VideoGamer Portugal por - Apr 17, 2022

O que andamos a ver, 17 de abril, 2022

Em pleno domingo de Páscoa, a rubrica O que andamos a ver está presente com mais um trio de recomendações além dos videojogos. A equipa VideoGamer Portugal teve oportunidade de ver um filme de animação, de prestar homenagem a Charlot e de ver uma curta no serviço Disney+.

O Pedro Martins acedeu à Netflix para o que Apollo 10½ – Uma Infância na Era Espacial tinha reservado. E a verdade é que estamos perante um título de Richard Linklater pejado de nostalgia sobre a Era Espacial. Somos levados até ao verão de 1969 onde a imaginação juvenil anda solta. Vale a pena o vosso tempo, segundo o diretor de conteúdos.

Colecção Charlot – O Génio da Comédia é a escolha de Marco Gomes para este O que andamos a ver. É uma boa forma de conhecer ou de rever a obra de uma personalidade incontornável da sétima arte. Conheçam a opinião do Marco sobre duas obras no decorrer deste artigo.

A terminar temos as palavras de Filipe Urriça sobre Destino, uma curta que está disponível no catálogo da Disney+. Escreve o redator que, dada a arte da Dalí, não é uma curta fácil de se ver, mas ainda assim uma recomendação para quem procura algo diferente.

O VideoGamer Portugal deseja a todos os seus leitores e aos seus uma excelente Páscoa.

Pedro Martins, Apollo 10½ – Uma Infância na Era Espacial (Netflix)

Um filme de Richard Linklater é normalmente um acontecimento. Consagrado, é responsável por obras como a trilogia Antes do Amanhecer/Anoitecer/Meia-Noite, e também do desafiante Boyhood. Com Apollo 10½ – Uma Infância na Era Espacial, estamos perante uma obra de animação em rotoscoping que nos leva até a América de 1969.

Mais concretamente, somos levados até ao verão desse ano, quando o Homem estava prestes a alunar pela primeira vez. Sente-se a eletricidade no ar, a antecipação de algo marcante. Contudo, antes de Armstrong ter tocado em solo lunar, o jovem Stan é contactado pela NASA para uma missão secreta e foi ele o primeiro humano a alunar. Assim pensa e assim sonha o jovem.

Esta é o refúgio narrativo de Apollo 10½ – Uma Infância na Era Espacial para nos levar até Houston naquele verão, uma história narrada pela versão adulta de Stan (Jack Black). O seu pai é contabilista na NASA e o entusiasmo espacial está praticamente em todos os fotogramas do filme, tal como a nostalgia.

É verdade que o público dos Estados Unidos da América retira mais desta obra do que os espectadores europeus, mas há cenas transversais e o rotoscoping (animação criada a partir de desempenhos reais) dá ao filme uma estética impressionante.

Apollo 10½ – Uma Infância na Era Espacial serve quase como uma obra de autor para Linklater, mas é bom, bastante bom. Está disponível em exclusivo na Netflix e vê-se num ápice enquanto temos acesso a um verão em 1969 quando o Homem estava prestes a escrever uma história universal.

Marco Gomes, Colecção Charlot – O Génio da Comédia (DVD)

Filmes puxam livro puxa filmes. Chegado em segunda mão recheio e informação fico vetado em precisar se a iniciativa promocional surgiu da retalhista ou da editora – fichas colocadas na primeira possibilidade. Seguro é que a dado momento em nosso mercado caseiro de cinema a aquisição dos dois volumes DVD Edição Colecionador Charlie Chaplin da Costa do Castelo Filmes ofertava a versão inglesa da biografia do artista por Peter Ackroyd, atual leitura de cabeceira.

Objeto contínuo de investigação pelas zonas cinzentas que ainda alberga quando o próprio Chaplin em discurso direto ou por interposta pessoa – mesmo alheio à premeditação – fornecia códigos inválidos para descodificar o trajeto pessoal recorrendo a dois mecanismos preferenciais, interpretações múltiplas para a mesma passagem e delas telenovelescos relatos.

Como se disso tivesse necessidade sendo em toda a história da sétima arte uma das personalidades de vida mais convulsa. Olhando para trás após o suspiro derradeiro, mesmo excluídas as diatribes surgidas do métier, material de sobra para inúmeros romances teria pela infância à Charles Dickens e rol de escândalos amorosos na idade adulta.

Noutra vida d’O Que Andamos a Ver destacou-se integralmente o alinhamento da primeira caixa, ficando prometido o fecho do conjunto para tempo oportuno. A lógica cronológica é quem mais ordena, antecedendo-o outra edição sobre o londrino, a da Carisma – Entertainment Group. Sete DVD no agregado respondendo por -assim mesmo, à revelia do acordo ortográfico – Colecção Charlot – O Génio da Comédia.

A dupla inicial de discos sustentando estas linhas incorpora seis curta-metragem em distribuição equitativa, a saber: Charlot em Xangai (1915), Shanghaied, Charlot Perfeita Dama (1915), A Woman, Charlot no Banco (1915), The Bank, Charlot Aldrabão (1916), The Count, Charlot Prestamista (1916), The Pawn Shop e Charlot Patinador (1916), The Rink.

Filipe Urriça, Destino (Disney+)

Qualquer que seja o conteúdo que escolho para trazer para esta rubrica, quer seja uma série, um filme, um documentário ou uma curta-metragem, tento sempre escrever um texto com a mesma quantidade de parágrafos, frases, palavras ou caracteres. Por isso, as curtas-metragens são mais complicadas de expor em texto do que um filme de uma ou duas horas, dado que a sua duração é bem mais reduzida.

Uma curta condensa em minutos o que um filme ou série expõem em horas, às vezes, até com mais eficácia. Dito isto, escolhi Destino (o nome original é mesmo este, não é uma tradução) dado que está na secção da Disney do serviço de streaming da gigante de Burbank, enquanto procurava algo de diferente para trazer para este espaço. Não o escolhi ao acaso, houve algo que me chamou à atenção. Foi co-criado por Walt Disney e pelo pintor espanhol Salvador Dalí em 1945 e posto indefinidamente em pausa, porque a Disney daquela altura não era a mesma de hoje em dia que compra a Fox e Star Wars como se fosse uma terça-feira qualquer.

Ultrapassadas as dificuldades, em 2003 é publicado Destino que foi terminado pelo filho de Walt Disney, Roy. Por muito que Destino sejam só sete minutos, requer algumas visualizações para se fazer uma interpretação mais cuidada daquilo que é mostrado. Interpretar obras surrealistas de Dalí não é para qualquer um, Destino conta a história de amor de Chronos, deus do tempo, com uma mulher mortal que se funde entre as paisagens das pinturas de Salvador Dalí.

É uma curta sem voz que é quase uma dança de imagens onde a mulher mortal procura estar com o amor da sua vida. Não é uma curta fácil de ser ver, mas tem uma visuais lindos e é certo que não deve haver mais nenhuma obra com uma abordagem similar quanto aos visuais no catálogo da Disney. Recomendar Destino é muito difícil, pois para a ver é preciso gostar de arte e estar aberto a outros tipos de trabalhos audiovisuais. Mas caso estejam dispostos a ver uma curta-metragem com a arte de Salvador Dalí, vejam Destino, não se vão arrepender.

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