VideoGamer Portugal por - Jan 16, 2022

O que andamos a ver, 16 de janeiro, 2022

A Netflix é conhecida por colocar nos nossos ecrãs verdadeiros blockbusters, algo que pode justificar mais uma subida de preço nos Estados Unidos da América. Tantas vezes destacada na rubrica semanal O que andamos a ver, este domingo as palavras vão para algo experimental.

Isto porque o Pedro Martins teve oportunidade de ver The House. É um filme com aproximadamente noventa minutos que conta três capítulos completamente diferentes. No seu centro está uma casa e uma animação stop-motion que tem uma qualidade impressionante.

Continuando a navegar pela sua coleção de DVD, o Marco Gomes escreve este domingo sobre Leviatã, uma película estreada originalmente em 2014. Realizado por Andrey Zvyagintsev, é um filme que segundo o Marco mostra “a mordacidade do realizador sobre o poder local na Rússia a apontar a alvos não-ficcionais e menos anónimos”.

Já tínhamos versado sobre Encanto nesta rubrica, mas o Filipe Urriça oferece uma nova perspetiva sobre a nova proposta da Disney depois de o ter visto mais de vinte vezes, tamanha é a insistência da sua filha mais velha. Curiosamente, também aqui há uma casa no centro das atenções.

Pedro Martins, The House (Netflix)

The House fica na memória pela qualidade da sua animação e pelo argumento que não tem medo de arriscar, de quase perder o espectador para o voltar a conquistar fulgurantemente. Está disponível na Netflix e é uma viagem em três partes.

Estamos a falar de um filme que está dividido num trio de capítulos distintos para contar a história de uma casa. O primeiro versa sobre como é que a mesma foi construída, o segundo leva-nos até um momento em que é restaurada para ser vendida, e o derradeiro episódio decorre quando tudo à sua volta está inundado.

O primeiro e talvez mais profundo golpe chega-nos pela qualidade da animação stop-motion. É tão detalhada que o espectador é forçado a parar para realinhar a perspetiva. E depois temos um arco narrativo que nem tenta explicar o motivo do segundo episódio ser protagonizado por um rato e o terceiro por uma gata.

O que andamos a ver foi palco de algumas propostas experimentais e The House está entre as que mais arrisca. Gostei do que vi, algo que é reforçado por serem apenas três episódios. Ou seja, não terão pela frente dezenas de minutos que servem para pouco mais do que preencher tempo.

Fica a lição sobre o que uma casa pode ser, sobre o que às vezes temos que deixar para trás e as memórias que são centradas num local. Esta casa é uma personagem unindo todas as outras, relembrando-nos que os objetos podem ser elementos vivos quando as nossas recordações lhe dão esse protagonismo tantas vezes merecido.

Marco Gomes, Leviatã (DVD)

Pela mão de Andrey Zvyagintsev, do qual vira O Regresso (2003) – partilhando título em nosso mercado com a obra de Asif Kapadi -, trago hoje relicário da essência moribunda do Cinema, a de contar estórias e histórias com o dom prioritário da função.

Leviatã (2014), Leviafan no original russo para a criatura marinha citada primeiramente no Antigo Testamento, não é um filme de máxima eficácia na transposição da narrativa para a certeza audiovisual, mas pouco se aparta, em guerra aberta com a ditadura dos tecnicismos.

Seu reconhecimento faz-se do contra-senso de cumprir com o elementar enquanto factor de diferenciação e distinção, como o prémio de melhor argumento na edição 2014 do Festival de Cannes, ou, entre mais de três dezenas e meia de galardões, de melhor filme em língua estrangeira nos Globos de Ouro (americanos) no ano posterior.

Inversamente à camada formal, a promíscua relação de amizade, adultério e assassinato no desenvolvimento dramático entrega-se de forma implícita, com a mordacidade do realizador sobre o poder local na Rússia a apontar a alvos não-ficcionais e menos anónimos.

Filipe Urriça, Encanto (Disney+)

Desde o final de dezembro que já devo ter visto Encanto mais de vinte vezes, a minha filha mais velha adora o filme e pede-me sempre para vê-lo com ela. Sinceramente, ainda não me fartei de ver a película de animação da Disney, já devo ter ganho alguma resistência com Forzen. Sei muito bem por que é que ainda gosto de ver Encanto, o filme não é só muito bom, como também tem músicas excelentes.

É certo que alguns filmes Disney não têm músicas, mas é muito mais divertido ver um quando tem canções, isto acaba por transmitir muito melhor a mensagem do filme aos mais novos. A primeira música apresenta-nos a premissa de Encanto, ou seja, ficamos a conhecer a condição de Maribel na sua família e a própria família Madrigal.

Ao longo do filme destacam-se também as canções “Não falamos no Bruno”, que tem um ritmo contagiante (aliás são poucas as que não têm), além de piscar o olho a Fight Club. Também adorei a música que Maribel canta com a sua irmã Luísa, que lhe revela os seus problemas, assim como o tema principal de Carlos Vives (fez dueto com Shakira em La Bicicleta). Enfim, ver Encanto é fazer quase uma mini-festa em casa, principalmente se houver crianças.

Encanto não vive só das suas músicas. É um filme fantástico que passa uma boa mensagem: a importância de uma boa família. Se não tivesse sido lançado no passado diria que Encanto é o filme de animação do ano, não foi por acaso que já ganhou um Golden Globe.

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