Este domingo, a equipa VideoGamer Portugal continua a percorrer diversos formatos e serviços para escrever sobre três peças de entretenimento que podem ser úteis a quem precisar de sugestões para as próximas horas ou para os próximos dias.

O Pedro Martins resolveu aceder ao catálogo da HBO Portugal para ver os primeiros episódios de Normal People, série que originalmente foi exibida no catálogo Hulu. É uma história de amor que decorre nos tempos modernos, mas que vale a bem a pena ver, como podem ler nos parágrafos que lhe são dedicados.

Posteriormente, o Marco Gomes continua a explorar a sua coleção de DVD e este domingo escreve sobre Má Educação. Tal como na semana passada, estamos na presença de um filme assinado por Pedro Almodóvar. O Marco atesta que é uma película que “tudo faz com ligeireza desconcertante”.

A terminar o artigo está a contribuição de Filipe Urriça. Este domingo há novo texto dedicado a The Umbrella Academy, agora que a segunda temporada já está disponível no catálogo da Netflix. Escreve o redator que vale a pena ver a nova fornada de episódios, especialmente pelo sentido de surpresa.

Pedro Martins, Normal People (HBO Portugal)

Inspirado no livro de Sally Rooney, Normal People chega a Portugal através do catálogo da HBO. Depois de ter visto seis dos doze episódios que compõem a temporada de estreia, a recomendação é fácil. Estamos perante uma janela brilhante e melancólica para o amor na passagem da vida adolescente para a existência adulta.

No centro de tudo está a relação entre Marianne (Daisy Edgar-Jones) e Connell (Paul Mescal), dupla que funciona como um poderoso íman entre eles e com o espectador. Frequentam a mesma escola e ambos têm mentes brilhantes, apaixonadas. Escondem o que sentem dos seus colegas na escola, soltam os corações fora dos portões.

É uma série que faz o salto da escola secundária para a faculdade, deixando para trás a cidade original, Sligo. Novas pessoas entram na equação que já era complexa graças às famílias e às discrepâncias sociais. Marianne tem uma família que lhe dá uma vida almofadada financeiramente; a mãe de Connell faz limpezas na casa de Marianne.

Os dois vão vivendo de forma inseparável, mesmo quando tomam decisões que parecem afastá-los e substituir o coração unido pelo coração partido. Normal People consegue o feito de nos agarrar pelos colarinhos com uma escrita que nunca se coloca em bicos de pés, construindo vidas com complexidades e subtilezas, vidas que são extraordinárias por não terem nado de extraordinário.

No centro está então o amor e a paixão, sim, mas a teia narrativa é construída com tudo o que rodeia as personagens. Emocionante e imersiva, é uma série que encanta e que nos torna parte destas vidas. É para ver até ao fim, obviamente, mas para já é uma recomendação obrigatória para todos que tenham uma subscrição HBO Portugal válida. Não se vão arrepender.

Marco Gomes, Má Educação (DVD)

Aproveitando estar com as mãos na massa, fui-me a outro de Pedro Almodóvar. Duas décadas volvidas do filme trazido na semana passada é Má Educação (2004), La Mala Educación no original, arquétipo do produto cinematográfico do espanhol.

Por isso mesmo, ideal para tentar responder em que segmento a generalidade de sua obra encaixa. A caminho meio entre cinema comercial e de autor será a mais instantânea e nem por isso menos certeira conclusão. A dúvida reside no peso das parcelas.

Aí, numa tirada excessivamente feliz ao ser película desenvolvida em torno de um incidente de abuso sexual a menores em instituição educativa católica, gracejaríamos ser Almodóvar mais papista que o papa.  

Isto porque, mesmo com rasgos de liberdade artística nisso explicados, tudo faz com ligeireza desconcertante, seja um argumento preso por arames em sua credibilidade lógica, a operática direção de atores ou, negada premeditação pela inequívoca falta de competência, total desfasamento emocional entre som e imagem.

Filipe Urriça, The Umbrella Academy 2 (Netflix)

Não foi há muito tempo que vi a primeira temporada da série inspirada na obra de Gerard Way. Assim não precisei de perder tempo a ver uma recapitulação dos acontecimentos das aventuras dos irmãos de The Umbrella Academy. E se a primeira temporada foi muito interessante, a segunda ainda consegue melhorar bastante.

The Umbrella Academy 2 está ao serviço das suas personagens, dando tempo de antena suficiente à cada uma delas, para que possam brilhar como é suposto. Finalmente, a personagem interpretada por Ellen Page, Vanya, tem um arco-narrativo digno da sua complexidade emocional, sem estar sempre num estado de apatia.

Os irmãos não conseguiram evitar o apocalipse na primeira temporada, por isso, Number Five teve que recorrer mais uma vez aos seus poderes para viajar no tempo. Desta vez foram para os anos sessenta, na altura em que o presidente dos Estados Unidos, John F. Kenedy, foi assassinado. E, para não variar, têm de salvar outra vez o mundo de um iminente apocalipse.

Contudo, a Comissão que gere a linha do tempo não lhes vai facilitar a vida, visto que entram em cena um grupo de suecos para matar os irmãos. Tudo o que acontece reforça a sua união, até Ben tem direito a estar mais vezes emocionalmente ligado a Klaus.

Enfim, esta é uma série que devem ver, sobretudo pela imprevisibilidade dos acontecimentos. Todos os irmãos têm algo a dizer nesta segunda temporada, visto estarem todos bem trabalhados.

Continuem a conversa nos fóruns VideoGamer!