogos. Se em 2019 tiver oportunidade de jogar dez obras deste calibre, então o próximo ano não será mau, não será nada mau mesmo.

10. Ashen

Ashen foi um daqueles jogos que acabou por chegar mesmo na reta final do ano e acabou por se revelar uma boa surpresa. A obra da A44 pode não ter um combate tão complexo e pode não ser uma experiência tão penalizadora e recompensadora como Dark Souls, mas acaba por ser uma aventura que valerá certamente a pena ser experimentada.

Graças a uma série de cenários em mundo aberto e a um estilo gráfico interessante, há uma sensação de progressão pelo mundo, com os jogadores a serem desafiados a simplesmente explorar e a sentirem-se investidos no percurso. Pelo caminho, quando o combate é a opção escolhida, Ashen presta-se a ser comparado novamente à série Souls, graças a uma abordagem dependente da estratégia associada à barra de stamina.

A A44 dotou ainda o seu jogo com um mundo que vai evoluindo com o passar do tempo, o que sublinha a sensação de progresso já mencionada e, convém não esquecer, enaltece a comunidade que vai crescendo em redor do jogo. Graças a um mundo partilhado online, há o convite a criar laços com outros jogadores de carne e osso. Pode não ser perfeito, mas será certamente melhor do que muitos estavam à espera.

9. Monster Hunter: World – Classificação VideoGamer Portugal: 9/10

Escrevi a análise a Monster Hunter: World em fevereiro, com o jogo da Capcom a conseguir a interessante proeza de ter permanecido relevante durante o resto do ano. Com a série a passar para as consolas caseiras mais poderosas e, posteriormente, a chegar ao PC, este poder tecnológico foi o músculo para uma aventura memorável, capaz de colocar em formato jogável uma enorme caçada.

Enormes áreas que transbordam de vida e que tornam a exploração um prazer, mas também um sólido sistema de combate e uma estrutura online que seria imprescindível para o alcance a médio prazo, a produtora percebeu os pilares que o seu título tinha que ter e executou-os com mão certeira. Sem ser obviamente o primeiro título Monster Hunter publicado no Ocidente, terá sido uma pedra basilar para que a comunidade se apaixonasse inequivocamente pelas suas facetas.

O acto de caçar em World é obviamente a espinha dorsal da experiência, algo que é enaltecido não só pelo excelente design das inúmeras criaturas, mas também porque este departamento técnico não seria possível nas consolas portáteis. A Capcom tem agora nas mãos uma série revitalizada e certamente serão muitos os que esperam que World tenha sido um de muitos passos nesta direção. Terminei a minha análise escrevendo que “tem tudo para ficar na história como uma das grandes aventuras de 2018”. Não estava enganado.

8. Florence – Classificação VideoGamer Portugal: 8/10

Quando escrevi a minha análise a Florence, o principal ponto negativo mencionado foi a sua longevidade. É verdade que a obra da Mountains pode ser terminada em pouco tempo, contudo, a jornada que passou na minha memória estava apenas a começar – e foi essa maturação pelo impacto que teve que o fez chegar a esta posição. Pode não ser uma obra para todos os jogadores, porém, isso não lhe retira o mérito de ser uma excelente história sobre o amor.

Tenho perfeita noção que escrever “uma história sobre o amor” é a autoestrada para se pensar em clichés, mas acreditem que o título não está para aturar chão já calcado sobre o tema, nem sequer se presta a grandes finais felizes em que vivem todos felizes para sempre. Conhecer as vidas destas pessoas é simplesmente relembrar-nos que não estamos sozinhos.

O tempo que fica na memória de quem joga é francamente alicerçado pelos inspirados departamentos técnicos. Não só o grafismo lhe dá uma entidade própria, como a banda sonora acompanha os momentos de fractura e aproximação. Resumidamente, pode ser curto, mas consegue muito com esse período que passa com quem joga. Se ainda não tiveram oportunidade de o experimentar, é um bom jogo para dar forma ao vosso 2019.

7. Return of the Obra Dinn

Quando Return of the Obra Dinn chegou ao mercado, Lucas Pope não era propriamente uma figura desconhecida no panorama dos videojogos, ou pelo menos não era uma figura tão anónima como o era aquando da estreia do seu jogo anterior, Papers, Please. Tenho a clara sensação que quando a sua próxima obra estrear, haverá um salto de expectativas ainda maior.

Isto está obviamente relacionado com a qualidade de Return of the Obra Dinn, título que revigora o género da investigação e faz os jogadores estarem atentos a tudo aquilo que os rodeia. Graças a um argumento interessantíssimo e a uma escrita que o suporta até não poder mais, o resultado é um jogo que morde a curiosidade dos fãs e nunca mais a larga.

O estudo que o jogador coloca ao serviço de Return of the Obra Dinn é recompensado em doses generosas. De salientar que as tonalidades gráficas da obra enquadram-se na perfeição na toada da investigação, ou melhor, não consigo imaginar o jogo com um aspeto gráfico diferente, e isso diz muito do quão Pope acertou na mouche. Olhar para Dinn é querer jogá-lo – e jogá-lo é algo facilmente recomendável.

6. Tetris Effect

Quando 2018 arrancou, confesso que não antecipava terminar o ano a escrever sobre um novo Tetris como um dos títulos que mais me marcou durante os últimos meses, mas aqui estamos. Muito foi dito sobre se o preço pedido por este reformular faz sentido, mas este Tetris tem o condão de se revelar uma experiência sensorial que a tecnologia pretérita não permitia.

Nem falo do facto da obra de Takashi Ishihara ser compatível com o PlayStation VR, mas sim da explosão de cor e som que os níveis colocam no ecrã. Mizuguchi é um dos produtores, pelo que Effect conta com muitas das valências de Rez e Lumines, obras que fazem os sentidos trabalhar horas extraordinárias.

Tetris Effect resulta porque não se limita a ser uma remasterização do clássico, mas sim um repensar de praticamente tudo aquilo que podia ser repensado sem erodir a identidade do clássico. Graças a novidades como o Zone System, o jogo consegue ser uma novidade em 2018 e, além disso, consegue ser uma novidade que será recordada. Não quer ser um Tetris melhor que o original, mas sim uma visão do que o clássico de Alexey Pajitnov pode ser no mundo contemporâneo.

5. Forza Horizon 4 – Classificação VideoGamer Portugal: 9/10

Pode-se alegar que a Microsoft não teve muitos exclusivos Xbox One publicados em 2018 e pode-se também alegar que Forza Horizon 4 não é um rigoroso exclusivo da consola caseira da casa de Redmond graças à sua versão Windows 10, contudo, pode-se ainda alegar que é um dos melhores jogos de 2018.

Pelo menos assim o é para mim, que tive oportunidade de o experimentar por um longo período de tempo na Xbox One X, percebendo que o título da Playground Games consegue misturar a adrenalina da competição automóvel com quantidades astronómicas de diversão enquanto passamos pelas quatro estações do ano.

Muitos carros, muitas competições, muitas recompensas e um online robusto são pontos-chave de um jogo com uma área de jogo enorme e com um departamento visual simplesmente deslumbrante. Forza Horizon 4 é um dos meus jogos de 2018 porque oferece muito e o muito que oferece é excelente.

4. Spider-Man – Classificação VideoGamer Portugal: 9/10

Na PlayStation 4, o ano foi também de Spider-Man. A Insomniac Games tinha a árdua tarefa de provar que o herói da Marvel resultava bem num enorme mundo aberto e que ainda havia histórias de qualidade a contar num universo tão apetecível como propício a clichés e a fãs desiludidos com mais uma obra que ficou aquém.

Felizmente para esses fãs e para os jogadores de uma forma geral, esta visão de Spider-Man é um triunfo. O mundo é vasto e dotado de mecânicas que tornam a exploração um prazer e o arco narrativo é suficientemente interessante para o contador de horas continuar a aumentar até os créditos finais aparecerem no ecrã.

A Insomniac não é estranha a criar títulos desta envergadura, pelo que será interessante perceber o que está para chegar e se conseguirá pelo menos manter esta qualidade. A Sony correu o risco de confiar na produtora e de não fechar os cordões à bolsa e agora está a colher os frutos. É um dos jogos do ano e um daqueles títulos que aumentam consideravelmente as expectativas para o futuro da série.

3. Super Smash Bros. Ultimate – Classificação VideoGamer Portugal: 9/10

Um dos melhores exclusivos Nintendo Switch é também um dos melhores jogos que experimentei em 2018. Escrevi que um lançamento da série Super Smash Bros. é mais do que apenas uma chegada ao mercado de um novo título, mas um acontecimento. Ultimate não fugiu à tradição e marcou inquestionavelmente o ano que agora está a terminar.

Mesmo sem ser perfeito e com uma componente online que ainda terá que mostrar aquilo que verdadeiramente vale com o decorrer de 2019, Ultimate oferece uma vastíssima seleção de lutadores, um enorme leque de cenários e vários modos novos. A jogabilidade vive de e para o lema “fácil de compreender, mas difícil de dominar”, com o resultado a ser, novamente, um fenómeno.

Sente-se que é uma carta de amor de Masahiro Sakurai aos videojogos e, sobretudo, aos fãs. E esses fãs foram tratados merecidamente como realeza. Anos à espera deram agora lugar a meses à luta, à descoberta de todos os segredos e estratégias possíveis. Este ano foi uma passadeira esticada para a Switch passar e Ultimate é o culminar desse irrefutável sucesso.

2. God of War – Classificação VideoGamer Portugal: 10/10

A produção de God of War não terá sido propriamente o processo mais suave na história da indústria, contudo, desse tormento emergiu um colosso. A esperança dos fãs flutuou ao longo desse processo, havendo a preocupação sobre a qualidade do produto. Uma das valências do exclusivo PlayStation 4 é ter estilhaçado por completo essas dúvidas.

Não vale a pena tecer grandes considerações se o impacto é superior ou não ao primeiro título da série, contudo, a abordagem diferente à aventura de Kratos e Atreus é refrescante, mantendo a identidade da saga, mas dando-lhe uma segunda vida, dando-lhe tamanha relevância no panorama atual dos videojogos que Cory Barlog e a sua equipa conseguiram o que muitos não pensavam ser possível.

Ação, exploração, laços familiares e um final que continua na memória, ingredientes que são alicerçados por departamentos técnicos fenomenais e servem para entregar uma aventura memorável. É diferente, sim, mas prova que quando executada com mestria essa diferença pode ser precisamente o que um título estabelecido precisa para ser amado com a mesma intensidade que outrora.

1. Red Dead Redemption 2

Talvez o jogo para o qual a comunidade tinha as expectativas, Red Dead Redemption 2 conseguiu superar tudo isso e colocar em formato jogável uma obra que atesta até onde chegou a indústria dos videojogos. A Rockstar está habituada a estar envolvida em polémicas e com este lançamento não escapou à celeuma, contudo, o que nos chegou às mãos é o aproximar de uma vida paralela.

Olhando apenas para a vastidão do que é oferecido, podia-se pensar que a produtora não soube quando parar de expandir a sua obra, porém, comecem a jogar e percebem que as personagens, o arco narrativo, os pormenores, os cenários, os departamentos técnicos, tudo ocupa o seu lugar: o trabalhar em conjunto para uma simulação contundente da vida no Velho Oeste.

Durante as horas e horas e horas que fui acumulando tive algumas chatices com o movimento das personagens, o que começa a ser uma das imagens de marca das obras da Rockstar, mas isso está muito, mas mesmo muito longe de retirar brilhantismo ao que a produtora conseguiu fazer. Foram anos e anos de espera e rumores; foram anos e anos culminados numa estadia inesquecível.

Depois do fenómeno que ainda é Grand Theft Auto V, a Rockstar assina uma obra que está a ser recordada desde o dia de lançamento e que muito provavelmente ainda se prestará a vários títulos de notícias durante o próximo ano. Estas vidas são afiadas e definidas, com o jogador a poder levá-las pela imensidão dos cenários e, de forma ainda mais impressionante, consigo.

Red Dead Redemption 2 é o meu jogo de 2018 e suspeito que muitos já o tenham começado a jogar. É impressionante o alcance que estas obras acabam por ter, o que coloca a Rockstar num patamar muito próprio, num patamar que ajuda a definir não o que os videojogos são, mas aquilo que podem ser. Não sei como nem qual será a sua próxima investida, mas será certamente um dos jogos mais esperados do ano em que for publicado. Mesmo se acharem que 2018 não fez história, Red Dead Redemption 2 fará certamente parte da história de 2018.

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